| 20/02/2010 | |
Os empresários estão otimistas - Adézio José Marques |
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O presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético (CEISE BR), Adézio José Marques, falou a Revista Canavieiros neste início de 2010. Segundo ele, os empresários do setor sucroenergético estão otimistas com as perspectivas para este ano. Empossado presidente do Ceise desde setembro de 2009, o empresário diz estar determinado a “transformar a instituição que representará, de fato e de direito, os interesses da indústria de bens de capital, máquinas e equipamentos, insumos, serviços e tecnologia da cadeia produtiva sucroenergética”.
Adézio também falou sobre as perspectivas para 2010, deu sua opinião sobre a crise mundial e como o Brasil foi afetado. Para finalizar, o presidente do CEISE comentou o que espera do próximo governante, já que 2010 é ano eleitoral.
Leia, a seguir, a íntegra da entrevista que Adézio concedeu à Canavieiros, por e-mail.
Revista Canavieiros: Em setembro de 2009 uma nova diretoria tomou posse do CEISE BR. Quais mudanças foram realizadas por essa nova diretoria e quais são os objetivos a serem alcançados? Adézio José Marques: Todos os projetos que encontramos na entidade e que agradaram a nova diretoria estão sendo mantidos e inclusive estamos melhorando e ampliando tudo aquilo que temos a certeza que beneficiará a indústria e a comunidade. Desde que fomos eleitos para dirigir a nossa entidade, em que pese o grau de dificuldades que nossa economia ainda atravessa, estamos determinados a transformar o CeiseBr na instituição que representará, de fato e de direito, os interesses da indústria de bens de capital, máquinas e equipamentos, insumos, serviços e tecnologia da cadeia produtiva sucroenergética. Neste sentido, estabelecemos importante parceria com o Governo Federal garantindo assento na Câmara Setorial de Agroenergia e Biocombustíveis do Ministério da Agricultura, que é a mais alta e importante instância onde são debatidos e decididos os temas do nosso setor. Tivemos a honra de recebermos em nossa sede, no dia 16 de novembro de 2009, o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone. E na presença de vice-presidentes, diretores e também dos presidentes da Copercana e Cocred, Toninho Tonielo e da Canaoeste, Manoel Ortolan, ouvimos dele que já há muito tempo o Governo Federal buscava novos interlocutores na cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Além disso, retomamos e buscamos fortalecer o relacionamento com entidades importantes para nosso setor e região, como por exemplo, UNICA, UDOP e ABIMAQ. E, logicamente, voltamos a trabalhar unidos com a FIESP/CIESP, que sempre trouxeram benefícios como representatividade macro política e macro econômica, além de SESI e SENAI. Em novembro tivemos a oportunidade de palestrar para empresários brasileiros e argentinos reunidos no Hotel JP, em Ribeirão Preto, em um evento promovido pela ABIMAQ. Tivemos também a oportunidade de apresentar o Ceise BR a representantes de governos de 20 países que se reuniram no II Ethanol Week, promovido pelos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores no Hotel Araucária, também em Ribeirão Preto. Infelizmente não pudemos participar da reunião do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República no Palácio do Planalto, para a qual fomos convidados, em razão da coincidência de datas com as nossas negociações com o dissídio coletivo trabalhista, que mereceram toda a nossa atenção, pela importância que este assunto também nos tem. Estamos discutindo o projeto que cria em nossa cidade um Centro Avançado de Pesquisas, em parceria com instituições como a USP, UFSCar, Instituto Federal, Fapesp, Fatec, Prefeitura Municipal, SEBRAE e SENAI. Estamos viabilizando a criação da Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético, a UNICEISE, num projeto que conta com a participação da equipe liderada pelo Prof. Dr. Alberto Borges Matias, da FEA/USP e coordenado pelo INEPAD – Instituto de Ensino e Pesquisas em Administração, que conta com 250 professores doutores das mais renomadas universidades brasileiras e uma equipe de apoio de 1.100 colaboradores.
Revista Canavieiros: Que serviços o CEISE BR disponibiliza aos seus associados e como os empresários podem se beneficiar desses serviços? Adézio: Disponibiliza: informação, formação e acima de tudo representatividade. O Ceise BR, que nasceu há 30 anos, surgiu da necessidade que os empresários de Sertãozinho tinham de se unir para somar esforços e, obviamente, dividir benefícios. A história mostrou a força empreendedora destes empresários na realização de vários eventos, coordenados até hoje pelo então Ceise BR, e que geram oportunidades de negócios ou melhorias nos produtos e/ou processos das indústrias. Atualmente, temos condição de oferecer o caminho que o industrial necessita percorrer para garantir à sua empresa uma gestão eficiente, que garanta não só lucratividade, mas condição para manter a sustentabilidade socioambiental e econômica. Temos departamentos que apoiam o desenvolvimento de práticas ecologicamente corretas, que incentivam à exportação, departamento jurídico e um núcleo que visa desenvolver cursos e consultorias específicas para a necessidade dos nossos industriais. Além de tudo isso, há que se registrar a ampla variedade de convênios que oferecemos aos nossos associados. É um dos principais serviços que uma associação pode oferecer, pois beneficia diretamente os funcionários das empresas. Entre os mais procurados, cito o que confere descontos em cursos superiores ou de idiomas. O convênio para a aquisição de veículos também é bastante procurado. Para se beneficiar, o empresário deve entrar em contato com nosso gerente. Ele se encarregará de apresentar a associação, bem como a forma de se associar.
Revista Canavieiros: 2009 foi um ano difícil para os empresários brasileiros? Como será 2010? Adézio: Com certeza foi um ano difícil para empresários do mundo todo. 2009 foi um ano em que a economia realizou uma série de ajustes que ocorrem de tempos em tempos. Foi também o ano que mostrou que devemos nos preparar para acontecimentos que estão um pouco além das previsões dos economistas. Por que ninguém conseguiu prever e anunciar esta crise como se anuncia a erupção de um vulcão ou então um abalo sísmico? A economia está sujeita ao comportamento humano e, por isso, acredito que, apesar das tendências e perspectivas, é sempre um tanto quanto imprevisível. Quanto a este ano, vislumbra-se um 2010 mais promissor. Temos ainda problemas, principalmente os provocados pela inadimplência de algumas usinas. Temos desafios a vencer no setor sucroenergético como a ampliação do número de usinas na cogeração de energia elétrica, já que hoje apenas 20% delas comercializam seus excedentes no mercado. Creio que, de acordo com o que vemos na mídia ou nos encontros empresariais, teremos a confirmação do que o professor Vicente Golfeto sempre diz: “A vida vai tomando a forma dos nossos pensamentos”. Os empresários estão otimistas. Também estou, pois percebo em minha própria empresa, a retomada dos investimentos. Há que se lembrar também que este será um ano eleitoral e que certamente será repleto de investimentos governamentais, oxigenando ainda mais nossa economia.
Revista Canavieiros: Quais os desafios que os empresários, principalmente os do setor sucroenergético, devem enfrentar neste novo ano? Adézio: Como mencionei a inadimplência certamente dificultará a retomada do crescimento. Não podemos exagerar no otimismo em janeiro ou fevereiro, pois, como me disse o professor Dr. Alberto Matias, as empresas ficaram um ano sem uma geração saudável de caixa. Assim, pode ser que, neste primeiro semestre, muitas empresas terão que dividir seus recursos entre a regularização de seus caixas e a necessidade de investimentos para atender a demanda. Muitas usinas terão que reformar seus equipamentos, haja visto que, na virada de 2008 para 2009 poucas foram as que investiram neste tipo de prática comum em nossa região. Fora isso, penso que, se os empresários não se unirem, desperdiçarão muitas oportunidades de negócios. Vale citar, como excelente mercado para Sertãozinho, a África. No evento que participei, fui indagado por vários representantes de mais de 20 países sobre como os africanos poderiam construir ou adaptar suas usinas de açúcar para a produção de etanol.
Revista Canavieiros: O desemprego nas indústrias brasileiras também foi grande em 2009. Sertãozinho e região também foram atingidos. Como ficará esta questão em 2010? Adézio: Talvez uma análise menos agressiva nos mostraria que em 2009, ao contrário do que se pensa, não tivemos um saldo negativo tão grande quando se compara admissões e demissões. Segundo o CAGED, em 2008, foram criadas 728 vagas de empregos em nossa cidade. No ano seguinte, tivemos apenas 79. É uma diferença muito grande, e que mostra em um gráfico uma queda muito forte da velocidade que geralmente estávamos acostumados naquele círculo virtuoso que vivíamos. Um dos maiores entraves para a criação de empregos em 2009, como disse, foi além da inadimplência, uma freada brusca da economia, com a paralisação de vários projetos de investimentos. Em 2010 acredito que não teremos o mesmo saldo de 2008, pois muitas empresas passarão um bom tempo consertando os estragos deixados pela crise. Há um aspecto interessante, os empréstimos de Bancos para as empresas lentamente se recuperam, acompanhando a reativação da economia. Revista Canavieiros: Algumas avaliações de especialistas em economia, afirmam que o Brasil sofreu poucos impactos da recessão mundial. Isso realmente aconteceu? Por quê? Adézio: Se compararmos o impacto da crise no Brasil com o que ocorreu nos EUA, por exemplo, podemos sim afirmar que aqui tivemos uma “marolinha”. No segundo semestre de 2009, algumas economias já ensaiavam a saída da recessão, a maior parte delas, nos países emergentes, inclusive o Brasil. Aliás, no Brasil, a divulgação do PIB do segundo trimestre de 2009, com crescimento de 1,9% em relação ao período anterior, já marcava o fim da recessão iniciada nos últimos três meses de 2008. Comparativamente ao cenário global, o país vive um momento favorável e caracterizado pela reversão das expectativas do início de 2009.
Revista Canavieiros: Até que ponto essa recessão atingiu Sertãozinho e região? Como se recompor desse período? Adézio: A diminuição da arrecadação da prefeitura em R$ 9 milhões em 2009, inclusive com a diminuição também da projeção do orçamento de 2010, fazendo com que nosso prefeito Nério Costa adiasse alguns projetos de investimentos em nossa cidade, é uma prova cabal de como Sertãozinho foi atingida, além do leve crescimento do desemprego nesse período. Para se recompor, é sabido por todos que a indústria é a força propulsora da nossa economia, ou seja, a indústria indo bem o comércio também vai bem, além é lógico do aumento de arrecadação dos cofres públicos. Portanto, cabe a nós empresários industriais explorarmos as boas perspectivas iminentes em 2010, principalmente em alguns setores como o sucroenergético, o de geração de energia, Pré-Sal, Portuário, Minério, etc.
Revista Canavieiros: Na sua opinião, a política econômica adotada pelo Governo Federal está de acordo com o empresariado brasileiro? Adézio: Bem, tenho dito que o pensamento do empresário é mais desenvolvimentista, enquanto que o do Governo Federal é mais monetário, ou seja, só vêem cifrão, mas, dizer que a política do governo é errada fica difícil num momento em que acabamos de passar por uma crise mundial sem maiores problemas, comparado com alguns outros países considerados desenvolvidos. Porém, na minha opinião, o governo muitas vezes ainda demora para agir, principalmente no que tange a redução de juros da taxa selic, atrasando assim, a oxigenação da nossa economia, entre outras coisas.
Revista Canavieiros: O governo tem cumprido seu papel diante das necessidades da indústria brasileira? Adézio: Por mais que tenha feito, faltam coisas fundamentais como a reforma tributária, desburocratização e acesso simplificado ao crédito. Se compararmos o nível de crédito no Brasil, veremos algo em torno de 45% do PIB contra cerca de 80% nos países desenvolvidos. Outro aspecto que merece a atenção do governo é o spread bancário, o maior dentre os 40 países pesquisados pela FIESP.
Revista Canavieiros: Que medidas devem ser adotadas para que esse setor sofra menos impactos em 2010? Adézio: Facilitar o acesso ao crédito tanto nos bancos federais quanto nos privados, reduzir a carga fiscal, através de uma ampla reforma tributária, estimular a criação de empregos diminuindo os encargos trabalhistas, revisar a CLT obsoleta que nós temos, melhorar a infraestrutura de nosso país (logística) para que possamos reduzir custos e garantir um bom preço do nosso produto não só dentro dos estados brasileiros, mas como para o mundo todo.
Revista Canavieiros: 2010 é um ano eleitoral. O que o senhor espera do próximo governante seja ele um aliado do atual governo ou não? Adézio: Espero que governe nosso país pensando única e exclusivamente no bem do povo brasileiro, pois é sabido que pensar no povo como um todo é a melhor maneira de pensar em si próprio e que sempre respeite os princípios básicos da ética, moral e civilidade. Dentre as ações básicas, deveria promover as reformas estruturais tão necessárias para o nosso Brasil. Adézio: Espero que governe nosso país pensando única e exclusivamente no bem do povo brasileiro, pois é sabido que pensar no povo como um todo é a melhor maneira de pensar em si próprio e que sempre respeite os princípios básicos da ética, moral e civilidade. Dentre as ações básicas, deveria promover as reformas estruturais tão necessárias para o nosso Brasil. |
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Fonte: Revista Canavieiros - Carla Rossini |
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