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24/02/2010
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O etanol de 2a.geração é o pré-sal da cana-de-açúcar - Jaime Finguerut*

O Centro de Tecnologia Canavieira, conhecido no País pela sua sigla CTC, com sede em Piracicaba, interior paulista, pretende ter em funcionamento, em 2012, sua usina de produção de etanol de 2ª.geração, que tem o mesmo valor para a cana-de-açúcar, que o pré-sal para o petróleo no Brasil, disse o gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do CTC, Jaime Finguerut, em entrevista exclusiva ao INFOENERGIA. O cientista brasileiro mostra muita confiança e satisfação com o desenvolvimento do etanol de 2ª.geração, chegando a afirmar que com o conhecimento que se tem da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar, nosso produto será de melhor qualidade, "sem dúvida alguma".

A seguir a entrevista com Jaime Finguerut.

Como está o desenvolvimento no País do etanol de 2ª. geração?

O CTC vem trabalhando em pesquisa da cana-de-açúcar há 30 anos. Sempre dedicou um grande período do tempo nestas pesquisas, buscando o aprimoramento das variedades, gerando novas variedades, sempre com incremento no rendimento na produção final de açúcar e álcool. Se desenvolveu aqui vários tipos de cana-de-açúcar, que se aclimatam a área onde se deseja sua produção. Agora temos outro desafio, que é o de desenvolver o etanol de 2ª.geração. Estamos caminhando bem nesta área também. Nosso técnicos e cientistas são excelentes e conhecem o assunto cana-de-açucar, como ninguém.

Poderia explicar para nossos leitores?

Para se ter uma idéia da importância do que estamos desenvolvendo, chegamos a conclusão de que hoje se utiliza 1/3 da energia da cana, o outro 1/3 se obtem da fotossintese que é o bagaço, que a gente usa para gerar energia. Se perde a palha com a queima, que vai acabar por lei. Com novas tecnologias, nós vamos aproveitar inteiramente o bagaço e a palha para produzir mais etanol, com a quebra de suas moléculas, que o desenvolvimento do etanol de 2ª.geração necessita. Vamos produzir o melhor produto, como já produzimos hoje o etanol, que é reconhecido pela Agência Ambiental dos Estados Unidos como um combustível desenvolvido, o melhor do mundo.

Noto que o Sr. está muito confiante com o sucesso do etanol de 2ª. geração a ser produzido no Brasil, é isto mesmo?

É isto mesmo. Nosso produto vai usar as mesmas instalações das atuais usinas, o que não acontece com o etanol de 2ª. geração proveniente do milho. Nós seremos mais eficientes e teremos uma margem muito grande para ampliar a produção de etanol no País. Lembro que nos Estados Unidos se aplicam milhões, e até bilhões de dólares na pesquisa de novas alternativas energéticas, incluindo ai o etanol. Aqui nós estamos usando todo o conhecimento que possuimos da cana-de-açúcar, que vão das informações de associados até da área acadêmica. Temos muita gente boa trabahando nesse desenvolvimento do etanol de 2ª. geração. Temos aqui o CTC trabalhando em tecnologia e a Dedini desenvolvendo equipamentos. Há um reconhecimento deste fato. A Amyris Biotechnologies quer produzir no Brasil o biodiesel a partir da cana-de-açúcar. Veio ao lugar correto.

Quando teremos uma usina já produzindo o etanol de 2ª. geração aqui no CTC, aqui no Brasil?

Nós temos uma UDP( Unidade de Demonstração de Processos), onde já processa o etanol de 2ª.geração. As pesquisas aqui estão avançando e creio que em 2012 já teremos uma usina para a produção de etanol de 2ª. geração. Uma usina a ser desenvolvida por associados, como nossa tecnologia. Pouca gente sabe disto no Brasil. Temos que levar em consideração que hoje a competição é pelo custo da produção. Nós vamos ter um custo menor que outros paísees. Para se ter uma idéia o custo da produção de etanol em 1975 era duas vezes maior do que hoje. O etanol de 2ª.geração vai trazer mais investidores para o Brasil. O negócio é juntar os esforços, eles estão enxergando este fato.

O que vai representar para o Brasil o etanol de 2ª.geração?

Nosso objetivo no CTC sempre foi buscar melhorias genéticas na cana-de-açúcar. E conseguimos. Ou melhor estamos sempre conseguindo melhorar a qualidade genética da planta, analisando-se onde vai ser plantada. Agora o desafio que estamos enfrentando, com os conhecimentos adquiridos através dos anos de estudo, é de se chegar ao etanol de 2ª.geração. Creio que isto é uma nova oportunidade que se abre para o Brasil. Posso afirmar, sem medo de errar, que o etanol de 2ª.geração é o pré-sal da cana-de-açúcar. Com o mesmo potencial agrícola de hoje vamos produzir de 30 a 45% a mais de etanol com a 2ª.geração. Será um ganho para o País.

E para concluir esta entrevista quem é Jaime Finguerut?

Jaime Finguerut, Engº Quimico formado na escola de Engenharia Mauá desde Dez. 1974, fez especialização em nível de pós-graduação (cursos de mestrado e doutorado direto) no Departamento de Engª Quimica da Escola Politécnica da USP sob orientação dos Profs. Drs. Walter Borzani e Bruno Concone até 1979; foi Engº da Divisão de Bioprocessos da CETESB em São Paulo até 1976; Professor e Pesquisador de Engenharia Bioquimica na Faculdade de Engenharia Industrial-FEI em São Bernardo do Campo SP e desde Novembro de 1979 funcionário do Centro de Tecnologia Canavieira em Piracicaba SP, onde desenvolveu a tecnologia de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, tendo ocupado diversas posições, sendo hoje Gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial onde busca novos temas e novas formas de realizar a pesquisa, por exemplo através de parcerias.

Entrevista reproduzida originalmente no site www.infoenergia.com.br

Jaime Finguerut é gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do Centro de Tecnologia Canavieira - CTC.

 

Fonte: www.infoenergia.com.br

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