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01/03/2010
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Álcool cai nas usinas, mas não nos postos

Apesar de acumular seis quedas consecutivas nas usinas do Estado, o preço do álcool combustível continua o mesmo nos postos de Ribeirão. Ontem o preço nos estabelecimentos oscilava entre R$ 1,79 e R$ 1,89.

Ontem, o Cepea, da Esalq/ USP, registrou queda de 8,65% no preço do litro do etanol hidratado -utilizado nos veículos bicombustíveis-, que passou a ser vendido a R$ 0,993 (sem impostos), ante o R$ 1,09 cobrado na semana anterior.

Para o vice-presidente da Brascombustíveis (Associação Brasileira do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos), Renê Abbad, as principais distribuidoras estão aproveitando as quedas atuais para aumentar as margens de lucro e compensar os preços baixos cobrados no final de janeiro, quando o álcool chegou a custar R$ 1,59 na bomba.

"Elas [distribuidoras] trabalharam com margens muito pequenas naquele momento e agora repõem esse prejuízo."

Segundo ele, desde a semana que antecedeu o Carnaval o valor pago pelo produto nas distribuidoras é o mesmo, entre R$ 1,44 e R$ 1,58.

Para o diretor regional da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Sérgio Prado, as sucessivas quedas nas usinas são resultado do movimento de migração para a gasolina, no caso dos donos de carro flex. "O consumo vem caindo e isso pressiona naturalmente o preço para baixo", disse.

O administrador Daniel Cazam Favaretto, 28, tem um Palio que consome, semanalmente, um tanque de combustível. Há 15 dias ele resolveu abastecer apenas com gasolina. "O rendimento aumentou bastante, o suficiente para compensar mais que o álcool. Só vou voltar a usar álcool quando a diferença entre os combustíveis for de R$ 0,30", diz o administrador.

Foi o mesmo que fez a empresária Mônica Barrico, dona de um Vectra, que na semana passada completou, pela terceira vez em um mês, o tanque do carro com gasolina. "Até então eu só havia usado álcool no carro, mas o preço alto me fez optar pela gasolina."

Já a funcionária pública Vilma Sueli Pereira abasteceu com álcool, mas afirmou que da próxima vez vai usar gasolina. "Como estou acostumada abastecer com álcool resolvi usar mais uma vez esse combustível, mas se o preço continuar assim, da próxima vez, vou ter de mudar para a gasolina", afirmou Pereira.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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