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22/01/2010
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A DIVERSIFICAÇÃO DE SÃO PAULO - João de Almeida Sampaio Filho

Para o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, João de Almeida Sampaio Filho, a diversificação tem garantido a São Paulo participação marcante no valor da agropecuária nacional – 20%- e nas exportações do setor – 25%. Também é um dos fatores que faz da região de Barretos a primeira do Estado na geração de renda.

Segundo ele, apesar de a cana ocupar 5 milhões de hectares ou 25% da área ocupada com culturas no Estado, ainda há espaço para avanços, sobretudo em áreas que podem ser aproveitadas, principalmente na recuperação de pastagens e no consórcio cana com pecuária. No entanto, ele acredita que o ritmo de crescimento será menor.

Por e-mail, o secretário também falou sobre seguro rural, contrato de opção, perspectivas para 2010 e o desafio de aumentar a renda do produtor de cana. Abaixo, a íntegra da entrevista.

Cristiane Barão

Canavieiros - São Paulo foi pioneiro na subvenção do seguro rural. Qual a abrangência do programa paulista?

João Sampaio - O projeto de subvenção ao prêmio do seguro rural foi criado pioneiramente em 2004 e no ano passado, batemos os recordes de pagamentos e participações de produtores rurais paulistas. No ciclo agrícola de julho de 2007 a julho de 2008 foram 2.717 subvenções pagas totalizando R$ 2,63 milhões. Com ampliação dos beneficiários participantes e agilidade no processo de recebimento de 50% do prêmio pago direto ao produtor, o segundo semestre de 2008 totalizou 5.013 subvenções com valor de R$ 7 milhões pagos ao agricultor. O crescimento gradual da participação é reflexo de algumas alterações como a modificação no enquadramento dos beneficiários, que se limitavam a pequenos e médios produtores com renda anual de até R$ 400 mil, para um limite de subvenção de até R$ 24 mil por produtor independente da sua renda agropecuária no ano. A segunda alteração é que, ao invés do produtor pagar integralmente o prêmio, ele paga somente 50% e o governo do Estado repassa às seguradoras os 50% restantes. Além disso, o agricultor pode se beneficiar também da subvenção de 50% do projeto do governo Federal, implementado em 2006, cabendo dessa forma ao produtor paulista o pagamento de 25% do prêmio total.

Canavieiros - No âmbito federal, a área segurada não chega a 10% do total com culturas. Por que o programa não avança?

Sampaio - Há duas explicações básicas: falta de recursos do governo Federal para o seguro rural e, portanto para a subvenção, o que acaba resultando num seguro muito caro. E a outra é que o produtor brasileiro não tem a cultura de fazer seguro. Necessitamos torná-lo mais popular, reduzindo seu custo, e disseminarmos a idéia de que qualquer agricultura competitiva precisa estar segurada. Também no passado, tivemos experiências mal sucedidas de pagamento de seguro, então, o produtor fica desconfiado.

Canavieiros - Há pouco tempo o senhor disse que o governo estuda a implantação do contrato de opção. Como esse mecanismo vai funcionar? Há previsão para a implantação?

Sampaio - Trata-se de um projeto inédito no país que oferecerá subsídio (subvenção) aos produtores que queiram assegurar o preço da sua safra por meio de mecanismos oferecidos no mercado financeiro. O chamado Projeto de Seguro de Renda, numa parceria com o Banco do Brasil, deve entrar em funcionamento em 2010. O projeto visa subsidiar parte das operações que serão realizadas via mercado futuro, com base nas cotações BM&F/Bovespa para milho, soja, café e boi. O produtor poderá exercer a opção de venda no momento em que os preços de mercado estiverem em um patamar satisfatório. O produtor exerce a opção e depois a entrega fisicamente. Para isso, o prêmio pago pelo contrato será subvencionado. A intenção do governo do Estado é subvencionar 50% do prêmio pago nos contratos para exercer o direito da opção. A partir do momento em que ele adquire o direito de exercer a opção, ele já está protegido, se o preço cair, ele exerce a opção de venda, se os preços subirem até o vencimento do contrato, ele entrega a mercadoria com a valorização adquirida. O ônus fica apenas com os custos do pagamento do prêmio e esses serão bancados 50% pelo governo do Estado.

Canavieiros - A cana ocupa hoje 5,46 milhões de hectares em São Paulo. Há cinco anos, ocupava 3 milhões/ha. Há espaço para a cultura avançar ainda?

Sampaio - A cana cresceu nos últimos anos em cima das áreas de pastagens degradadas, particularmente na região oeste do Estado. O ritmo de crescimento foi forte, não acredito que teremos este mesmo patamar de expansão, mas ainda temos áreas que podem ser aproveitadas, principalmente na recuperação de pastagens e no consórcio cana com pecuária, como já tem sido feito com os confinamentos na região nordeste do Estado.

Canavieiros - O levantamento do IEA, divulgado em novembro, mostra que houve redução da área plantada em regiões tradicionais, como Araraquara (-17,4%), Limeira (-10,9%) e Barretos (-10,3%), enquanto que novos plantios são marcantes em regiões como Sorocaba e Bragança Paulista. Essa é uma tendência?

Sampaio - Ainda não podemos afirmar que é uma tendência, mesmo porque o levantamento do IEA foi feito num momento estratégico e é a primeira vez que se aponta isso na estimativa de safra. Algumas novas unidades estão sendo instaladas e isso acaba refletindo no plantio de cana em áreas específicas.

Canavieiros - O setor sucroenergético tem crescido, enquanto a renda do produtor de matéria-prima está na direção oposta. Na opinião do senhor, o que é preciso fazer para elevar a renda?

Sampaio - Equilibrar os custos. Essa é uma forma de assegurar mais renda ao produtor. Outra é melhorar as condições de preços nos produtos finais, a cadeia precisa buscar o equilíbrio. Mas o setor possui fóruns de discussão que permitem uma melhor relação.

Canavieiros- A região de Barretos é a que apresenta a maior renda do Estado. Isso é atribuído a que fatores?

Sampaio - Barretos é uma região diversificada, temos ali várias culturas convivendo ou ainda totalmente integradas. Barretos possui grandes áreas de cana, mas também cultivo de laranja, assim como crescimento de áreas de seringueira, sem contar parte dos grãos, que servem na reforma dos canaviais. E a característica que se tem tornado marcante em áreas de pecuária com o crescimento da cana. Há uma integração das duas atividades, tanto que o número de confinamentos e semi confinamentos utilizando cana para alimentação animal aumentou na região. Esta diversidade faz com que a renda agrícola da região seja a maior. Eu sempre digo que o produtor não pode focar somente em uma atividade, ele tem que ter várias opções para não perecer completamente nas crises de um ou outro produto.

Frase em destaque

“Equilibrar os custos. Essa é uma forma de assegurar mais renda ao produtor”

Canavieiros - É possível traçar as perspectivas para o agronegócio em 2010?

Sampaio - Pelos primeiros números que apuramos do setor do agronegócio paulista em 2009, diante do quadro pessimista que tínhamos depois de outubro de 2008, no auge da crise econômica, 2009 apresentou-se de forma razoável. Alguns produtos obtiveram bons preços internacionais como é o caso do açúcar e também na área de madeiras. No setor de grãos, o quadro foi totalmente desfavorável e no Brasil, o mais grave, tem sido o câmbio que, para a cafeicultura e citricultura, tem sido penoso. Para 2010, sou otimista, o processo de recuperação está em andamento e devemos ter um quadro melhor para carnes, sucroalcooleiro e grãos. Agora, o câmbio vai continuar achatando a renda dos produtores, se não houver alteração neste quadro.

Canavieiros - E para as próximas décadas? Quais serão os desafios?

Sampaio - O desafio da sustentabilidade na agricultura brasileira está na nossa pauta, não há como fugir. O mercado comprador e a sociedade nos cobram e teremos que nos adequar. Por isso, são importantes as discussões em torno da legislação ambiental, sobre o uso de adubação química, procedência e certificação dos produtos. O Brasil terá que encarar estes e outros desafios que se colocam nas próximas décadas. Claro que temos ainda que considerar a infraestrutura logística deficiente, a política de crédito agrícola defasada e a falta de seguro rural. Apesar de competitivo, temos ainda muitos obstáculos a serem superados.

Frase em destaque

“O desafio da sustentabilidade na agricultura brasileira está na nossa pauta, não há como fugir. O mercado comprador e a sociedade nos cobram e teremos que nos adequar”

Canavieiros - Qual a participação de São Paulo na produção agropecuária nacional e nas exportações?

Sampaio - No valor da produção agropecuária e florestal respondemos por quase 20% do valor total do país, devemos atingir em 2009 , cerca de R$ 40 bilhões. Nas exportações, também respondemos por 25% das exportações do setor no país. São Paulo tem um papel importante como corredor de exportação de grande parte dos produtos e mais: temos um mercado consumidor imenso e necessário para manter equilíbrio entre oferta e demanda dos produtos agrícolas brasileiros.

Canavieiros- Qual a participação das culturas na área plantada do Estado: grãos, florestas plantadas, pastagens, laranja e café?

Sampaio - Hoje, a cana de açúcar ocupa mais de 25% da área total cultivada com 5 milhões de hectares, as florestas plantadas chegam a 1 milhão de hectares e as pastagens em torno de 9 milhões de hectares. Laranja permanece com área estável em torno de 670 mil hectares, com uma migração de pomares para a região sul do Estado, enquanto que o café também permanece com 230 mil hectares. São Paulo não é tradicionalmente um produtor de grãos, mas chegamos a mais de 2,5 milhões de hectares cultivados anualmente. Também somos grandes produtores de flores, frutas, borracha natural, assim como na produção de ovos e carne de frango, portanto com uma cesta diversificada de produtos. Creio que isso seja a nossa principal marca e vantagem produtiva.

Sampaio - Hoje, a cana de açúcar ocupa mais de 25% da área total cultivada com 5 milhões de hectares, as florestas plantadas chegam a 1 milhão de hectares e as pastagens em torno de 9 milhões de hectares. Laranja permanece com área estável em torno de 670 mil hectares, com uma migração de pomares para a região sul do Estado, enquanto que o café também permanece com 230 mil hectares. São Paulo não é tradicionalmente um produtor de grãos, mas chegamos a mais de 2,5 milhões de hectares cultivados anualmente. Também somos grandes produtores de flores, frutas, borracha natural, assim como na produção de ovos e carne de frango, portanto com uma cesta diversificada de produtos. Creio que isso seja a nossa principal marca e vantagem produtiva.

 

Fonte: Revista Canavieiros

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