| 22/01/2010 | |
VIRANDO A PÁGINA - José Mario Paro* |
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Quando esta revista estiver chegando às mãos de seus leitores, a maioria das usinas e destilarias do Centro-Sul do país terá parado suas máquinas, o que não significa dizer que toda a cana terá sido colhida. Fala-se que restarão 50 milhões de toneladas no campo, por excesso de chuvas e/ou manutenção deficiente das indústrias.
Tenho lido que cerca de 50 unidades não interromperão suas atividades, emendando a presente safra à próxima. Seriam indústrias que começaram a safra tarde, com muita cana a colher e pouco dinheiro no banco, necessitando fazer caixa.
Além da ocorrência de chuvas acima das médias históricas e das conseqüências da falta de manutenção em várias unidades, outros fatos impactantes estão transformando a safra 2009/10 em uma safra histórica, justificando a velha máxima: “cada safra é uma safra”.
Inquestionavelmente, a inevitável consolidação do setor tem sido traumatizante, pois levou de roldão usinas como a Santa Elisa, Vale do Rosário, Da Barra, Nova América, para ficar naquelas que melhor representaram uma era que não mais voltará.
É então oportuno que, neste ponto, eu complete o título desta coluna: de “VIRANDO A PÁGINA...” para “VIRANDO A PÁGINA DO CALENDÁRIO”, pois a página desta safra levará tempo para ser virada.
E quanto a nós, produtores, que estamos carregando o insucesso das safras 07/08 e 08/09 e sentindo a safra 09/10 não corresponder plenamente às expectativas? Teremos tempo para respirar?
Considero essa a grande pergunta a ser respondida no momento e, para isso, precisaremos de três boas safras seguidas: 09/10, 10/11 e 11/12: 1 – Safra 09/10: foi uma safra de alto custo. Cortamos, carregamos e transportamos muita cana e pouco açúcar e as horas paradas penalizaram a todos. Somente em outubro passado o preço do kg do ATR chegou a R$ 0.3102 (média do Estado), não se confirmando a esperada recuperação mais rápida dos preços. Mesmo fechando a R$ 0.33/kg/ATR, número esperado, é bom não esquecer que está prevista uma quantidade média de 9 kg de ATR a menos do que no período passado, que já não foi tão bom neste aspecto. E mesmo os possíveis R$ 0.33/kg/ATR corresponderão a somente 85% do valor da safra 06/07, descontada a inflação do período.
Os preços do açúcar e do álcool aparentemente já alcançaram seu pico e temos ainda o efeito do câmbio, a prejudicar toda a cadeia do agronegócio, sem falar na inadimplência que boa parte de nós está amargando, por falta de pagamento de algumas indústrias.
2 - Safra 10/11: parece prometer bem: - boas produtividades agrícolas em grande parte devido à ocorrência das chuvas que ora tanto nos incomodam; - maiores possibilidades de o clima comportar-se dentro das médias históricas, permitindo a recuperação do teor de ATR; - provável permanência de preços mais regulares e em bons níveis.
O câmbio possivelmente continuará sendo um fator baixista.
3 – Safra 11/12: muitas perguntas e poucas respostas. Continuará faltando açúcar no mundo? E o álcool, como será o mercado interno? Vamos, enfim, exportar mais? E o pré-sal? E os preços do petróleo?
Em que resultará o forte “lobby” político que se espera ser articulado pelos grandes grupos que estão sendo formados?
Quem estará no governo? Qual será sua política para o agronegócio e, em especial, para a cana? E o açúcar e o álcool? E quanto aos juros e ao câmbio a partir do segundo semestre de 2010?
Ensinava o saudoso Prof. Mario Henrique Simonsen, economista emérito e ex-ministro da Fazenda: “os juros aleijam e o câmbio mata”.
Outros sábios nos falaram (e continuam nos falando) de outras verdades: “ não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe”. Ou ainda: “uma regra de ouro do bem viver é não sofrer por antecipação”.
E assim vou chegando ao final deste texto, em que meu propósito foi trazer à tona algumas questões nas quais nós, produtores, devemos refletir. Não sem antes desejar a todos nós um Feliz Natal e, é claro, três ótimos anos-safras: este e os dois próximos.
*diretor adjunto da Canaoeste |
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Fonte: Revista Canavieiros |
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