| 22/12/2009 | |
ALERTA: FERRUGEM ALARANJADA CHEGA AOS CANAVIAIS PAULISTAS |
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Gustavo de Almeida Nogueira Gerente do Departamento Técnico da Canaoeste
A ferrugem alaranjada é uma doença antiga da cana-de-açúcar, que estava presente apenas nos países do sudeste da Ásia e Oceania, sem nenhum impacto econômico. Porém, passou a causar alguns danos em outros lugares. A partir do ano 2000, chegou aos canaviais da Austrália. E em julho de 2007, no continente americano, constatada primeiramente na Flórida (EUA) e, em setembro, na Guatemala e países vizinhos.
Agora, quem deve ficar em estado de alerta são os produtores de cana-de-açúcar brasileiros, já que foi constatada a ocorrência da doença na região de Araraquara – SP . Quem fez o alerta ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi o consultor e fitopatologista de cana-de-açúcar, Dr.Álvaro Sanguino. A prova de identificação de que realmente se tratava deste fungo foi realizada pelos pesquisadores da CanaVialis - empresa do Grupo Monsanto – que, por meio de exames laboratoriais, fizeram o seqüenciamento genético do DNA deste patógeno.
Ainda não é possível prever o nível de dano que será causado às variedades que apresentam a doença, pois a virulência da ferrugem alaranjada é uma interação da mesma com meio ambiente e também com a própria constituição genética das variedades. Por isso, é importante o acompanhamento do desenvolvimento da doença para futuros plantios e avaliação da intensidade dos danos que serão causados ao setor sucroenergético nacional.
A ferrugem alaranjada pode ter sido trazida ao Brasil por correntes de ar, por aves migratórias ou até mesmo por aeronaves com rotas internacionais. Não se descarta também a possibilidade desta doença ter vindo em calçados e vestimentas de pessoas que estiveram nas regiões onde a ferrugem alaranjada é endêmica.
Sobre a doença
Dois tipos de ferrugem atacam a cana-de-açúcar, ambos causados por um fungo do gênero Puccinia: a ferrugem marrom, causada por Puccinia melanocephala, e a ferrugem alaranjada, causada por Puccinia kuehnii. A primeira é conhecida de todos nós e chegou ao Brasil em 1986, após oito anos de sua chegada aos países do Caribe e da América Central, vinda da África por correntes aéreas. As espécies são distintas, mas uma característica é comum a elas: os minúsculos esporos desses fungos se disseminam muito facilmente pelas correntes aéreas. Por isso o alerta em relação à “ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar”: será que a história se repetirá?
Quando a ferrugem marrom chegou ao país, tínhamos conhecimento da reação de diversas variedades e clones nacionais em razão do intercâmbio de material que mantínhamos com diversos países e também porque possuíamos testes de campo no exterior. Mas foi somente depois da chegada da doença que o real efeito nas variedades pôde ser conhecido e a substituição das suscetíveis foi realizada. Graças aos ativos programas de melhoramento genético, a substituição pôde ser feita com relativa velocidade e tranqüilidade, ainda que com perdas.
Atualmente, o Brasil possui mais do que o dobro de área de cana do que possuía em 1986. Sabemos que pelo menos uma das variedades mais plantadas – a RB72454 – é suscetível. Há possibilidade de outras também serem suscetíveis. Se isso ocorrer, o prejuízo poderá ser maior. Na conta do prejuízo, entretanto, outros fatores devem ser levados em conta. Hoje temos uma diversidade maior de variedades do que naquela época, e elas são melhores, graças aos ativos programas de melhoramento.
Como a única maneira econômica para o controle das ferrugens é o uso de variedades resistentes, é importante se prevenir com uma boa diversidade de variedades nos canaviais, e, principalmente, nos viveiros. Nas lavouras comerciais, é recomendável que não se tenha mais do que 20% da área total com uma única variedade. Além disso, novas variedades devem estar sendo sempre avaliadas e validadas quanto ao seu valor e risco. Uma vez aprovadas num processo criteriosamente seguro, deve-se seguir com a multiplicação segundo as normas recomendadas em programas de mudas sadias. Aqueles que tiverem um programa de mudas sadias, com uma boa diversificação de variedades, serão os que menos sofrerão o impacto da nova doença.
Além dos procedimentos acima, para que essa doença seja cada vez mais controlada, tome os seguintes cuidados se participar de qualquer evento na região canavieira dos EUA continental ou da Guatemala – ou mesmo outro país dessa região – principalmente se visitar canaviais:
1. Não recomendamos curiosidade em ver os sintomas da ferrugem alaranjada. Para um leigo eles não têm diferença marcante com os da ferrugem comum. Não vale o risco tentar ver detalhes do sintoma ou dos esporos, pois estes podem impregnar as suas vestimentas ou seu corpo. Portanto, evite ao máximo visitar campos de cana-de-açúcar infectados pela doença.
2. Ao fim de qualquer dia, ao retornar ao hotel, mesmo que não tenha visto a ferrugem alaranjada, separe as vestes usadas e as coloque em um saco de plástico na hora do banho. Limpe bem os sapatos. Repita isto todos os dias que for ao campo.
3. Mantenha uma roupa limpa separada para o retorno ao Brasil. Embale todas as roupas usadas numa mala e somente depois tome banho e se vista com as limpas.
4. Ao chegar de retorno, abra as malas apenas em sua casa e imediatamente envie as roupas para lavagem. Providencie também a limpeza das malas. Por fim, tome um banho caprichado.
Fonte: CanaVialis - www.canavialis.com.br Revista Canavieiros - www.revistacanavieiros.com.br Revista Canavieiros - www.revistacanavieiros.com.br |
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Fonte: Revista Canavieiros - Canavialis |
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