atendimento@revistacanavieiros.com.br (16) 3946-3300

A casa do etanol de milho

30/01/2020 Etanol POR: Marino Guerra
A casa do etanol de milho A tendência é que o estado do Mato Grosso assuma o protagonismo na produção de etanol de milho

Conheça o perfil da fabricação do biocombustível no maior produtor do grão no Brasil

Um novo polo produtor de etanol vem surgindo no Centro-Oeste brasileiro. Com o avanço da tecnologia de produção do biocombustível a partir do milho e a perspectiva cada vez mais concreta de ganho de mercado, já é possível ver o setor ganhar corpo e projetar um horizonte bastante próspero.

Pelo menos foi o desenho feito pelo presidente do Sindálcool (Sindicado das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado do Mato Grosso), Sílvio Rangel, durante a sua participação na Conferência Datagro 2019.

Hoje, o Estado tem em atividade 12 unidades industriais, sendo sete que utilizam apenas cana- de-açúcar como matéria-prima, duas alimentadas somente por milho, e três flex, que produzem etanol a partir das duas fontes.

As duas empresas que utilizam 100% do grão estão localizadas na região conhecida como médio-norte do Estado (uma em Lucas do Rio Verde e a outra em Sinop), a maior produtora de milho da unidade federativa com cerca de 13 milhões de toneladas na safra 18/19. Para se ter ideia da magnitude, sua produção é superior a de qualquer outro estado brasileiro, exceto o Paraná, que possui a segunda maior lavoura brasileira.

Já as flex estão espalhadas pela região Centro-Sul do Estado, sendo elas: Libra Etanol, que fica também no médio norte, no município de São José do Rio Claro; Usina Porto Seguro, localizada na região sudeste, na cidade de Jaciara e a Destilaria Usimat, instalada na parte oeste, em Campos de Júlio.

Trazendo aos cálculos a informação de que com uma tonelada de milho é possível obter 420 litros de etanol, 300 kg de DDG e ainda 18 litros de óleo, ao considerar que no atual período foi destinado às unidades 4,5 milhões de toneladas, o Mato Grosso tem um potencial de produção, somente considerando o grão como matéria-prima, de 1,8 bilhão de litros, superando a produção do Paraná.

E esse valor deve aumentar, pois o líder setorial informou a entrada de mais cinco unidades até 2021, fazendo com que a produção de etanol seja cada vez mais expressiva, ainda mais considerando que a demanda deva dobrar enquanto a oferta da matéria-prima, neste curto prazo de tempo, será numa velocidade bem menor, fazendo com que o biocombustível tenha grandes chances de representar um terço do que será colhido nos campos em até duas safras.

Fato este que cumprirá com uma das principais razões do desenvolvimento desse mercado: a necessidade de verticalização da produção primária, ao industrializar e consumir em grande parte a matéria-prima dentro das fronteiras do próprio Estado e regiões vizinhas.

No entanto, para tudo isto acontecer, Rangel destacou cinco desafios que vão desde a confirmação da retomada do crescimento econômico, o planejamento tributário adaptado à nova cadeia produtiva, o investimento logístico para abastecimento (principalmente olhando o mercado dos estados do Norte), a preparação de áreas para o fornecimento de biomassa (com o objetivo de gerar energia) e o início operacional bem-sucedido do RenovaBio.

Assim, ele conclui que através do aproveitamento da matéria-prima que é abundante no Estado, será gerada uma produção constante de etanol e DDG, sem entressafras, o que acarretará num desenvolvimento regional intenso e configurará uma realidade integrada no campo, aumentando áreas com floresta e ganho de eficiência (cabeças por hectare) na pecuária.

Sílvio Rangel, do Sindálcool-MT, apresentou o enorme apetite do Mato Grosso em produzir etanol de milho