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A importância de conhecer os fatores que afetam a eficiência dos herbicidas

15/05/2020 Colunista POR: Edição 166 Abril 2020

Roberto Toledo é eng. agrônomo, PhD e gerente de Produtos Herbicidas da Ourofino Agrociência,

Edson Mattos é eng. agrônomo, Msc e gerente de Pesquisa Agrícola da Ourofino Agrociência,

Ana Paula Bonilha é eng. agrônoma, Msc e especialista de Desenvolvimento de Produtos e Mercados Cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência,

Bárbara Marcasso Copetti é eng. agrônoma e especialista de Desenvolvimento de Produtos e Mercado Cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência.

A utilização de agroquímicos no manejo é uma ferramenta importante para garantir uma alta produtividade e longevidade dos canaviais. No setor sucroenergético, existem vários fatores que afetam a produtividade e aumentam os custos no campo. O impacto das plantas daninhas e o manejo inadequado são responsáveis por perdas significativas de até 80% da cultura, sendo imprescindível o seu manejo.

A aplicação de herbicidas é um dos fatores principais para a eficiência no manejo de plantas daninhas, de forma econômica e assertiva. Com as soluções de amplo espectro de controle e a excelente qualidade das formulações nacionais disponíveis no mercado, quando bem utilizadas, especialmente no período de pré-emergência (exemplos: tebutiurom, sulfentrazone, diurom + clomazone, clomazone, ametrina, metribuzim e outras), é possível facilitar muito o trabalho das usinas e dos fornecedores de cana-de-açúcar, aumentando o rendimento operacional e melhorando a logística e a consistência dos resultados de controle.

No dia a dia, para utilização dos herbicidas, é recomendado observar algumas características para otimizar a eficiência desses produtos. É importante ter conhecimento da matologia presente na área, época de aplicação, tipo de solo, o estágio de desenvolvimento da cultura e das plantas daninhas, as características físico-química dos herbicidas, a dose, a tecnologia de aplicação a ser utilizada e os fatores ambientais durante e após a aplicação dos herbicidas. Quando uma ou mais condições mencionadas não são analisadas, a eficácia do manejo adotado pode ser comprometida.

Dominar esses conhecimentos possibilitará ao profissional entender os conceitos básicos da dinâmica do herbicida na palha, no solo e na planta, bem como a interação destes fatores, possibilitando assim definir as soluções mais aptas ao manejo das plantas daninhas para cada situação, criando uma maior possibilidade de utilizar os herbicidas de forma assertiva e proporcionando bons níveis de produtividade.

Após a escolha dos herbicidas, levando em consideração todos os fatores acima, durante o preparo de caldas, o profissional também deverá se atentar aos seguintes pontos fundamentais:

Qualidade da água: a acidez e alcalinidade representadas pelo pH podem alterar a eficiência da aplicação à medida que modificam a disponibilidade do herbicida na calda de pulverização. Elevados teores de argila e/ou de materiais orgânicos podem reduzir a disponibilidade do herbicida e a vida útil das pontas de pulverização. Outra característica a ser levada em conta é a dureza da água, que está relacionada a presença de altos teores de bicarbonatos, sulfatos, cloretos e nitratos de cálcio e magnésio, bem como uma série de sais dissolvidos. Íons, como Fe+3 e Al+3, podem reagir com o herbicida e reduzir sua eficácia;

Sequência de associações de produtos: a ordem de adição dos produtos no tanque também precisa ser respeitada para não causar problemas na calda de pulverização, proporcionar a homogeneização efetiva e evitar problema de incompatibilidade do produto durante esse preparo no tanque ou, até mesmo, durante e após a aplicação. Também é importante que o sistema tenha uma agitação constante para evitar uma deposição de produto no fundo do tanque e, consequentemente, uma menor quantidade de ingrediente ativo aplicado no campo;

Tecnologia de aplicação: de nada adiantará fazer um preparo de calda correto se o equipamento a ser utilizado estiver com algum problema. Por isso, é preciso verificar se o filtro de sucção está limpo, se as mangueiras não estão furadas ou dobradas, se os componentes do regulador de pressão não estão gastos ou presos por eventuais sujeiras, se a bomba está lubrificada e não apresenta vazamentos, se as pontas de pulverização são do mesmo tipo e se não estão danificadas ou desgastadas e se os filtros utilizados em todo o sistema são adequados para a aplicação. Depois de observar essas questões na máquina, é necessário calibrar o equipamento para definir a quantidade de produto a ser aplicado e para que os bicos trabalhem na mesma vazão e atinjam o alvo igualmente.

Diante desses fatores, o engenheiro-agrônomo terá maior possibilidade de sucesso quanto ao posicionamento do herbicida na cultura da cana-de-açúcar. Além disso, conseguirá utilizar de forma assertiva os recursos financeiros empreendidos na produção.