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A influência do clima sobre a safra de cana no Centro-Sul

04/10/2013 Cana-de-Açúcar POR: Universoagro
Dados apurados pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) comprovam que o índice de precipitação pluviométrica para a região Centro-Sul produtora de cana registrou valor significativamente elevado em maio e junho. Foi de 106,70 milímetros em maio e 102,60 milímetros em junho desse ano, volumes superiores a média histórica em 64,15% e 150,24%, respectivamente. Essa condição alterou a evolução natural de maturação de algumas variedades, que voltaram a vegetar em um período do ano normalmente seco, e provocou um atraso significativo no ritmo de moagem nesse período.
Segundo análise divulgada em relatório da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), essas alterações promovidas no cronograma de colheita também prejudicam a produtividade agrícola das áreas colhidas antecipadamente. Contudo, a retração na oferta de cana-de-açúcar nessas regiões não foi suficiente para reduzir a moagem total esperada para o Centro-Sul, pois houve um aumento significativo da produtividade nas áreas colhidas até o momento, decorrente do canavial mais jovem e da melhor condição climática observada na maior parte das lavouras.
As informações do CTC mostram que no acumulado desde o início da safra até setembro deste ano, o rendimento agrícola médio da área colhida na região Centro-Sul do País estava 10,28% superior aquele observado no mesmo período da safra passada: 83,7 toneladas por hectare este ano, contra 75,9 toneladas por hectare em 2012/2013.
Para a Unica, a estimativa é de que a produtividade agrícola ao final da safra 2013/2014 não fique aquém das cerca de 80 toneladas por hectare estimadas em abril deste ano, mesmo considerando que nos últimos meses de colheita geralmente se observa uma retração neste indicador devido ao corte de áreas mais velhas.
"Portanto, como já havia sido previsto no início do ano, a variável que irá determinar o tamanho da moagem nesta safra será o aproveitamento de moagem e não a produtividade", afirma o relatório da Unica.
O diretor Técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, ressalta que "essa nova estimativa de safra considera um clima mais próximo da normalidade até o final do ano, com chuvas mais intensas em outubro. Entretanto, dependendo das condições climáticas nos próximos três meses, podemos ter uma moagem próxima de 580 milhões de toneladas no caso de um clima mais chuvoso ou, em uma situação mais seca e menos provável, um volume processado superior a 587,00 milhões de toneladas de cana, já que a quantidade de cana disponível para colheita é ligeiramente superior a 600 milhões de toneladas".
Padua afirma que as condições climáticas determinarão o volume de cana-de-açúcar que não poderá ser colhido e ficará no campo para ser processado no próximo ano. A revisão de safra anunciada pela Unica e outros sindicatos e associações do Centro-Sul, no início da semana, indica uma moagem de 587,00 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, retração de 0,44% em relação a projeção divulgada em abril deste ano (589,60 milhões de toneladas) e aumento de 10,18% no comparativo com o volume de cana processada na safra passada (532,76 milhões de toneladas).
Mato Grosso do Sul
Nos diferentes estados do Centro-Sul, as consequências do clima sobre a safra canavieira são evidentes. As geadas que atingiram o Mato Grosso do Sul este ano trouxeram sérias perdas ao setor sucroenergético, comprometendo tanto a safra em curso (2013/2014), como a próxima (2014/2015), segundo o presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda Filho.
Conforme a primeira estimativa, Mato Grosso do Sul deveria moer 18,3% a mais de cana-de-açúcar se comparado a safra 2012/2013, podendo processar cerca de 44,1 milhões de toneladas de cana.
Entretanto, com a chuva no início da safra e as geadas de julho e agosto, Biosul apresenta novos números. Após reavaliação de safra chegou-se à estimativa de 40,3 milhões de toneladas de cana, ainda assim um aumento de 8% se comparado a safra anterior.
Além da perda em cana a ser processada, os reflexos do clima na safra aparecem também na menor qualidade da matéria-prima. A avaliação da Biosul é que o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) médio da safra caia 10 quilos, para 127 quilos/toneladas, o que equivaleria a mais de 3,5 milhões de toneladas de cana. Esses números correspondem a 17% de perda no valor da produção no setor sucroenergético na safra atual, um prejuízo de mais de 600 milhões de reais.
Minas Gerais
Já em Minas Gerais, os clima tem sido camarada com os produtores. Se as chuvas nos próximos meses não impactarem a colheita, espera-se um crescimento de 16% na produção em relação à safra anterior. Segundo levantamento da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG), se o clima continuar ajudando nesta reta final da safra, a moagem mineira deve ficar em 60 milhões de toneladas, três milhões a mais do que a previsão inicial de 57 milhões de toneladas feita no início de maio. Na safra passada, o estado processou 51,7 milhões de toneladas.
De acordo com o economista e Secretário Executivo da entidade, Mário Campos, os fatores para o aumento da produtividade agrícola são o clima adequado, a renovação do canavial, além do aumento de área plantada, ocorrido, principalmente, nas empresas que implantaram usinas nos últimos anos.
De acordo com um levantamento do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), até agosto, a produtividade dos canaviais em Minas Gerais alcançaram 88 toneladas por hectare, cerca de 13% de crescimento sobre as 78 toneladas verificadas no mesmo período no ano passado. Como comparativo, para o Centro-Sul a produtividade média acumulada até agosto foi de 83,7 tc / ha (10,3% de crescimento).
Porém, se as chuvas ajudaram na maior produtividade do canavial, impactou a sacarose (açúcar da cana). O açúcar total recuperável por tonelada de cana (ATR/tC) se mostra menor em 2,9% do que a previsão inicial ou 134 quilos/tc, está também mais baixo em relação a safra passada que ficou em 135 quilos/tc. "Quando chove a tendência é ampliar a produtividade canavial, mas reduzir o teor de açúcar da cana" explica Mário Campos.
Clivonei Roberto