Açúcar: Quanto maior a produção, melhores estão os preços

05/10/2020 Açúcar POR: Marino Guerra

Conjuntura faz com que valor do adoçante se mantenha firme mesmo com elevada produção no Brasil

Na última sexta-feira a bolsa de Nova York registrou a entrega de 2,62 milhões de toneladas de açúcar bruto, recorde num dos principais mercados futuros globais do adoçante.

A entrega do produto para a bolsa significa que não há demanda suficiente de consumidores finais (indústria de doces e refrigerantes), como por exemplo a CFCO, trading chinesa, que enviou em setembro 1,25 milhões de toneladas, sinal claro que a empresa não teve demanda suficiente em seu país.

Esse alto volume também é explicado pela alta produção na safra 20/21 do Centro-Sul brasileiro, que, segundo o relatório de andamento de safra publicado pela Unica, até o final da primeira quinzena de setembro, já havia elevado sua produção em quase 50% em relação a igual período no ciclo agrícola de 2019.

Numa análise superficial, a queda na demanda e aumento de oferta deveria estar causando baixa na cotação da commodity, contudo o efeito é inverso, desde as primeiras horas de sexta-feira (2) parece que o preço conseguiu ultrapassar a barreira dos US$ 13,50 centavos de dólar por libra-preço, ganhando fôlego numa tendência de alta que já vem desde o dia 14 de setembro, quando foi vencida uma fase baixista com quase um mês de duração.

Analistas de mercado apontam que a lógica inversa acontece porque operadores preferem arcar com os custos de armazenamento levando em consideração em primeiro lugar como está se encaminhando o final da safra 20/21 do Centro-Sul do Brasil, a qual, em decorrência da forte estiagem de fim de inverno e começo de primavera deverá ser encerrada mais cedo, e ainda influenciará na maturação ideal do canavial, principalmente num recorte dos primeiros meses da temporada 21/22, ou seja, a tendência é que no Brasil se fique um bom intervalo de tempo com a produção muito baixa ou até mesmo parada.

Fator que, aliado a queda na produção europeia e possíveis efeitos do La Niña na Índia e Indonésia, chancelam a estratégia, contudo, como todas as commodities do mundo, a instabilidade mundial (Covid e eleições norte-americanas) podem jogar tudo por terra.