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Amendoim em Herculândia: safra poderia ter sido top, mas não foi de todo mal

23/05/2019 Geral POR: Revista Canavieiros
Por: Marino Guerra
 
A safra de amendoim na região de Herculândia, Sul do Estado, poderia ter sido histórica. Como mostrada por essa publicação no início do ciclo, a brotação das sementes fornecidas pela Copercana, aliada com as chuvas de outubro e novembro,criou um ambiente extremamente favorável para a cultura se desenvolver.
Porém, como em todo o Estado, nos meses de dezembro, janeiro e início de fevereiro, a chuva se tornou picada e rala, derrubando o vigor inicial das plantas e jogando para baixo a sonhada produtividade recorde.
 
Ao visitar a roça do produtor Clodoaldo Farias, que fica no município de Rancharia-SP, deu para enxergar com clareza o que poderia ter rendido nessa safra se no verão tivesse caído um pouco mais de água. No entanto, campos fortemente afetados pela estiagem foram o resultado obtido.
 
Antes de entrarmos nos números da safra, é preciso entender a dinâmica de trabalho do produtor.  A cada ciclo, ele arrenda áreas de reforma de pasto e com isso, os 620 alqueires plantados nesse ano são picados em diversas roças diferentes.
Em verões como o último, onde as raras chuvas foram dispersas, o produtor teve áreas com precipitações necessárias no período para a cultura demonstrar a fartura que seria se a estiagem não tivesse aparecido. Um exemplo é uma área de 28 alqueires, onde foi possível  colher 682 sacos por alqueire.

Por outro lado, Farias relata que em outra área, a menos de um quilômetro de distância daquela com fartura, faltou chuva e a produtividade foi de 200 sacas por alqueire.
No cálculo geral, ele considera que em cerca de 280 alqueires conseguiu uma produtividade acima se comparada com a do ano passado, que foi,aproximadamente, 540 sacas por alqueire. Sendo assim, é fácil concluir que os 340 alqueires deixaram a desejar, o que reduziu sua produtividade para uma média de 490 sacas por alqueire. Vale lembrar que durante a apuração dessa reportagem, Farias ainda tinha uma pequena área a ser colhida com expectativa de produção, pelo menos, dentro da média.

Diante disso, o produtor conclui que a decepção de uma safra que iniciou empolgante é grande, mas pondera ao dizer que eventos como esse fazem parte da vida do agricultor, que é preciso estar preparado e ser rápido para reduzir ao máximo as surpresas do clima.
Ao visitar uma das áreas deu para entender em uma imagem toda a sua decepção. Era um campo verde imenso e, dependendo do ângulo que se olhava, era possível enxergar linhas de amendoim recém-brotadas. Nelas, tratores ziguezagueavam soltando sementes de braquiária com calcário. Aquilo era tiguera do amendoim, provando que pelo menos metade do que a planta produziu ficou debaixo da terra. Dando números a essa imagem, onde eram para ser colhida mais de 600 sacas por alqueire, foram colhidas pouco mais de 300.

Mesmo perante essa decepção, os números do produtor deverão se destacar na contagem final da safra tanto na questão da produtividade, que deverá estar acima da média da região, mas também por conseguir manter alta a porcentagem de qualidade do grão, perto dos 75%, considerado A perante a tabela de qualidade da Copercana.

Dentro do seu manejo, a principal estratégia é o plantio em linha dupla. Nessa temporada, Farias fez uma experiência onde também plantou em linha simples, intercalando com a outra, para ver o desempenho de ambas.
 
Segundo ele, o resultado é próximo de 80 sacas por alqueire a mais para a linha dupla. Com essa constatação, o produtor analisa que a única vantagem de se plantar em apenas uma linha é a pulverização pegar a planta por inteiro, especialmente nos baixeiros. Porém, como é religioso na operação, com chuva ou com sol, a cada 12 dias no máximo,o produtor entra com fungicida. Vale lembrar que esse fator não inviabiliza a estratégia das duas linhas para a sua roça.
 
O produtor também falou sobre outras técnicas que implantou ao longo do ciclo para se adaptar às condições climáticas atípicas. No período de falta de água, por exemplo, ele entrou com o acaricida a cada duas aplicações.

No processo de colheita, quando o tempo inverteu e a chuva apareceu, para não manter o amendoim virado muito tempo, Farias adotou uma estratégia interessante. “Nessa colheita teve uma noite que choveu 40 mm. De manhã eu entrei com a levantadora de leira (implemento que descola a planta do chão)e à tarde já estava batendo. Fez até poeira e não empaçocou, a umidade estava em cerca de 20%. Dessa forma, não fico mais de três dias sem colher”, explica.

Mesmo com certa frustração, o produtor já se prepara para o próximo ciclo, onde tem boa parte de suas áreas definidas e planeja começar os trabalhos em julho, com as operações de preparo de solo.