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Aumento dos custos de produção e falta de regras claras emperram desenvolvimento da agroindústria,

04/03/2015 Cana-de-Açúcar POR: Andréia Vital
“A agroindústria canavieira precisa de políticas públicas e incentivos para retomar seu crescimento de forma estruturada; acesso ao crédito para investimentos em logística, bioeletricidade e infraestrutura, desenvolvimento de novas tecnologias, entre outras pautas”, afirma Leila Alencar Monteiro de Souza, diretora-presidente da Biocana (Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia). 
Leila foi a primeira mulher a presidir uma entidade representativa da cadeia sucroenergética e já contabiliza três mandatos na associação, que acaba de completar duas décadas. 
Para ela, somente com união de esforços e equilíbrio poderá ser retomado o caminho da competitividade do setor sucroenergético. Confira entrevista completa: 
Canavieiros: Qual é a missão da Biocana? 
Leila Monteiro: A Biocana - Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia está sediada em Catanduva, Noroeste de São Paulo e reúne grandes players da agroindústria canavieira. Entre as principais diretrizes da Biocana está o trabalho voltado à profissionalização, capacitação de pessoas e propostas para resolver entraves jurídicos, técnicos e de logística, além de ações efetivas para cumprir a extensa agenda de responsabilidade socioambiental, comunicação com a comunidade e fortalecimento de toda a cadeia produtiva.
Canavieiros: Em 2014, a Biocana completou 20 anos. Neste período, quais foram as principais contribuições que a entidade proporcionou ao setor sucroenergético, na sua opinião? 
Leila Monteiro: A Biocana trabalha para buscar soluções e promover o desenvolvimento sustentável do setor sucroenergético. A associação sempre figurou entre as mais atuantes entidades de classe do segmento no País, sendo que nos últimos anos passou por um realinhamento estratégico.  
A associação age estratégica e politicamente em questões que são relevantes para o setor, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.  A Biocana também promove seminários de atualização técnica com especialistas para o corpo gerencial das usinas; realiza cursos e treinamentos de capacitação para os colaboradores das empresas e atua visando ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva. Tem um forte viés de atuação em projetos ambientais, sociais e educacionais, pilares de sustentação das atividades desenvolvidas ao longo destas últimas duas décadas. A entidade tem como meta a busca por soluções corporativas através de programas que abrangem as comunidades onde as usinas estão inseridas. Exemplo disso é o Programa “Valorizando a Diversidade”, voltado para a inclusão social. Realizado em parceria com o Senai de Itu-SP, o trabalho promove qualificação para as pessoas com deficiência facilitando o processo de preenchimento de cotas. 
A Biocana também incentiva projetos que formam jovens profissionais para atuar na agroindústria, em parceria com outras entidades e prefeituras do Noroeste paulista. É o caso do Programa Jovem Agricultor do Futuro. A iniciativa que está em seu sétimo ano de realização já formou mais de 400 jovens com idades entre 14 e 18 anos (incompletos), filhos de colaboradores de usinas associadas e também da comunidade. Muitos deles já trabalham em usinas.
Outra iniciativa pioneira é o curso MTA (Master of Technology Administration) em Gestão da Produção Industrial Sucroenergética, especialização ministrada em Catanduva através da parceria com a Universidade Federal de São Carlos. No Noroeste paulista, três turmas já concluíram o MTA e a quarta está em andamento. 
Canavieiros: Como avalia o ano de 2014 para o setor sucroenergético? 
Leila Monteiro: O setor sucroenergético tem passado por grandes transformações, sobretudo nos últimos anos. Produzir, de forma sustentável, de forma especial neste ano, tornou-se um imenso desafio. Entraves como o aumento de custos de produção, tributos e falta de políticas públicas, entre outros, acabam por dificultar a aceleração do desenvolvimento da agroindústria canavieira.
O recente cenário econômico adverso ocasionou o fechamento de dezenas de usinas provocando uma completa desestruturação da cadeia produtiva. O empresariado do setor, que tanto desenvolvimento gerou em milhares de municípios, hoje se vê diante do desgosto de ter que promover demissões em massa em razão das dificuldades financeiras enfrentadas. Reflexos que se estendem ainda às empresas fornecedoras de peças, equipamentos e também nos municípios de diversas regiões que, na maioria das vezes, tem nas usinas  o fomento das atividades. Outra grande dificuldade que marcou o ano de 2014 foi a instabilidade climática com longos períodos de seca; como consequência, os produtores tiveram que amargar uma expressiva queda no rendimento das lavouras. 
Não bastasse a falta de chuva, o setor também teve que enfrentar outro grave problema: a ocorrência de incêndios criminosos e acidentais. Nessas circunstâncias, o fogo se alastrou rapidamente, devastando grandes propriedades e trazendo prejuízos, tanto ambientais quanto financeiros, pois plantas em início da fase de crescimento foram destruídas e áreas inteiras tiveram que ser recuperadas para novo plantio. Fato lamentável já que muitas destas propriedades atingidas são arrendadas por empresas ou mesmo por pequenos produtores que dependem da atividade canavieira. Um grande esforço para conter o problema foi empreendido com o apoio da polícia ambiental, corpo de bombeiros e dos profissionais das usinas que se articularam de forma estratégica. As empresas também fizeram investimentos e aumentaram a frota de caminhões-pipas, disponíveis 24 horas por dia. Em 2015, o trabalho terá continuidade. 
Canavieiros: Mas teve algum desenvolvimento no segmento?  
Leila Monteiro: Em meio ao turbilhão de dificuldades enfrentadas durante esta safra, 2014 trouxe também avanços; destaco aqui  a revisão do Anexo VIII (Vibração) da NR-15 (Insalubridade). Depois de um intenso trabalho coordenado inicialmente pela Biocana em parceria com o GMEC (Grupo de Motomecanização) e apoio de outras entidades setoriais, a Portaria com os novos parâmetros relacionados à exposição à vibração no corpo humano foi publicada. O novo texto estabelece os limites de tolerância e níveis de ação de maneira clara e a metodologia de medição estabelecida na NHO-09 (corpo inteiro) e NHO-10 (mão e braço) Norma de Higiene Ocupacional, da Fundacentro. Em suma, esta alteração significou o estabelecimento de parâmetros claros para medição, adotando a metodologia da Fundacentro, NHO, que se aproxima da Diretiva Europeia, fixando como níveis de ação 0,5 m/s² e limite de tolerância 1,1 m/s² para vibração de corpo inteiro, limites estes compatíveis com a realidade dos equipamentos; ou seja, máquinas e veículos novos ou em bom estado de conservação, com seus equipamentos originais de fábrica e em operações usuais, dificilmente ultrapassam o limite de tolerância. Isto porque os caminhões, tratores e colhedoras modernas têm banco com amortecimento pneumático e são projetados e fabricados para absorver todas as vibrações do equipamento. Uma alteração significativa que soou como um alento nesta safra.
O setor também teve outros recentes avanços significativos alcançados através de esforço político e estratégico. Um deles foi a elevação do teto da mistura de álcool anidro à gasolina dos atuais 25% para 27,5%, aprovada pelo Congresso Nacional e que se transformou na Lei 13.033, depois de sanção da Presidência da República. Em fase de regulamentação pelo governo, o aumento da mistura adicionará ao mercado 1,3 bilhão de litros de etanol, o que deve provocar um impacto altamente positivo não apenas no setor sucroenergético, mas também ao meio ambiente e consumidores. A desoneração do PIS/COFINS até então incidente sobre a produção da cana-de-açúcar foi outro avanço importante neste cenário.
Canavieiros: Na sua análise, o que deve ser feito para que o cenário melhore para o setor?
Leila Monteiro: É fundamental a necessidade de um diálogo permanente com os governantes do país para barrar os entraves que interferem no crescimento deste setor que é fundamentalmente essencial para o Brasil e para o mundo. A agroindústria canavieira precisa de políticas públicas e incentivos para retomar seu crescimento de forma estruturada; acesso ao crédito para investimentos em logística, bioeletricidade e infraestrutura, desenvolvimento de novas tecnologias, entre outras pautas. É urgente ainda que se faça uma completa revisão da política tributária, com diferenciação para este setor que produz energia limpa, renovável, com ganhos para a economia, meio ambiente, com responsabilidade socioambiental, geração de empregos, desenvolvimento e renda para as comunidades. Somente com união de esforços e equilíbrio poderá ser retomado o caminho da competitividade.  
Canavieiros: Quais são suas expectativas para a agroindústria da cana-de-açúcar em 2015?
Leila Monteiro: Um enorme esforço tem sido feito pelas empresas para superar as dificuldades e entraves setoriais. Voltar para o trilho do crescimento está exigindo um controle excessivo de custos em todas as áreas e reestruturação orçamentária e de investimentos. Em 2015, a cadeia produtiva do etanol aguarda definições de projetos que tramitam no Congresso Nacional como a regulamentação do ressarcimento e compensação dos créditos de PIS/Cofins das indústrias sucroenergéticas; desoneração de pagamento, com redução da alíquota do INSS incidente sobre a receita da produção de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade, para 1%; estímulos aos ganhos de eficiência técnica no Inovar-Auto; política tributária para resgatar a competitividade do etanol; leilões regionalizados ou por fonte de energia, retomada da Cide da gasolina, entre outros. 
Certamente, a classe política voltará o olhar para este setor que é fundamentalmente essencial para o Brasil e para o mundo. E isso precisa ser urgente. A demanda mundial por fontes de energia renovável é crescente. De maneira sustentável o setor sucroenergético pode dar sua expressiva contribuição.
Canavieiros: Há uma percepção de que é necessário melhorar a comunicação do setor sucroenergético com a sociedade, visto que a população não tem noção das externalidades do segmento. O que a senhora tem a dizer sobre este fato?   
Leila Monteiro: Entendo que, se compararmos com outros períodos, apesar das dificuldades, o momento vivido hoje é diferente. Existe uma preocupação maior das empresas em se manterem mais próximas da sociedade como um todo. O setor passou a se comunicar melhor com a sociedade e a demonstrar com transparência os benefícios proporcionados pela indústria da cana-de-açúcar - geração de empregos, renda, impostos e investimento constante no desenvolvimento de pessoas, dentre outros. A inovação tem sido constante, principalmente na produção de combustível e geração de energia. E o Brasil dá exemplo neste campo com uma produção cada vez mais limpa, renovável e sustentável o que abre perspectivas reais para combater o aquecimento global.  
É fácil observar as mudanças principalmente nos hábitos das pessoas. Felizmente, muitas estão cientes de que é preciso preservar nossos recursos naturais, manter as boas práticas, adotar medidas e métodos para reaproveitar, reduzir e reciclar o que é possível. A indústria sucroenergética, neste quesito, tem feito sua parte ao conciliar produção com sustentabilidade.
Canavieiros: A senhora foi a primeira mulher a presidir uma entidade representativa de indústrias sucroenergéticas e já está no seu terceiro mandato. Qual balanço faz da sua trajetória e quais seus planos até o final da sua administração?  
Leila Monteiro: Tenho um trabalho muito dinâmico. Presidir uma entidade que tem em sua trajetória a defesa incansável de seus representados, por si só, remete a um patamar de grande responsabilidade. Assumi este desafio com enorme honra e satisfação. Afinal, tenho a missão de representar empresários de um dos setores de grande destaque da economia brasileira com presença crescente nas áreas de alimentação, combustíveis e bioenergia, aos quais  eu agradeço o crédito em meu trabalho. A Biocana tem como base de sustentação a defesa dos interesses de seus associados (empresas do setor sucroenergético), seja nos campos institucional, social ou ambiental. Ao longo de sua existência, a entidade jamais transgrediu com o papel que lhe é reservado. Consolidou um espaço de atuação no setor e também junto à comunidade. Tem trabalhado efetivamente para que as empresas possam prosperar e gerar oportunidades de trabalho e renda, receitas e impostos, de forma a garantir os indicadores econômicos e sociais. Expandimos nossos próprios limites e ocupamos frentes diversificadas.
Então, quando se assume um compromisso desta magnitude, é preciso pensar e agir de forma estratégica. Participo de reuniões com diretores e gestores das usinas, lideranças, empresários de diversos segmentos, autoridades e com a comunidade para me inteirar de cenários e dar o devido retorno, seja para a equipe interna, para nossos associados, parceiros e sociedade de uma maneira geral. É um trabalho gratificante no qual obtivemos conquistas significativas.
Dentro do planejamento estratégico da associação o trabalho terá continuidade através de uma nova dinâmica em função do cenário político e macroeconômico. Espero que a agroindústria canavieira possa passar esse estágio rapidamente e emergir o quanto antes. Acredito no potencial e na visão daqueles que com muito trabalho e fé ajudam a construir um futuro sustentável para esta e as futuras gerações. 
“A agroindústria canavieira precisa de políticas públicas e incentivos para retomar seu crescimento de forma estruturada; acesso ao crédito para investimentos em logística, bioeletricidade e infraestrutura, desenvolvimento de novas tecnologias, entre outras pautas”, afirma Leila Alencar Monteiro de Souza, diretora-presidente da Biocana (Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia). 
Leila foi a primeira mulher a presidir uma entidade representativa da cadeia sucroenergética e já contabiliza três mandatos na associação, que acaba de completar duas décadas. 
Para ela, somente com união de esforços e equilíbrio poderá ser retomado o caminho da competitividade do setor sucroenergético. Confira entrevista completa: 
Canavieiros: Qual é a missão da Biocana? 
Leila Monteiro: A Biocana - Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia está sediada em Catanduva, Noroeste de São Paulo e reúne grandes players da agroindústria canavieira. Entre as principais diretrizes da Biocana está o trabalho voltado à profissionalização, capacitação de pessoas e propostas para resolver entraves jurídicos, técnicos e de logística, além de ações efetivas para cumprir a extensa agenda de responsabilidade socioambiental, comunicação com a comunidade e fortalecimento de toda a cadeia produtiva.
Canavieiros: Em 2014, a Biocana completou 20 anos. Neste período, quais foram as principais contribuições que a entidade proporcionou ao setor sucroenergético, na sua opinião? 
Leila Monteiro: A Biocana trabalha para buscar soluções e promover o desenvolvimento sustentável do setor sucroenergético. A associação sempre figurou entre as mais atuantes entidades de classe do segmento no País, sendo que nos últimos anos passou por um realinhamento estratégico.  
A associação age estratégica e politicamente em questões que são relevantes para o setor, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.  A Biocana também promove seminários de atualização técnica com especialistas para o corpo gerencial das usinas; realiza cursos e treinamentos de capacitação para os colaboradores das empresas e atua visando ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva. Tem um forte viés de atuação em projetos ambientais, sociais e educacionais, pilares de sustentação das atividades desenvolvidas ao longo destas últimas duas décadas. A entidade tem como meta a busca por soluções corporativas através de programas que abrangem as comunidades onde as usinas estão inseridas. Exemplo disso é o Programa “Valorizando a Diversidade”, voltado para a inclusão social. Realizado em parceria com o Senai de Itu-SP, o trabalho promove qualificação para as pessoas com deficiência facilitando o processo de preenchimento de cotas. 
A Biocana também incentiva projetos que formam jovens profissionais para atuar na agroindústria, em parceria com outras entidades e prefeituras do Noroeste paulista. É o caso do Programa Jovem Agricultor do Futuro. A iniciativa que está em seu sétimo ano de realização já formou mais de 400 jovens com idades entre 14 e 18 anos (incompletos), filhos de colaboradores de usinas associadas e também da comunidade. Muitos deles já trabalham em usinas.
Outra iniciativa pioneira é o curso MTA (Master of Technology Administration) em Gestão da Produção Industrial Sucroenergética, especialização ministrada em Catanduva através da parceria com a Universidade Federal de São Carlos. No Noroeste paulista, três turmas já concluíram o MTA e a quarta está em andamento. 
Canavieiros: Como avalia o ano de 2014 para o setor sucroenergético? 
Leila Monteiro: O setor sucroenergético tem passado por grandes transformações, sobretudo nos últimos anos. Produzir, de forma sustentável, de forma especial neste ano, tornou-se um imenso desafio. Entraves como o aumento de custos de produção, tributos e falta de políticas públicas, entre outros, acabam por dificultar a aceleração do desenvolvimento da agroindústria canavieira.
O recente cenário econômico adverso ocasionou o fechamento de dezenas de usinas provocando uma completa desestruturação da cadeia produtiva. O empresariado do setor, que tanto desenvolvimento gerou em milhares de municípios, hoje se vê diante do desgosto de ter que promover demissões em massa em razão das dificuldades financeiras enfrentadas. Reflexos que se estendem ainda às empresas fornecedoras de peças, equipamentos e também nos municípios de diversas regiões que, na maioria das vezes, tem nas usinas  o fomento das atividades. Outra grande dificuldade que marcou o ano de 2014 foi a instabilidade climática com longos períodos de seca; como consequência, os produtores tiveram que amargar uma expressiva queda no rendimento das lavouras. 
Não bastasse a falta de chuva, o setor também teve que enfrentar outro grave problema: a ocorrência de incêndios criminosos e acidentais. Nessas circunstâncias, o fogo se alastrou rapidamente, devastando grandes propriedades e trazendo prejuízos, tanto ambientais quanto financeiros, pois plantas em início da fase de crescimento foram destruídas e áreas inteiras tiveram que ser recuperadas para novo plantio. Fato lamentável já que muitas destas propriedades atingidas são arrendadas por empresas ou mesmo por pequenos produtores que dependem da atividade canavieira. Um grande esforço para conter o problema foi empreendido com o apoio da polícia ambiental, corpo de bombeiros e dos profissionais das usinas que se articularam de forma estratégica. As empresas também fizeram investimentos e aumentaram a frota de caminhões-pipas, disponíveis 24 horas por dia. Em 2015, o trabalho terá continuidade. 
Canavieiros: Mas teve algum desenvolvimento no segmento?  
Leila Monteiro: Em meio ao turbilhão de dificuldades enfrentadas durante esta safra, 2014 trouxe também avanços; destaco aqui  a revisão do Anexo VIII (Vibração) da NR-15 (Insalubridade). Depois de um intenso trabalho coordenado inicialmente pela Biocana em parceria com o GMEC (Grupo de Motomecanização) e apoio de outras entidades setoriais, a Portaria com os novos parâmetros relacionados à exposição à vibração no corpo humano foi publicada. O novo texto estabelece os limites de tolerância e níveis de ação de maneira clara e a metodologia de medição estabelecida na NHO-09 (corpo inteiro) e NHO-10 (mão e braço) Norma de Higiene Ocupacional, da Fundacentro. Em suma, esta alteração significou o estabelecimento de parâmetros claros para medição, adotando a metodologia da Fundacentro, NHO, que se aproxima da Diretiva Europeia, fixando como níveis de ação 0,5 m/s² e limite de tolerância 1,1 m/s² para vibração de corpo inteiro, limites estes compatíveis com a realidade dos equipamentos; ou seja, máquinas e veículos novos ou em bom estado de conservação, com seus equipamentos originais de fábrica e em operações usuais, dificilmente ultrapassam o limite de tolerância. Isto porque os caminhões, tratores e colhedoras modernas têm banco com amortecimento pneumático e são projetados e fabricados para absorver todas as vibrações do equipamento. Uma alteração significativa que soou como um alento nesta safra.
O setor também teve outros recentes avanços significativos alcançados através de esforço político e estratégico. Um deles foi a elevação do teto da mistura de álcool anidro à gasolina dos atuais 25% para 27,5%, aprovada pelo Congresso Nacional e que se transformou na Lei 13.033, depois de sanção da Presidência da República. Em fase de regulamentação pelo governo, o aumento da mistura adicionará ao mercado 1,3 bilhão de litros de etanol, o que deve provocar um impacto altamente positivo não apenas no setor sucroenergético, mas também ao meio ambiente e consumidores. A desoneração do PIS/COFINS até então incidente sobre a produção da cana-de-açúcar foi outro avanço importante neste cenário.
Canavieiros: Na sua análise, o que deve ser feito para que o cenário melhore para o setor?
Leila Monteiro: É fundamental a necessidade de um diálogo permanente com os governantes do país para barrar os entraves que interferem no crescimento deste setor que é fundamentalmente essencial para o Brasil e para o mundo. A agroindústria canavieira precisa de políticas públicas e incentivos para retomar seu crescimento de forma estruturada; acesso ao crédito para investimentos em logística, bioeletricidade e infraestrutura, desenvolvimento de novas tecnologias, entre outras pautas. É urgente ainda que se faça uma completa revisão da política tributária, com diferenciação para este setor que produz energia limpa, renovável, com ganhos para a economia, meio ambiente, com responsabilidade socioambiental, geração de empregos, desenvolvimento e renda para as comunidades. Somente com união de esforços e equilíbrio poderá ser retomado o caminho da competitividade.  
Canavieiros: Quais são suas expectativas para a agroindústria da cana-de-açúcar em 2015?
Leila Monteiro: Um enorme esforço tem sido feito pelas empresas para superar as dificuldades e entraves setoriais. Voltar para o trilho do crescimento está exigindo um controle excessivo de custos em todas as áreas e reestruturação orçamentária e de investimentos. Em 2015, a cadeia produtiva do etanol aguarda definições de projetos que tramitam no Congresso Nacional como a regulamentação do ressarcimento e compensação dos créditos de PIS/Cofins das indústrias sucroenergéticas; desoneração de pagamento, com redução da alíquota do INSS incidente sobre a receita da produção de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade, para 1%; estímulos aos ganhos de eficiência técnica no Inovar-Auto; política tributária para resgatar a competitividade do etanol; leilões regionalizados ou por fonte de energia, retomada da Cide da gasolina, entre outros. 
Certamente, a classe política voltará o olhar para este setor que é fundamentalmente essencial para o Brasil e para o mundo. E isso precisa ser urgente. A demanda mundial por fontes de energia renovável é crescente. De maneira sustentável o setor sucroenergético pode dar sua expressiva contribuição.
Canavieiros: Há uma percepção de que é necessário melhorar a comunicação do setor sucroenergético com a sociedade, visto que a população não tem noção das externalidades do segmento. O que a senhora tem a dizer sobre este fato?   
Leila Monteiro: Entendo que, se compararmos com outros períodos, apesar das dificuldades, o momento vivido hoje é diferente. Existe uma preocupação maior das empresas em se manterem mais próximas da sociedade como um todo. O setor passou a se comunicar melhor com a sociedade e a demonstrar com transparência os benefícios proporcionados pela indústria da cana-de-açúcar - geração de empregos, renda, impostos e investimento constante no desenvolvimento de pessoas, dentre outros. A inovação tem sido constante, principalmente na produção de combustível e geração de energia. E o Brasil dá exemplo neste campo com uma produção cada vez mais limpa, renovável e sustentável o que abre perspectivas reais para combater o aquecimento global.  
É fácil observar as mudanças principalmente nos hábitos das pessoas. Felizmente, muitas estão cientes de que é preciso preservar nossos recursos naturais, manter as boas práticas, adotar medidas e métodos para reaproveitar, reduzir e reciclar o que é possível. A indústria sucroenergética, neste quesito, tem feito sua parte ao conciliar produção com sustentabilidade.
Canavieiros: A senhora foi a primeira mulher a presidir uma entidade representativa de indústrias sucroenergéticas e já está no seu terceiro mandato. Qual balanço faz da sua trajetória e quais seus planos até o final da sua administração?  
Leila Monteiro: Tenho um trabalho muito dinâmico. Presidir uma entidade que tem em sua trajetória a defesa incansável de seus representados, por si só, remete a um patamar de grande responsabilidade. Assumi este desafio com enorme honra e satisfação. Afinal, tenho a missão de representar empresários de um dos setores de grande destaque da economia brasileira com presença crescente nas áreas de alimentação, combustíveis e bioenergia, aos quais  eu agradeço o crédito em meu trabalho. A Biocana tem como base de sustentação a defesa dos interesses de seus associados (empresas do setor sucroenergético), seja nos campos institucional, social ou ambiental. Ao longo de sua existência, a entidade jamais transgrediu com o papel que lhe é reservado. Consolidou um espaço de atuação no setor e também junto à comunidade. Tem trabalhado efetivamente para que as empresas possam prosperar e gerar oportunidades de trabalho e renda, receitas e impostos, de forma a garantir os indicadores econômicos e sociais. Expandimos nossos próprios limites e ocupamos frentes diversificadas.
Então, quando se assume um compromisso desta magnitude, é preciso pensar e agir de forma estratégica. Participo de reuniões com diretores e gestores das usinas, lideranças, empresários de diversos segmentos, autoridades e com a comunidade para me inteirar de cenários e dar o devido retorno, seja para a equipe interna, para nossos associados, parceiros e sociedade de uma maneira geral. É um trabalho gratificante no qual obtivemos conquistas significativas.
Dentro do planejamento estratégico da associação o trabalho terá continuidade através de uma nova dinâmica em função do cenário político e macroeconômico. Espero que a agroindústria canavieira possa passar esse estágio rapidamente e emergir o quanto antes. Acredito no potencial e na visão daqueles que com muito trabalho e fé ajudam a construir um futuro sustentável para esta e as futuras gerações.