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Boas fontes de nitrogênio e enxofre

Cana-de-Açúcar POR: Diana Nascimento

Quantidade, época e formas de aplicação são essenciais para elevar as produtividades e maximizar a produção dos canaviais

Dando continuidade à programação de lives do Agronegócios Copercana - edição on-line, a Union Agro e o professor do curso de Ciências Agrárias da FZEA/USP (Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo), Pedro Henrique de Cerqueira Luz, abordaram sobre o manejo da adubação de nitrogênio e enxofre para altas produtividades.

"Quando falamos em nutrição, o sistema utilizado para o manejo da adubação consiste em conhecer a fertilidade do solo, as áreas e o nutriente em questão, com exceção do nitrogênio, pois a variabilidade de seu teor no solo está muito ligada à matéria orgânica", explicou Luz.

Via de regra, deve-se aplicar o nutriente para atingir a extração desejada pela cultura e também em termos de correção para elevar o padrão de fertilidade das áreas. "Se estiver acima do nível crítico para o nutriente, a estratégia é a extração. Se o teor no solo estiver satisfatório, parte-se para a exportação. Mas para fazer somente a exportação, é necessário um nível adequado do nutriente no solo", completa o professor.

Ele comenta que pode-se avaliar o status nutricional da planta através da diagnose foliar. "Esta, por sua vez, deve respeitar uma faixa de suficiência do nutriente para a cana-de-açúcar. No caso do nitrogênio, de acordo com os métodos de DRIS (entre 12,6 a 15,2) e CN (de 14,5), os teores seriam entre 15 a 20g/k. Já no enxofre, a faixa adequada é de 1,5 a 3 g/k", enumera. Isso implica em uma relação foliar de N/S da ordem de 10 a 15 vezes mais N do que S na folha de cana.

Na estratégia de manejo da nutrição e adubação em cana, o enxofre pode ser trabalhado nas práticas corretivas (calagem, gessagem e fosfatagem) embutido nos fertilizantes, enquanto que o nitrogênio está contido nos fertilizantes, quer seja para cana planta ou cana soca.

Outro ponto mencionado por Luz é que o enxofre pode entrar no solo através de restos vegetais da cultura, fertilizantes minerais, atmosfera, tempestade e raio, resíduos animais (cama de frango) e biosólidos. Já no solo, o enxofre pode ser oferecido na forma elementar, enxofre orgânico que deve ser mineralizado na forma de sulfato para as plantas absorverem o nutriente. A saída do enxofre se dá, principalmente, pela colheita e lixiviação.

Recentemente a indústria vem gerando fertilizantes com macronutrientes solúveis que podem conter enxofre, graças à tecnologia de revestimento de grânulos com o nutriente.

"Um que encaixa bem no perfil do setor canavieiro é o enxofre elementar pastilhado, uma opção que já existe há alguns anos. O enxofre é misturado com a bentonita, que ao adquirir umidade possui alta capacidade de expansão, aumentando a superfície das partículas do enxofre elementar, fundamental para que os micro-organismos possam fazer o processo de oxidação do nutriente, transformarem-se em sulfato e assim serem absorvidos pela planta.

Com base em alguns aspectos, são realizadas as recomendações de manejo de enxofre para a cultura da cana. No preparo de solo e plantio pode ser trabalhada a gessagem, nas soqueiras após o primeiro corte pode ser utilizado o enxofre pastilhado, após o segundo corte pode ser com gesso, após o terceiro corte com enxofre pastilhado e, após o quarto corte com o gesso, ou seja, alternando o pastilhado com o gesso.

Nitrogênio

O ciclo de nitrogênio no solo tem seus inputs relacionados às questões orgânicas (adubação verde através de leguminosa com fixação simbiótica de N), por meio de resíduos orgânicos e de fertilizantes. Suas principais perdas estão na lixiviação do nitrato e volatização da amônia.

Como referência, Luz diz que está sendo trabalhado o Novo Boletim 100 do IAC, que sugere as doses de N com base nas faixas de produtividade. Analisando a tabela, verifica-se que o valor médio do fator de dose para o N em kg/t é de 1,1 nas soqueiras de cana-de-açúcar.

"Uma sugestão é fazer o manejo racional do N via solo, dado os potenciais produtivos e as condições climáticas que a cana está submetida, sendo fator 1,1 a 1,2 kgN/t em época precoce, 1,0 kgN/t nas médias e entre 0,8 a 0,9 kgN/t nas tardias", aponta.

De acordo com Luz, o N é um dos elementos mais polêmicos em cana-de-açúcar e a sua eficiência via solo é baixa, sendo apenas 26%, enquanto a volatização responde por 19% e a mobilização microbiana por 32%. "Isso remete ao parcelamento via solo e via folha, sendo que via folha é mais eficiente. As fontes para isso seriam os fertilizantes nitrogenados convencionais (ureia, sulfato de amônio, nitrato de amônio), as ureias com inibidores de urease e os produtos de liberação prolongada", aconselha.

Segundo um estudo de Trivellin, 50% do N aplicado por ureia é absorvido após uma hora da aplicação e 70% é absorvido após cinco dias de adubação. A maior eficiência do N via foliar pode ser notada na relação prática: 1,0 kg de N via foliar equivale entre 4 a 5 kg de N via solo. Com isso, a estratégia de fornecimento de N em soqueira é de 60 a 70% via solo e 30 a 40% via foliar, sendo a dose máxima por aplicação de 10 kgN/ha.

Tecnologia disponível para os cooperados

O gerente de vendas da Union Agro, Maurício Reginato, aproveitou a oportunidade para destacar a linha da empresa para o manejo de nitrogênio e enxofre para altas produtividades.

Entre os produtos disponíveis para os cooperados está o NutryNitromax II. "Em uma usina da região de Sertãozinho, foi realizado um trabalho para elevar a produtividade e o nível de nitrogênio com o tratamento de 20 l/ha, o que resultou em controle efetivo, rápido fechamento e eficiência com ganho em herbicida, sanidade e maior prolongamento de entrenós", descreveu Reginato.

O executivo salienta que mesmo com dosagens menores (15 l/ha e 10 l/ha) do que a recomendada, que é de 20 l/ha, são obtidos bons resultados.

"Para a aplicação de enxofre, há a linha NutryGran, um produto pastilhado de liberação gradual que possui 90% de S e 10% de bentonita. Entre os seus principais benefícios estão a redução de pH em superfície e menor perda por lixiviação quando comparado com as demais fontes do nutriente", elenca Reginato.