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Campinas terá unidade pioneira de etanol

25/09/2012 Cana-de-Açúcar POR: Bolsa Valores
Campinas terá a primeira planta de testes para a produção de álcool fabricado a partir da palha e do bagaço da cana-de-açúcar do Hemisfério Sul. A unidade da empresa GraalBio entrará em operação em oito meses e vai realizar experiências com novos compostos químicos que possam melhorar o processo de síntese de celulose para a fabricação do etanol. O chamado etanol 2G (segunda geração) tem um custo de fabricação 20% menor do que o produzido nas usinas tradicionais, por aproveitar a biomassa da cana, enquanto na produção comum, a maior parte deste material acaba virando resíduo.
A GraalBio investe US$ 10 milhões no projeto, que surge num momento em que a indústria da cana passa por crise e diz ter fechado 41 usinas nos últimos quatro anos em decorrência da perda de competitividade com a gasolina. A planta piloto terá a finalidade de ditar os moldes da futura usina de etanol 2G que será inaugurada pela GraalBio em Alagoas até dezembro de 2013. A empresa foi constituída recentemente e decidiu apostar alto no investimento. Com recursos do BNDES, serão aplicados R$ 300 milhões (US$ 150 milhões) na primeira fábrica, e a expectativa é que outras quatro unidades sejam implantadas até 2017, com uma produção que pode chegar a 1 bilhão de litros até 2020.
De acordo com o vice presidente executivo da GraalBio, Alan Hiltner, a situação no Brasil é bem favorável para a produção do etanol a partir da celulose originária da cana. Ele afirma que os custos com as enzimas que realizam a síntese de celulose caíram 80% nos últimos 10 anos, e a palha da cana se aproveita em 50% de sua totalidade para a produção do etanol, enquanto a palha do milho gira entre 12% a 15%. Além disso, cerca de 20% do bagaço da cana também é matéria- prima para a produção de etanol com o uso da tecnologia 2G.
Para ampliar a capacidade produtiva de etanol de segunda geração, a empresa vai investir na abertura de novos canaviais, só que com uma diferença: a cana energia. Diferente da cana comum, que produz uma grande quantidade de sacarose e pouca biomassa, a cana energia possui mais palha e mais fibras. Com isso, a cana energia é capaz de fornecer 70 toneladas de celulose por hectare, enquanto a cana comum, apenas 40. A GraalBio pretende também procurar os produtores que tenham interesse em vender o bagaço de cana e a palha que sobra nos canaviais, e acaba sendo incinerado.
Unidade será instalada no Techno Park
O professor Gonçalo Guimarães Pereira trabalha no Laboratório de Genômica e Expressão da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordena a instalação da planta piloto da fábrica de etanol 2G. Ele conta que a unidade da empresa, que vai testar novos organismos geneticamente modificados para a síntese de celulose, vai trabalhar com até 50 pessoas e também irá realizar experiências para a obtenção, não só de etanol a partir da celulose, mas também de outros materiais sintéticos. A unidade, que ganhará o nome de Biocélere, terá um laboratório e manterá a planta piloto, que ficará no Techno Park, localizado na Rodovia Anhanguera.