Cana-de-Açúcar: quem vê cara não vê coração

14/06/2013 Cana-de-Açúcar POR: Exame.com
A notícia: “ O entrevistado do TV Brasilagro desta semana é o mestre e doutor em agronomia Luiz Carlos Tasso Junior, também diretor da Associação dos Plantadores de Cana da Região Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste). Ele também é autor de vários livros técnicos. Na entrevista ele revela que os produtores de cana não suportam mais a situação provocada pela falta de políticas públicas do governo federal. ’Nunca passamos por uma crise como esta e, o que é pior, não há nenhum sinal de mudança. O desânimo provocado pelos preços que sequer remuneram a produção e também a inadimplência de usinas está acabando com a nossa atividade’, desabafa. Tasso Junior revela também que nos últimos meses os produtores de cana tiveram perda de cerca de 25% da sua renda. ‘Pela Canaoeste realizamos já 11 reuniões nas várias regiões de abrangência territorial e o discurso é um só: não dá mais para suportar!’ “. (Fonte: portal BrasilAgro)
O comentário: As atenções sobre o setor canavieiro concentram-se fortemente no lado industrial e exportador. Como será o mix de açúcar e etanol nesta safra? Qual é o impacto da alteração cambial nas margens de remuneração do setor? Como está reagindo o segmento do ponto de vista financeiro após as mudanças no preço da gasolina e a volta dos 25% de mistura de álcool anidro? A concentração no setor vai continuar a ocorrer ou já atingimos um ponto de consolidação? Como estão as usinas de porte médio após tantas safras de resultados bastante difíceis?
No entanto, ninguém de fora olha para o lado agrícola, o que afeta o produtor da cana-de-açúcar em si. Isto ocorre por dois motivos:
1) até há pouco tempo atrás as indústrias detinham grande parte da produção agrícola para atender importante percentual de suas necessidades. Quem é do setor usava até um ditado dizendo que “o usineiro é um produtor agrícola que virou industrial”. Mas isto tem mudado gradual e rapidamente, com o aumento da chamada “produção independente”, onde o agricultor é responsável pela produção, com ou sem a interferência da capacidade de prestação de serviços de plantio que é detida pelo industrial;
2) o chamado “produtor independente”, que pode fazer contratos de certa duração com determinada usina, ou optar por vender safra a safra para quem lhe aprouver, está “protegido” pelo mais sofisticado instrumento de formação de preço para o agricultor, que é o chamado “Consecana”*. Isto quer dizer que toda a gente imagina que tudo anda bem pelos lados dos canaviais. Não é fato e deve preocupar particularmente o Estado de São Paulo, onde a citricultura também passa por momentos dificílimos.
* O CONSECANA-SP (Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo) é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar, que tem como principal responsabilidade zelar pelo relacionamento entre ambas as partes.Para isso, o conselho criou um sistema de pagamento da cana-de-açúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da cana-de-açúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. O sistema tem adoção voluntária. (Fonte: UNICA) (Paulo Costa é especialista em agronegócios e bionergia, consultor senior de AgropCom. Possui mais de 37 anos de experiência nos setores agro, energia e logística, tendo ocupado cargos de direção em grandes empresas. pfscosta@pfscosta.adv.br
A notícia: “ O entrevistado do TV Brasilagro desta semana é o mestre e doutor em agronomia Luiz Carlos Tasso Junior, também diretor da Associação dos Plantadores de Cana da Região Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste). Ele também é autor de vários livros técnicos. Na entrevista ele revela que os produtores de cana não suportam mais a situação provocada pela falta de políticas públicas do governo federal. ’Nunca passamos por uma crise como esta e, o que é pior, não há nenhum sinal de mudança. O desânimo provocado pelos preços que sequer remuneram a produção e também a inadimplência de usinas está acabando com a nossa atividade’, desabafa. Tasso Junior revela também que nos últimos meses os produtores de cana tiveram perda de cerca de 25% da sua renda. ‘Pela Canaoeste realizamos já 11 reuniões nas várias regiões de abrangência territorial e o discurso é um só: não dá mais para suportar!’ “. (Fonte: portal BrasilAgro)
O comentário: As atenções sobre o setor canavieiro concentram-se fortemente no lado industrial e exportador. Como será o mix de açúcar e etanol nesta safra? Qual é o impacto da alteração cambial nas margens de remuneração do setor? Como está reagindo o segmento do ponto de vista financeiro após as mudanças no preço da gasolina e a volta dos 25% de mistura de álcool anidro? A concentração no setor vai continuar a ocorrer ou já atingimos um ponto de consolidação? Como estão as usinas de porte médio após tantas safras de resultados bastante difíceis?
No entanto, ninguém de fora olha para o lado agrícola, o que afeta o produtor da cana-de-açúcar em si. Isto ocorre por dois motivos:
1) até há pouco tempo atrás as indústrias detinham grande parte da produção agrícola para atender importante percentual de suas necessidades. Quem é do setor usava até um ditado dizendo que “o usineiro é um produtor agrícola que virou industrial”. Mas isto tem mudado gradual e rapidamente, com o aumento da chamada “produção independente”, onde o agricultor é responsável pela produção, com ou sem a interferência da capacidade de prestação de serviços de plantio que é detida pelo industrial;
2) o chamado “produtor independente”, que pode fazer contratos de certa duração com determinada usina, ou optar por vender safra a safra para quem lhe aprouver, está “protegido” pelo mais sofisticado instrumento de formação de preço para o agricultor, que é o chamado “Consecana”*. Isto quer dizer que toda a gente imagina que tudo anda bem pelos lados dos canaviais. Não é fato e deve preocupar particularmente o Estado de São Paulo, onde a citricultura também passa por momentos dificílimos.
* O CONSECANA-SP (Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo) é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar, que tem como principal responsabilidade zelar pelo relacionamento entre ambas as partes.Para isso, o conselho criou um sistema de pagamento da cana-de-açúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da cana-de-açúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. O sistema tem adoção voluntária. (Fonte: UNICA) (Paulo Costa é especialista em agronegócios e bionergia, consultor senior de AgropCom. Possui mais de 37 anos de experiência nos setores agro, energia e logística, tendo ocupado cargos de direção em grandes empresas. pfscosta@pfscosta.adv.br