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Cargill perto de comprar mais duas usinas

17/09/2015 Cana-de-Açúcar POR: Valor Econômico
A Black River, gestora de recursos da multinacional americana Cargill, está em negociações avançadas para adquirir as duas usinas do grupo paulista Antônio Ruette Agroindustrial, conhecido como Grupo Ruette. A due diligence já foi praticamente concluída e o foco agora é definir os últimos detalhes financeiros do negócio, que deve ficar próximo de R$ 700 milhões. O Grupo Ruette chegou a pedir recuperação judicial em fevereiro, mas mudou de idéia e assinou, em março, um acordo com credores que previa a "entrega" das usinas para venda e liquidação dos débitos.
À época, quando as usinas foram colocadas à venda, além da Black River, outros quatro players assinaram acordos de confidencialidade e entraram na disputa, a gestora Brookfield e as sucroalcooleiras Nardini, Guarani e Santa Isabel. Mas a proposta da Black River é que foi aceita.
Conforme apurou o Valor, a gestora americana colocou na mesa, ao todo R$ 680 milhões, sendo R$ 530 milhões em assunção de dívida e R$ 150 milhões em investimentos. A proposta feita pela Black River de incorporar dívidas de R$ 530 milhões já considera um desconto de 30% (sobre um passivo total de cerca de R$ 750 milhões). Os bancos que optarem por esse percentual de abatimento terão um prazo de dez anos, com dois de carência, para receber a parte que lhes cabe, segundo fonte familiarizada com a operação. A gestora americana também propôs pagar à vista os credores que aceitarem um desconto de 50% da dívida.
Neste momento, os bancos e a Black River estão costurando os últimos detalhes do negócio e ajustando o valor final da aquisição. "Faz parte do jogo: a Black River vai tentar baixar o valor, assim como os bancos vão tentar elevá-lo", disse a fonte. Não há prazo estabelecido para a conclusão das negociações, já que se trata de um grupo heterogêneo formado por cerca de 30 instituições credoras, com perfis de tomada de decisão diferentes. Além do Santander, principal credor e mandatário da venda das usinas, estão na negociação o fundo americano Amerra Agri Opportunity, o banco holandês ABN Amro e a ED&F Man Capital Markets, além de BTG Pactual, Banco BBM e Banco do Brasil.
Com duas unidades industriais no Estado de São Paulo, que somam uma moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, o Grupo Ruette causou grande desconforto no mercado financeiro quando protocolou seu pedido de recuperação judicial. Meses antes, havia recebido novos aportes de fundos e bancos, e não apresentava dívidas vencidas. Além disso, às vésperas de acionar a Justiça, suspendeu contratos de exportação de açúcar que haviam sido dados em garantias de alguns empréstimos.
No fim das contas, os dois lados sentaram e firmaram um acordo que "blindou" o grupo de cobranças e protestos (pelos credores signatários) por 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Dois bancos não aceitaram o acordo e movem ações de execução de bens contra o grupo. Entre eles, o francês BNP Paribas, que cobra na Justiça R$ 50 milhões do Grupo Ruette, que tem a assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados. Esse credor ainda tem a possibilidade de aderir ao acordo ou seguir com a execução de bens na Justiça.
Se a aquisição das usinas do Grupo Ruette pela Black River for concretizada, a operação dos ativos ficará à cargo da área de açúcar e etanol da Cargill no Brasil. Procurada pela reportagem, a multinacional respondeu que não comentaria o assunto "até a conclusão do processo".
No Brasil, a americana detém participação em três usinas, que somaram em 2014/15 uma moagem de 9,2 milhões de toneladas de cana. Na paulista Cevasa, tem 63%, e em duas unidades em Goiás que administra em parceria com a SJC Bioenergia, tem 50%. A múlti também prevê concluir em 2016 a ampliação da capacidade de produção de etanol em uma das usinas goianas a partir da utilização do milho como matéria-prima durante a entressafra da cana.
O dólar valorizado frente ao real vem sendo um atrativo para compra de ativos no Brasil, conforme especialistas. No caso desse negócio, se a Black River adquirir as duas usinas da Ruette por R$ 680 milhões (R$ 530 milhões, mais o investimento de R$ 150 milhões), a gestora estará pagando um múltiplo de R$ 180 por tonelada de cana processada pelo grupo. Para um investidor estrangeiro, como é o caso da Black River, essa aquisição em dólar (ao câmbio de R$ 3,80), sairia por um múltiplo de US$ 48 por tonelada, bem abaixo do múltiplo de US$ 100/tonelada praticado nos últimos anos no segmento. 
A Black River, gestora de recursos da multinacional americana Cargill, está em negociações avançadas para adquirir as duas usinas do grupo paulista Antônio Ruette Agroindustrial, conhecido como Grupo Ruette. A due diligence já foi praticamente concluída e o foco agora é definir os últimos detalhes financeiros do negócio, que deve ficar próximo de R$ 700 milhões. O Grupo Ruette chegou a pedir recuperação judicial em fevereiro, mas mudou de idéia e assinou, em março, um acordo com credores que previa a "entrega" das usinas para venda e liquidação dos débitos.
À época, quando as usinas foram colocadas à venda, além da Black River, outros quatro players assinaram acordos de confidencialidade e entraram na disputa, a gestora Brookfield e as sucroalcooleiras Nardini, Guarani e Santa Isabel. Mas a proposta da Black River é que foi aceita.
Conforme apurou o Valor, a gestora americana colocou na mesa, ao todo R$ 680 milhões, sendo R$ 530 milhões em assunção de dívida e R$ 150 milhões em investimentos. A proposta feita pela Black River de incorporar dívidas de R$ 530 milhões já considera um desconto de 30% (sobre um passivo total de cerca de R$ 750 milhões). Os bancos que optarem por esse percentual de abatimento terão um prazo de dez anos, com dois de carência, para receber a parte que lhes cabe, segundo fonte familiarizada com a operação. A gestora americana também propôs pagar à vista os credores que aceitarem um desconto de 50% da dívida.
Neste momento, os bancos e a Black River estão costurando os últimos detalhes do negócio e ajustando o valor final da aquisição. "Faz parte do jogo: a Black River vai tentar baixar o valor, assim como os bancos vão tentar elevá-lo", disse a fonte. Não há prazo estabelecido para a conclusão das negociações, já que se trata de um grupo heterogêneo formado por cerca de 30 instituições credoras, com perfis de tomada de decisão diferentes. Além do Santander, principal credor e mandatário da venda das usinas, estão na negociação o fundo americano Amerra Agri Opportunity, o banco holandês ABN Amro e a ED&F Man Capital Markets, além de BTG Pactual, Banco BBM e Banco do Brasil.
Com duas unidades industriais no Estado de São Paulo, que somam uma moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, o Grupo Ruette causou grande desconforto no mercado financeiro quando protocolou seu pedido de recuperação judicial. Meses antes, havia recebido novos aportes de fundos e bancos, e não apresentava dívidas vencidas. Além disso, às vésperas de acionar a Justiça, suspendeu contratos de exportação de açúcar que haviam sido dados em garantias de alguns empréstimos.

No fim das contas, os dois lados sentaram e firmaram um acordo que "blindou" o grupo de cobranças e protestos (pelos credores signatários) por 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Dois bancos não aceitaram o acordo e movem ações de execução de bens contra o grupo. Entre eles, o francês BNP Paribas, que cobra na Justiça R$ 50 milhões do Grupo Ruette, que tem a assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados. Esse credor ainda tem a possibilidade de aderir ao acordo ou seguir com a execução de bens na Justiça.
Se a aquisição das usinas do Grupo Ruette pela Black River for concretizada, a operação dos ativos ficará à cargo da área de açúcar e etanol da Cargill no Brasil. Procurada pela reportagem, a multinacional respondeu que não comentaria o assunto "até a conclusão do processo".
No Brasil, a americana detém participação em três usinas, que somaram em 2014/15 uma moagem de 9,2 milhões de toneladas de cana. Na paulista Cevasa, tem 63%, e em duas unidades em Goiás que administra em parceria com a SJC Bioenergia, tem 50%. A múlti também prevê concluir em 2016 a ampliação da capacidade de produção de etanol em uma das usinas goianas a partir da utilização do milho como matéria-prima durante a entressafra da cana.
O dólar valorizado frente ao real vem sendo um atrativo para compra de ativos no Brasil, conforme especialistas. No caso desse negócio, se a Black River adquirir as duas usinas da Ruette por R$ 680 milhões (R$ 530 milhões, mais o investimento de R$ 150 milhões), a gestora estará pagando um múltiplo de R$ 180 por tonelada de cana processada pelo grupo. Para um investidor estrangeiro, como é o caso da Black River, essa aquisição em dólar (ao câmbio de R$ 3,80), sairia por um múltiplo de US$ 48 por tonelada, bem abaixo do múltiplo de US$ 100/tonelada praticado nos últimos anos no segmento.