Ciência, tecnologia e inovação

09/05/2022 Noticias POR: FERNANDA CLARIANO


Celso Moretti - Presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)

 

Avaliar os impactos das tecnologias e apresentar uma metodologia científica validada internacionalmente entregando soluções acessíveis todos os anos. Essa é a realidade da Embrapa, que neste mês de abril completa 49 anos de criação em um cenário desafiador, no qual vem demonstrando capacidade de mobilização para continuar cumprindo seu papel de contribuir para a produção de alimentos e alimentar o mundo com muita ciência, tecnologia e inovação. A reportagem da Revista Canavieiros conversou com o presidente da Embrapa, Celso Moretti, para falar sobre a trajetória dessa importante instituição de pesquisa que vem atuando e fomentando a agricultura e pecuária nacional, através do desenvolvimento e transferência de conhecimentos para os produtores. Confira!

Revista Canavieiros: O Brasil se lançou na década de 70 a uma saga que era produzir no cinturão tropical. Foi um desafio?

Celso Moretti: Foi um desafio. Na verdade, a gente se lançou nesse desafio de produzir alimentos, fibras e bioenergia. Quer dizer, na década de 70, o Brasil lançou esse programa que acho que é um exemplo para o mundo todo do etanol de combustível renovável que depois acabou gerando essa política pública que é o RenovaBio e foi um desafio que deu certo. A gente vê hoje o Brasil essa potência agroambiental.

Revista Canavieiros: Como o senhor vê essa evolução da agricultura?

Moretti: A evolução da agricultura, foi, é e será baseada em ciência. Tudo o que vimos e ainda veremos acontecer tem a ciência na sua base. Costumamos dizer que a agricultura brasileira é movida à ciência, tem a ciência na sua base e foi assim que construímos essa fantástica saga brasileira.

Revista Canavieiros: A pesquisa pública abriu caminhos para o setor privado?

Moretti: Sem dúvida. Costumo usar uma imagem que é a da pesquisa pública funcionando como uma locomotiva que veio abrindo os caminhos, tirando as barreiras e o setor privado como os vagões vieram atrás gerando emprego, renda, pagando impostos que são reinvestidos na agricultura, na pesquisa no país. Sem dúvida a pesquisa pública teve esse papel importante no Brasil.

Revista Canavieiros: Além da pesquisa, a Embrapa também se preocupa com o pequeno, médio e grande produtor? Como tem sido esse trabalho junto a eles?

Moretti: A Embrapa trabalha para todas as agriculturas do Brasil, desde o pequeno, médio e grande produtor. Geramos tecnologias para todas as agriculturas do Brasil e com parceria junto aos órgãos de assistência técnica de extensão rural e com a parceria do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem) temos conseguido fazer com que a tecnologia chegue lá na ponta, chegue ao produtor rural.

Revista Canavieiros: Inovar está no DNA da Embrapa?

Moretti: Com certeza. Temos 43 centros de pesquisas e um propósito muito claro que é entender os problemas reais da agricultura brasileira, traduzir esses problemas em projetos de pesquisa e, por meio da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação, levar soluções para o setor produtivo. É dessa forma que trabalhamos.

Revista Canavieiros: Políticas Públicas, Sustentabilidade, RenovaBio, Pronasolos. Como a Embrapa tem atuado perante essas questões?

Moretti: Costumo brincar que a Embrapa trabalha de alface a zebu, de A a Z. Trabalhamos no desenvolvimento de soluções, na cooperação científica com outros países, na cooperação técnica com países que estão em fase de desenvolvimento na África, na América Latina. É um trabalho fantástico que tem ajudado esse setor que é o agro que responde por ¼ do PIB brasileiro.

Revista Canavieiros: Neste mês de abril a Embrapa comemora 49 anos. Quais as expectativas futuras?

Moretti: Queremos seguir sendo importantes, estratégicos e relevantes não só para a segurança alimentar dos brasileiros, mas para o mundo. Atualmente alimentamos 800 milhões de pessoas e não tenho dúvida que muito brevemente vamos alimentar ¼ e vamos chegar até 2050 alimentando metade da população global. Temos tecnologias, terras disponíveis e o que é mais importante, sem precisar desmatar um milímetro quadrado, pois temos área consolidadas suficientes para produzir alimentos e alimentar o mundo. A Embrapa não para, não parou durante esses últimos anos, não parou durante a pandemia da Covid-19 e esperamos que tenhamos mais pelo menos 50 anos pela frente.

Revista Canavieiros: Como o senhor pensa o futuro da agricultura brasileira?

Moretti: O futuro da agricultura passa pela sustentabilidade, descarbonização e pela segurança alimentar. Enfim de produzir mais alimentos, com mais qualidade que possa atender não só brasileiros, mas outros países do mundo.