Comportamento de herbicidas em cana crua

19/10/2017 Cana-de-Açúcar POR: Agrolink com inf. de assessoria 18/10/2017
De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA) realizado em parceria com sindicatos e associações de produtores do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a estimativa de moagem para a safra 2017/2018 de cana-de-açúcar é de 585 milhões de toneladas, o que representa queda de 22,14 milhões em relação à safra anterior.
Em consonância, a pesquisa Sistemática da Produção Agrícola, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho deste ano, indica que em São Paulo, responsável por 54,4% da produção, a área plantada aumentou em 5,1%, porém o rendimento médio reduziu em 3,4%. O cenário foi igual no Paraná, a produção também caiu (2,8%), com recuo de 1,2% na área e de 1,7% no rendimento médio.
 
Os dados demonstram um dos principais desafios da cultura de cana-de-açúcar no Brasil: incrementar a produtividade média e a longevidade do canavial. Atualmente, o país ainda apresenta níveis muito baixos de produção (78 a 55 t.ha-1), quando comparados ao potencial acima de 100 t.ha-1. “Para atingir bons níveis, o primeiro passo é definir e executar um planejamento estratégico para reduzir as perdas da cultura, adotando práticas inteligentes de gestão de custos que otimizem processos e operações agrícolas”, orienta Roberto Toledo, Gerente de Produto Herbicidas e Cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência .
 
Dentre os problemas existentes e que oneram o cultivo, destaca-se a interferência de plantas daninhas, que podem causar redução de até 80% da produtividade, afetar a qualidade da matéria-prima, diminuir a longevidade do canavial (3 a 5 cortes viáveis em média) e aumentar os custos de produção em aproximadamente 30% para cana-soca e 15 a 20% para cana-planta.
 
“Na colheita mecânica de cana crua, a quantidade de palha depositada na superfície do solo é de 5 a 20 t-1, em média. Esse resultado depende de fatores como variedade de cana, facilidade de despalha do colmo, hábito de crescimento da touceira, uniformidade da altura, tamanho dos ponteiros, produtividade, desenvolvimento das plantas e, ainda, características da região de produção, tais como temperatura média, ocorrência de chuvas e idade do canavial”, explica Toledo. 
 
Outro ponto que atrapalha é que o banco de sementes e diásporos é alterado em função da palha presente na superfície do solo, atuando como uma barreira física e química que intercepta a luz e reduz a amplitude térmica. O gerente ressalta que “esses fatores afetam a germinação de sementes pequenas de algumas espécies, o que pode induzir à dormência. As gramíneas, por exemplo, dependem da presença de luz para brotar (fotoblásticas positivas)”.
 
Por outro lado, esses processos podem influenciar a germinação de outras plantas daninhas de sementes grandes, reduzindo a dormência. Essas alterações influenciam toda a dinâmica do banco no solo em cana crua e os períodos necessários de controle com diferentes herbicidas.
 
Para isso, as estratégias de manejo de plantas daninhas em cana crua devem ser completamente diferentes quando comparadas às adotadas em cana planta ou queimada. As táticas devem ser planejadas em função das diferentes épocas do ano (secas a úmidas), do histórico da infestação presente em cada área e também do comportamento dos diferentes herbicidas em palha de cana e no solo.
 
Em função da redução inicial de algumas plantas daninhas após a colheita da cana-de-açúcar – quando é máxima a quantidade de palha sobre o solo e há limitação de água – pode haver uma falsa impressão de que, em áreas de cana crua, o manejo poderá ser mais simples ou até mesmo suprimido somente com uso de herbicidas pós-emergentes. 
 
Nas épocas secas, a manipulação é muito mais complexa, sendo necessário definir programas com excelente dinâmica, alta tolerância e longo residual para controle. A aplicação de herbicidas pré-emergentes no período deve ser criteriosamente estudada e planejada para não haver perda de eficácia e para que, na transição para época úmida, não haja a lixiviação dos produtos para fora da região de germinação do banco de sementes.
 
“Nesses períodos, o nível de dificuldade de manejo é muito maior, uma vez que há necessidade de utilizar herbicidas pré-emergentes em condições adversas. Por isso, os produtos utilizados devem ter alta solubilidade em água, baixos coeficientes de sorção (Kow) e de partição octanol-água (Kow), para que mesmo em condições de restrição hídrica possam diluir no solo”, destaca Toledo.
 
A interceptação dos herbicidas pela palha de cana-de-açúcar na superfície do solo tem sido motivo de grande preocupação dos supervisores e técnicos das usinas e de grandes fornecedores. A retenção expõe o produto a condições extremas de temperatura e luz e favorece os processos de perdas, como fotodegradação (fotólises e fotodecomposição) e volatilização (no caso dos voláteis). Isso ocorre até que ocorram chuvas com intensidade e duração suficientes para que parte seja lixiviado e atinja o solo para, posteriormente, ficar disponível para exercer a sua ação de controle.
 
Alguns herbicidas presentes no mercado apresentam baixa solubilidade em água, baixa retenção (sorção) no solo e boa facilidade de transpor a palha (relacionada ao K<sub>ow</sub>), podendo ser recomendados para aplicação em época seca em cana crua. Dentre esses herbicidas, sulfentrazone, amicarbazone, imazapic, isoxaflutole e tebuthiurom são moléculas bastante utilizadas na prática. Porém, a eficácia do manejo será influenciada fortemente por fatores como quantidade de palha de cana presente na superfície, capacidade de tolerância do herbicida em longos períodos de seca e habilidade dele transpor a palha com quantidades mínimas de chuva. 
 
Para alguns produtos verifica-se que a permanência dos herbicidas sobre a palha, por longos períodos sem chuvas, implica em reduções significativas da quantidade de solução desperdiçada e transposta para o solo pela primeira chuva. O resultado é a redução de performance satisfatória para controle de plantas daninhas, o que acarreta a necessidade de uma segunda aplicação ou até operações de repasses, além de mais dispêndio  de produção.
 
Toledo finaliza ressaltando que “há necessidade de desenvolver novos conceitos para o manejo integrado de plantas daninhas em cana crua, a fim de reduzir as perdas significativas de herbicidas em palha e aumentar a produtividade da cultura. Com essas estratégias, o produtor poderá atingir todo o potencial produtivo do canavial, proteger os investimentos realizados na implantação e otimizar processos e operações agrícolas, garantindo a longevidade do canavial e a competividade do setor”.
De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA) realizado em parceria com sindicatos e associações de produtores do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a estimativa de moagem para a safra 2017/2018 de cana-de-açúcar é de 585 milhões de toneladas, o que representa queda de 22,14 milhões em relação à safra anterior.
Em consonância, a pesquisa Sistemática da Produção Agrícola, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho deste ano, indica que em São Paulo, responsável por 54,4% da produção, a área plantada aumentou em 5,1%, porém o rendimento médio reduziu em 3,4%. O cenário foi igual no Paraná, a produção também caiu (2,8%), com recuo de 1,2% na área e de 1,7% no rendimento médio.
 
Os dados demonstram um dos principais desafios da cultura de cana-de-açúcar no Brasil: incrementar a produtividade média e a longevidade do canavial. Atualmente, o país ainda apresenta níveis muito baixos de produção (78 a 55 t.ha-1), quando comparados ao potencial acima de 100 t.ha-1. “Para atingir bons níveis, o primeiro passo é definir e executar um planejamento estratégico para reduzir as perdas da cultura, adotando práticas inteligentes de gestão de custos que otimizem processos e operações agrícolas”, orienta Roberto Toledo, Gerente de Produto Herbicidas e Cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência .
 
Dentre os problemas existentes e que oneram o cultivo, destaca-se a interferência de plantas daninhas, que podem causar redução de até 80% da produtividade, afetar a qualidade da matéria-prima, diminuir a longevidade do canavial (3 a 5 cortes viáveis em média) e aumentar os custos de produção em aproximadamente 30% para cana-soca e 15 a 20% para cana-planta.
 
“Na colheita mecânica de cana crua, a quantidade de palha depositada na superfície do solo é de 5 a 20 t-1, em média. Esse resultado depende de fatores como variedade de cana, facilidade de despalha do colmo, hábito de crescimento da touceira, uniformidade da altura, tamanho dos ponteiros, produtividade, desenvolvimento das plantas e, ainda, características da região de produção, tais como temperatura média, ocorrência de chuvas e idade do canavial”, explica Toledo. 
 
Outro ponto que atrapalha é que o banco de sementes e diásporos é alterado em função da palha presente na superfície do solo, atuando como uma barreira física e química que intercepta a luz e reduz a amplitude térmica. O gerente ressalta que “esses fatores afetam a germinação de sementes pequenas de algumas espécies, o que pode induzir à dormência. As gramíneas, por exemplo, dependem da presença de luz para brotar (fotoblásticas positivas)”.
 
Por outro lado, esses processos podem influenciar a germinação de outras plantas daninhas de sementes grandes, reduzindo a dormência. Essas alterações influenciam toda a dinâmica do banco no solo em cana crua e os períodos necessários de controle com diferentes herbicidas.
 
Para isso, as estratégias de manejo de plantas daninhas em cana crua devem ser completamente diferentes quando comparadas às adotadas em cana planta ou queimada. As táticas devem ser planejadas em função das diferentes épocas do ano (secas a úmidas), do histórico da infestação presente em cada área e também do comportamento dos diferentes herbicidas em palha de cana e no solo.
 
Em função da redução inicial de algumas plantas daninhas após a colheita da cana-de-açúcar – quando é máxima a quantidade de palha sobre o solo e há limitação de água – pode haver uma falsa impressão de que, em áreas de cana crua, o manejo poderá ser mais simples ou até mesmo suprimido somente com uso de herbicidas pós-emergentes. 
 
Nas épocas secas, a manipulação é muito mais complexa, sendo necessário definir programas com excelente dinâmica, alta tolerância e longo residual para controle. A aplicação de herbicidas pré-emergentes no período deve ser criteriosamente estudada e planejada para não haver perda de eficácia e para que, na transição para época úmida, não haja a lixiviação dos produtos para fora da região de germinação do banco de sementes.
 
“Nesses períodos, o nível de dificuldade de manejo é muito maior, uma vez que há necessidade de utilizar herbicidas pré-emergentes em condições adversas. Por isso, os produtos utilizados devem ter alta solubilidade em água, baixos coeficientes de sorção (Kow) e de partição octanol-água (Kow), para que mesmo em condições de restrição hídrica possam diluir no solo”, destaca Toledo.
 
A interceptação dos herbicidas pela palha de cana-de-açúcar na superfície do solo tem sido motivo de grande preocupação dos supervisores e técnicos das usinas e de grandes fornecedores. A retenção expõe o produto a condições extremas de temperatura e luz e favorece os processos de perdas, como fotodegradação (fotólises e fotodecomposição) e volatilização (no caso dos voláteis). Isso ocorre até que ocorram chuvas com intensidade e duração suficientes para que parte seja lixiviado e atinja o solo para, posteriormente, ficar disponível para exercer a sua ação de controle.
 
Alguns herbicidas presentes no mercado apresentam baixa solubilidade em água, baixa retenção (sorção) no solo e boa facilidade de transpor a palha (relacionada ao K<sub>ow</sub>), podendo ser recomendados para aplicação em época seca em cana crua. Dentre esses herbicidas, sulfentrazone, amicarbazone, imazapic, isoxaflutole e tebuthiurom são moléculas bastante utilizadas na prática. Porém, a eficácia do manejo será influenciada fortemente por fatores como quantidade de palha de cana presente na superfície, capacidade de tolerância do herbicida em longos períodos de seca e habilidade dele transpor a palha com quantidades mínimas de chuva. 
 
Para alguns produtos verifica-se que a permanência dos herbicidas sobre a palha, por longos períodos sem chuvas, implica em reduções significativas da quantidade de solução desperdiçada e transposta para o solo pela primeira chuva. O resultado é a redução de performance satisfatória para controle de plantas daninhas, o que acarreta a necessidade de uma segunda aplicação ou até operações de repasses, além de mais dispêndio  de produção.
 
Toledo finaliza ressaltando que “há necessidade de desenvolver novos conceitos para o manejo integrado de plantas daninhas em cana crua, a fim de reduzir as perdas significativas de herbicidas em palha e aumentar a produtividade da cultura. Com essas estratégias, o produtor poderá atingir todo o potencial produtivo do canavial, proteger os investimentos realizados na implantação e otimizar processos e operações agrícolas, garantindo a longevidade do canavial e a competividade do setor”.