http://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://https://www.fenasucro.com.br/
http://icminc.com/corporate/contact-us-corporate.html
http://https://conferences.datagro.com/
http://www.ideaonline.com.br/conteudo/21-seminario-de-mecanizacao-e-producao-de-cana-de-acucar.html
http://www.rossam.com.br/index.html
http://www.forumabisolo.com/

Agricultura Digital 4.0: Ação na tomada de decisão

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Agricultura

15/03/2019
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*Abimael Cereda Junior
 
Muito se tem falado da Quarta Revolução Industrial ou a Revolução 4.0, mas você conhece o verdadeiro impacto - presente e para os próximos anos - da convergência pessoas-processos-digital-coisas no agronegócio? Antes de mais nada, lembre-se que este não é um artigo para vender um produto, alguém ou uma série de palavras em inglês, mas pretende oferecer uma nova visão de processos de negócio territoriais, permitindo sua otimização e diminuição de custos em toda a cadeia agro.

Buscando tecer um breve histórico, talvez a Revolução Industrial mais lembrada seja a primeira, ocorrida entre 1760 e 1840, com o início da era mecânica na Inglaterra e as máquinas a vapor - do tear ao avanço nos navios e ferrovias- “encurtando”  tempo e distâncias e, como toda revolução, trazendo mudanças profundas na sociedade e seus meios de produção.

A segunda Revolução, ocorrida em torno de 1850 até meados do século XX, trouxe a energia elétrica e a organização dos processos produtivos – como as linhas de montagem da Ford – e, assim, a produção em massa. A terceira Revolução – a digital –ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, como surgimento e rápido avanço na eletrônica, informática e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a era tecno-científica-informacional.

Neste momento estamos vivenciando a Quarta Revolução - ou 4.0 – que, segundo Klaus Schwab, professor e especialista no tema, em seu livro “A Quarta Revolução Industrial” não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da Revolução Digital.

Em outras palavras, a grande característica do contemporâneo não é uma tecnologia específica ou mesmo com tempo entre seu desenvolvimento e adoção de décadas (lembra da tv de tubo, dos celulares, dos sensores de produtividade e pilotos automáticos?), mas sim pela integração por meio de plataformas computacionais, conectando o mundo digital (desde o smartphone até grandes Centros de Inteligência Agronômica) e o mundo físico (com medidas) em tempo quase real, tendo como principal característica a mudança não somente como nos relacionamos com o mundo, mas como o interpretamos e o organizamos.

E aqui não se fala de mundos (ou talhões) virtuais para aqueles que gostam de jogos e ficção científica, mas a possibilidade do entendimento, análise, planejamento e simulação de diversas dimensões da produção agroindustrial por meio de dados ambientais, das máquinas, dispositivos e, principalmente, conhecimento especialista – dos pragueiros aos investidores.

Neste contexto, a conhecida tríade pessoas-processos-produtos pode ser repensada como pessoas-processos-digital-coisas, em que tal integração por meio das Tecnologias Digitais leva à tomada de decisão e ações no campo e na indústria, na produção e distribuição, possibilitando que todos os níveis envolvidos possam contribuir; a Internet das Coisas1 (IoT), rede de dispositivos, pessoas ou equipamentos interconectados, permitem a análise, escolha e manipulação destes, sendo uma das bases para tal Revolução.

O Me. e especialista na área, Dib Nunes Junior2, em artigo recente sobre a falta de conhecimento na atividade sucroenergética e como esta influencia o fechamento de usinas, elencou alguns desafios e fatores de risco como o entendimento das variações de tempo e clima, análises de fertilidade de solo e de terreno, otimização da frota, melhoria nos resultados operacionais da colheita e transporte, logística, estradas ruins de acesso difícil às propriedades produtivas.

Temos como chamado neste momento – produtores, consultores, pesquisadores, empresas e demais atores – como auxiliar à tomada de decisão neste temas, com a real utilização destas tecnologias digitais, com o Brasil podendo liderar a inovação tecnológica para o agronegócio digital: uma visão de plataforma de decisão – e ação – territoriais.

Tais plataformas integradoras devem estar disponíveis e acessíveis aos participantes deste processo, integrando fontes de dados (internas e externas), suas ferramentas e que mantenha o controle e a governança sobre os recursos a serem utilizados. Mais do que uma nova série de sensores, maquinário, comunicação no campo, análises automatizadas de imagens ou bugigangas tecnológicas, a Agricultura Digital 4.0 e esta, essencialmente, Territorial, pode trazer resultados duradouros e para seu principal fim: a ação, afinal, a tomada de decisão deve ser executada, avaliada e trazer retorno sobre o investimento, o que leva à corte de gastos desnecessários, menor retrabalho e otimização da cadeia de suprimento.

Neste contexto, seis tecnologias que fazem parte da Revolução 4.0 no Agronegócio destacam-se,sendo os drones, big data analytics, Internet das Coisas, Agricultura de Precisão, Inteligência Artificial e blockchain, exploradas em detalhe no artigo em referência3.

Em pouco tempo, não será incomum ver os talhões sendo monitorados por pequenos robôs - sejam terrestres, aéreos ou orbitais– ou mesmo o chamado digital twin(irmão gêmeo digital), em que poderemos pensar o design de todo processo produtivo em ambientes digitais que reproduzem as condições de máquinas e equipamentos em campo.

Contudo, e reafirmando o já explorado em outros materiais, “com tecnologias em seus processos e não processos moldados às tecnologias”, você já está pronto para esta transformação; agora é repensar os processos e modelos de negócio, com menor encantamento pelas tecnologias em si, com foco no planejamento e visão para resultados no hoje – diminuição no custo de produção, proteção ao ambiente e sociedade e maior produtividade em suas diversas dimensões.

* Abimael Cereda Junior é geógrafo, professor, consultor, palestrante e Me. Doutor em Engenharia Urbana
 
Bibliografia
1CEREDA JUNIOR, A. Muito além da Internet das Coisas: a Geografia das Coisas. Conhecimento Prático: Geografia, São Paulo: Editora Escala, p.30-31, abr. 2015, edição 60, disponível em: https://wp.me/p9mN8j-x
2NUNES JUNIOR. D.Falta de Conhecimento na Atividade Sucroenergética influenciou o fechamento de Usinas. Ribeirão Preto: Grupo IDEA, disponível em: http://www.ideaonline.com.br/conteudo/falta-de-conhecimento-na-atividade-sucroenergetica-influenciou-o-fechamento-de-usinas-por-dib-nunes-jr.html
3Para a discussão sobre tais tecnologias, recomenda-se a leitura de CEREDA JUNIOR, A. Transformação Digital Territorial no Agronegócio. Revista PRODEMGE, Belo Horizonte, Ano 15, n. 20. p. 105-109, dez. 2018, disponível em: https://wp.me/p9mN8j-X6

Fonte: Revista Canavieiros

Agricultura Digital 4.0: Ação na tomada de decisão

15/03/2019

*Abimael Cereda Junior
 
Muito se tem falado da Quarta Revolução Industrial ou a Revolução 4.0, mas você conhece o verdadeiro impacto - presente e para os próximos anos - da convergência pessoas-processos-digital-coisas no agronegócio? Antes de mais nada, lembre-se que este não é um artigo para vender um produto, alguém ou uma série de palavras em inglês, mas pretende oferecer uma nova visão de processos de negócio territoriais, permitindo sua otimização e diminuição de custos em toda a cadeia agro.

Buscando tecer um breve histórico, talvez a Revolução Industrial mais lembrada seja a primeira, ocorrida entre 1760 e 1840, com o início da era mecânica na Inglaterra e as máquinas a vapor - do tear ao avanço nos navios e ferrovias- “encurtando”  tempo e distâncias e, como toda revolução, trazendo mudanças profundas na sociedade e seus meios de produção.

A segunda Revolução, ocorrida em torno de 1850 até meados do século XX, trouxe a energia elétrica e a organização dos processos produtivos – como as linhas de montagem da Ford – e, assim, a produção em massa. A terceira Revolução – a digital –ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, como surgimento e rápido avanço na eletrônica, informática e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a era tecno-científica-informacional.

Neste momento estamos vivenciando a Quarta Revolução - ou 4.0 – que, segundo Klaus Schwab, professor e especialista no tema, em seu livro “A Quarta Revolução Industrial” não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da Revolução Digital.

Em outras palavras, a grande característica do contemporâneo não é uma tecnologia específica ou mesmo com tempo entre seu desenvolvimento e adoção de décadas (lembra da tv de tubo, dos celulares, dos sensores de produtividade e pilotos automáticos?), mas sim pela integração por meio de plataformas computacionais, conectando o mundo digital (desde o smartphone até grandes Centros de Inteligência Agronômica) e o mundo físico (com medidas) em tempo quase real, tendo como principal característica a mudança não somente como nos relacionamos com o mundo, mas como o interpretamos e o organizamos.

E aqui não se fala de mundos (ou talhões) virtuais para aqueles que gostam de jogos e ficção científica, mas a possibilidade do entendimento, análise, planejamento e simulação de diversas dimensões da produção agroindustrial por meio de dados ambientais, das máquinas, dispositivos e, principalmente, conhecimento especialista – dos pragueiros aos investidores.

Neste contexto, a conhecida tríade pessoas-processos-produtos pode ser repensada como pessoas-processos-digital-coisas, em que tal integração por meio das Tecnologias Digitais leva à tomada de decisão e ações no campo e na indústria, na produção e distribuição, possibilitando que todos os níveis envolvidos possam contribuir; a Internet das Coisas1 (IoT), rede de dispositivos, pessoas ou equipamentos interconectados, permitem a análise, escolha e manipulação destes, sendo uma das bases para tal Revolução.

O Me. e especialista na área, Dib Nunes Junior2, em artigo recente sobre a falta de conhecimento na atividade sucroenergética e como esta influencia o fechamento de usinas, elencou alguns desafios e fatores de risco como o entendimento das variações de tempo e clima, análises de fertilidade de solo e de terreno, otimização da frota, melhoria nos resultados operacionais da colheita e transporte, logística, estradas ruins de acesso difícil às propriedades produtivas.

Temos como chamado neste momento – produtores, consultores, pesquisadores, empresas e demais atores – como auxiliar à tomada de decisão neste temas, com a real utilização destas tecnologias digitais, com o Brasil podendo liderar a inovação tecnológica para o agronegócio digital: uma visão de plataforma de decisão – e ação – territoriais.

Tais plataformas integradoras devem estar disponíveis e acessíveis aos participantes deste processo, integrando fontes de dados (internas e externas), suas ferramentas e que mantenha o controle e a governança sobre os recursos a serem utilizados. Mais do que uma nova série de sensores, maquinário, comunicação no campo, análises automatizadas de imagens ou bugigangas tecnológicas, a Agricultura Digital 4.0 e esta, essencialmente, Territorial, pode trazer resultados duradouros e para seu principal fim: a ação, afinal, a tomada de decisão deve ser executada, avaliada e trazer retorno sobre o investimento, o que leva à corte de gastos desnecessários, menor retrabalho e otimização da cadeia de suprimento.

Neste contexto, seis tecnologias que fazem parte da Revolução 4.0 no Agronegócio destacam-se,sendo os drones, big data analytics, Internet das Coisas, Agricultura de Precisão, Inteligência Artificial e blockchain, exploradas em detalhe no artigo em referência3.

Em pouco tempo, não será incomum ver os talhões sendo monitorados por pequenos robôs - sejam terrestres, aéreos ou orbitais– ou mesmo o chamado digital twin(irmão gêmeo digital), em que poderemos pensar o design de todo processo produtivo em ambientes digitais que reproduzem as condições de máquinas e equipamentos em campo.

Contudo, e reafirmando o já explorado em outros materiais, “com tecnologias em seus processos e não processos moldados às tecnologias”, você já está pronto para esta transformação; agora é repensar os processos e modelos de negócio, com menor encantamento pelas tecnologias em si, com foco no planejamento e visão para resultados no hoje – diminuição no custo de produção, proteção ao ambiente e sociedade e maior produtividade em suas diversas dimensões.

* Abimael Cereda Junior é geógrafo, professor, consultor, palestrante e Me. Doutor em Engenharia Urbana
 
Bibliografia
1CEREDA JUNIOR, A. Muito além da Internet das Coisas: a Geografia das Coisas. Conhecimento Prático: Geografia, São Paulo: Editora Escala, p.30-31, abr. 2015, edição 60, disponível em: https://wp.me/p9mN8j-x
2NUNES JUNIOR. D.Falta de Conhecimento na Atividade Sucroenergética influenciou o fechamento de Usinas. Ribeirão Preto: Grupo IDEA, disponível em: http://www.ideaonline.com.br/conteudo/falta-de-conhecimento-na-atividade-sucroenergetica-influenciou-o-fechamento-de-usinas-por-dib-nunes-jr.html
3Para a discussão sobre tais tecnologias, recomenda-se a leitura de CEREDA JUNIOR, A. Transformação Digital Territorial no Agronegócio. Revista PRODEMGE, Belo Horizonte, Ano 15, n. 20. p. 105-109, dez. 2018, disponível em: https://wp.me/p9mN8j-X6