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Extremistas não terão vez na agricultura paulista

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Agronegócio

12/06/2019
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Por: Marino Guerra


Equilibrada. Assim pode-se definir a personalidade de Gustavo Junqueira, profissional do mundo agro escolhido pelo governador João Dória para assumir a pasta de Agricultura e Abastecimento do governo paulista.

E, dessa maneira, como um equilibrista, que sabe de maneira controlada e tranquila como dar cada passo, Junqueira, de 46 anos, mostra nessa entrevista exclusiva concedida à Revista Canavieiros durante a Agrishow, qual será a postura do poder estadual em assuntos como a integração com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, pesquisa e desenvolvimento focados na inovação ligada às soluções necessárias para o campo e a defesa da produção agrícola paulista. Temas que envolvem diretamente o setor sucroenergético.

Junqueira se mostra bastante maduro e realista ao abordar assuntos corroídos por extremistas em nossa sociedade. Como aqueles relacionados ao comércio exterior, onde deixa claro que para exportar também é preciso importar, e a sustentabilidade, ao enfatizar que, para ela existir, é preciso o equilíbrio do tripé formado pelo desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Revista Canavieiros: Quem é Gustavo Junqueira? Qual a sua ligação com o agro?
Gustavo Junqueira: Eu nasci em Orlândia, fui criado no mundo agro, meu pai sempre plantou cana-de-açúcar. Minha família também cultiva milho, atua na pecuária (gado de corte) e em grãos. Com isso, nossa operação vai além de São Paulo, atingindo Minas Gerais e também o sul do Pará.
Entre 2014 e 2017 fui presidente da Sociedade Rural Brasileira, entidade que faço parte do conselho até hoje.

Revista Canavieiros: Há uma percepção que na região de Orlândia, com o fechamento de uma grande cooperativa há alguns anos, os produtores perderam a confiança no cooperativismo devido aos traumas deixados por ela. Compactua dessa visão?
Junqueira: Eu não enxergo que há esse trauma, talvez essa percepção venha de modo pontual em alguns produtores. O cooperativismo no Estado de São Paulo é muito forte, não tem como pensar no desenvolvimento do agro nacional sem as cooperativas.

Revista Canavieiros: Qual motivo o senhor aponta para o fato de São Paulo ter cooperativas agropecuárias e de crédito voltadas ao campo tão fortes?
Junqueira: Aqui há um cenário desenhado com a maioria das propriedades pequenas e médias fornecendo sua produção para grandes agroindústrias. Acontece isso na cana, na laranja, no café, entre outras culturas.
Diante disso, o cooperativismo é essencial para esses produtores terem escala tanto de compra como venda para permanecerem competitivos e vivos no negócio. Trata-se de um modelo de negócio onde o foco está na coletividade, e considerando que as correntes econômicas estão direcionadas a esse conceito, tenho certeza que o cooperativismo não parará de crescer.

Revista Canavieiros: No final de agosto o período de taxação sobre a importação do etanol norte-americano termina. Qual cenário o senhor imagina caso essa medida não seja renovada?
Junqueira: Acho que tem que ser analisado com equilíbrio. De maneira geral, o Brasil tem trilhado para uma direção liberal, no entanto esse caminho precisa ser percorrido em etapas. A visão que tenho é que para sermos cada vez melhores exportadores, temos que ser importadores.
O etanol possui capacidade suficiente para competir nesse mercado. Acima da taxação há possibilidades de negócios muito maiores como, por exemplo, um esforço em conjunto com os americanos para conseguir abrir o mercado chinês de etanol.

Revista Canavieiros: Mas para pensar em abastecer os tanques chineses é preciso evoluir no ganho de produtividade, principalmente dos canaviais...
Junqueira: Volto a enfatizar a importância de trabalharmos focados sempre num ambiente de competitividade, pois assim teremos ganhos de produtividade. E para a cana-de-açúcar, que sofre para voltar a produzir bem desde a implementação da colheita mecanizada e, consequentemente, a necessidade de um manejo totalmente novo, isso é ainda mais evidente.
Dentro da secretaria, nos cabe fomentar cada vez mais o trabalho de pesquisa, ciência e tecnologia, o qual temos um exemplo bem positivo no Centro de Cana do IAC com o plantio em meiosi de MPBs (Mudas Pré-Brotadas).
Durante a Agrishow fomos testemunhas do alto volume de tecnologia disponível para o campo, fora o grande potencial de descobertas que se tornarão soluções disruptivas e inovadoras. O grande desafio é conseguir levar tudo isso para um número cada vez maior de pessoas.
Considerando o cenário de tecnologia como ferramenta para a produtividade, há um ponto de preocupação que é o fato de muitos produtores apresentarem um nível de inovação muito baixo, para não dizer nulo. Diante disso, é obrigação de todos os agentes da cadeia – governo, centros de pesquisa, cooperativas, indústrias – realizarem um trabalho amplo de difusão dessas práticas e conhecimento.

Revista Canavieiros: Falando em difusão de conhecimento, não dá para deixar de considerar que há um enorme desperdício de tempo e recursos no desenvolvimento científico do país pelo simples fato do mundo acadêmico ter sérias dificuldades para se alinhar naquilo que o setor produtivo realmente precisa. Como enxerga esse cenário?
Junqueira: Eu acho que as universidades têm uma gestão sobre os seus currículos e suas áreas de pesquisa que não me cabe, na função de secretário da Agricultura, abordar.
O que me cabe dizer é sobre os institutos de pesquisa, como o IAC, e nesses ambientes o foco é fazer com que a ciência esteja cada vez mais preocupada em solucionar problemas reais.
Esse é um trabalho de integração, temos que envolver a extensão rural, a assistência técnica, o setor privado e as cooperativas, fazendo com que o trânsito do que está se discutindo dentro do laboratório e o que está se falando no campo seja “online”. O pesquisador tem que sujar a botina de barro e o produtor tem que levar os seus desafios para os centros. Somente assim nossa pesquisa será assertiva perante os gargalos produtivos.
 
Revista Canavieiros: No mês passado, o secretário da Infraestrutura e Meio ambiente, Marcos Penido, disse que a sua pasta havia “trocado alianças” com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Como está o casamento?
Junqueira: Não dá para casar sozinho. O Marcos Penido é um grande parceiro do desenvolvimento do Estado de São Paulo e está focado numa agricultura, pecuária e indústria alimentícia sustentáveis.
Nesse sentido é preciso lembrar que a sustentabilidade não é só ambiental, o termo foi desgastando ao longo dos anos em decorrência dessa visão errônea. Nós temos que ter um desenvolvimento social, econômico e ambiental, essa é a nossa busca.
Com a vinda da gestão ambiental da Secretaria do Meio ambiente para a pasta da Agricultura, passamos a assumir a responsabilidade de fazer a gestão territorial, ou seja, tudo que ocorre dentro da área rural é de nossa alçada.

Revista Canavieiros: Muitos enxergam essa nova função apenas como a gestão georreferencial, do CAR ou do PRA. É “somente isso” mesmo?
Junqueira: Esse é um desafio que estamos encarando com muita seriedade. Em primeiro lugar porque a questão ambiental ficou muito caracterizada pelo replantio, mas ela vai além disso.
Agora é de nossa atribuição observar, por exemplo, a conservação de solo, questões de terraciamento e erosão. Outro ponto que atinge muito o setor sucroenergético é a compactação de solo.
Um exemplo prático é a erosão em decorrência da retirada das curvas de níveis, outro exemplo são os altos níveis de matéria orgânica colocada em cima do solo. Nesse caso, com as chuvas mais fortes, muito desse material é levado para os rios, o que causa um problema de supervegetação dos rios que acarreta, principalmente, em assoreamento.
Esses dois desafios são apenas para ilustrar o nível de detalhamento dos problemas que vão surgindo e que precisam ser identificados e resolvidos.

Revista Canavieiros: O problema da pulverização aérea também entra nesse balaio?
Junqueira: A questão da pulverização aérea é outro caso bastante interessante, pois mostra uma iniciativa do setor produtivo em estabelecer a convivência com as demais culturas vizinhas no sentido de desenvolvermos um protocolo claro dizendo como a prática deve funcionar.
O bom produtor, o bom empresário, não pode pagar pelo mau. Nós temos os protocolos, as regras, e os que fizerem errado ou malfeito terão a sua punição específica. Não podemos punir todos do setor, acredito que o alinhamento entre a agricultura e o meio ambiente é total, ou seja, nenhum dos lados extremistas terá  voz nessa gestão.
O governo João Dória é objetivo, pragmático, e é dessa maneira que acreditamos que o desenvolvimento do Estado de São Paulo será acelerado.

Revista Canavieiros: E quanto ao RenovaBio, o que pensa?
Junqueira: O RenovaBio é a conclusão de uma demanda antiga, ele foi se modelando até se materializar nessa política atual. É a resposta para uma pergunta de anos, que envolve o papel do etanol na matriz energética brasileira.
Com isso teremos a previsibilidade de quantos bilhões de litros serão introduzidos no mercado a cada ano, quantas usinas serão necessárias para chegarmos a essa produção, quantos hectares de terra serão necessários para mover essas usinas, aonde e como será distribuído esse produto, se compensa mais investir em alcoolduto ou em tancagem.
O programa também dará condições de pensarmos em estratégias de comércio exterior, ou seja, se será necessário importar, quanto precisaremos produzir a mais para atender a uma eventual demanda chinesa, qual produtividade industrial será necessária para atender a determinado cenário.
O RenovaBio elucidará todos esses pontos, possibilitando um planejamento do setor necessário há bastante tempo.

Revista Canavieiros: E o papel da secretaria nesse contexto?
Junqueira: Toda a regulamentação legal do RenovaBio é função do governo federal. No entanto, acompanhamos-a diariamente, já que 45% de todo o PIB do agronegócio paulista vem do setor sucroenergético.

Revista Canavieiros: É inegável que o governador João Dória é um dos maiores comunicadores desse país. Como poderíamos utilizar esse talento na quebra do censo comum nacional e internacional de que a atividade agropecuária é um dos principais atores poluentes do globo?
Junqueira: O governador é nitidamente um líder do agro. Ele tem vocação para liderar e bastante conhecimento na área, então essas duas coisas em conjunto traz para ele uma capacidade ímpar de comunicar a importância do setor.
Tamanho é esse respeito que entre os dias 11 a 16 de maio teremos uma agenda intensa com investidores em Nova York. Além disso, o governador será o speaker (palestrante principal) do Sugar Dinner, que é o jantar da indústria dos EUA. O último brasileiro que assumiu tal posição foi Pratini de Moraes que, na época, era ministro da Agricultura do governo de Fernando Henrique Cardoso. Dória ficou muito honrado com o convite e fará o papel de patrono do agro brasileiro.
Em agosto iremos à China, onde o governador abrirá o escritório do Estado de São Paulo em Xangai. O principal objetivo desse ponto comercial é o agro e ele pretende usar o escritório como facilitador de exportações e também de investimentos chineses no Brasil.

Revista Canavieiros: Esse escritório na China pode ser uma ferramenta útil no sentido de derrubar as barreiras de importação ao açúcar brasileiro?
Junqueira: Não só do açúcar, mas também do etanol. Acho que a ideia é usar isso não como uma ferramenta para derrubar, mas para negociar. Os chineses são negociadores muito hábeis e qualificados. Como disse no começo da entrevista, não existe exportação sem a importação, então vamos ter que ter habilidade para abrir os mercados de açúcar e etanol que, se bem trabalhados, diante do potencial, será um golaço.
Agora nós temos que ter capacidade para entregar o que é negociado, e esse sim é um ponto chave nessa equação.

Revista Canavieiros: Algumas medidas foram anunciadas para solucionar a pataquada do governo França quanto a proibição da caça ao javali. Como o senhor imagina resolver o problema diante dessa ação?
Junqueira: Durante a Agrishow, eu, o Marcos Penido e o João Dória assinamos uma resolução conjunta. Fechamos a atividade de controle do javali pelo governo do Estado de São Paulo e adotamos o sistema do Ibama.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez uma instrução normativa há algumas semanas que deixa muito claro seu objetivo em resolver o problema do javali no Brasil, que é simplificar o controle dessa praga.
É preciso mostrar que a disseminação do javali não atrapalha só a questão da produção agropecuária, mas também é um grande vilão da biodiversidade porque ele ataca as áreas de proteção e as nascentes.
Além disso, há um potencial risco de disseminação de doenças, principalmente na questão de produção de suínos. O maior exemplo disso é a peste suína africana que está dizimando todo o plantel chinês e já acarretou num abatimento, nesses últimos meses, o equivalente à soma do plantel americano e canadense juntos.
É uma barbaridade o que já se sacrificou de animais e isso pode vir para cá e ser rapidamente alastrado por conta de um veículo letal que é a praga do javali.
Então, a adoção do sistema do Ibama, adicionado ao fato de que nós declaramos o javali como uma praga de interesse peculiar do estado, nos dá uma ferramenta, uma flexibilidade para fazermos o controle efetivo.

Revista Canavieiros: E qual o papel do produtor no combate ao javali?
Junqueira: A parceria com os produtores rurais é fundamental. Eles terão as suas licenças concedidas e assim estarão regularizados para nos apoiar nesse controle.
Porém, faço aqui um alerta muito importante, pois estamos identificando o surgimento da criação em cativeiro com o objetivo de promoção da caça. Lógico que essa prática não é permitida porque eleva muito o risco de alastrar ainda mais a população.
Atuaremos firmemente contra essa prática, no entanto é difícil para o estado fiscalizar toda a extensão rural e por isso contamos com a ajuda dos produtores rurais em denunciar. Precisamos nos tornar um país moderno, civilizado, e o agricultor precisa assumir o posto de fiscalizador e controlar malfeitos.
Volto a repetir que se a população tiver conhecimento de práticas como essa, deve denunciar para que as autoridades tomem as medidas legais cabíveis.

Revista Canavieiros: Praticamente todo o desenvolvimento tecnológico do amendoim vem do IAC e sempre que surge um novo governo há o receio de que o investimento nessa cultura possa ser diminuído. Esse trabalho será mantido?
Junqueira: O amendoim é um patrimônio paulista, nós somos responsáveis por mais de 70% de toda a produção brasileira. Temos uma indústria que é exemplo de qualidade e profissionalismo, fora as cooperativas que fazem trabalhos maravilhosos no sentido de disseminar a importância da cultura. A secretaria, através do IAC, fará os investimentos e os treinamentos necessários para que não só continuemos com o trabalho desenvolvido no amendoim, mas também potencializá-lo.

Fonte: Revista Canavieiros

Extremistas não terão vez na agricultura paulista

12/06/2019

Por: Marino Guerra


Equilibrada. Assim pode-se definir a personalidade de Gustavo Junqueira, profissional do mundo agro escolhido pelo governador João Dória para assumir a pasta de Agricultura e Abastecimento do governo paulista.

E, dessa maneira, como um equilibrista, que sabe de maneira controlada e tranquila como dar cada passo, Junqueira, de 46 anos, mostra nessa entrevista exclusiva concedida à Revista Canavieiros durante a Agrishow, qual será a postura do poder estadual em assuntos como a integração com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, pesquisa e desenvolvimento focados na inovação ligada às soluções necessárias para o campo e a defesa da produção agrícola paulista. Temas que envolvem diretamente o setor sucroenergético.

Junqueira se mostra bastante maduro e realista ao abordar assuntos corroídos por extremistas em nossa sociedade. Como aqueles relacionados ao comércio exterior, onde deixa claro que para exportar também é preciso importar, e a sustentabilidade, ao enfatizar que, para ela existir, é preciso o equilíbrio do tripé formado pelo desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Revista Canavieiros: Quem é Gustavo Junqueira? Qual a sua ligação com o agro?
Gustavo Junqueira: Eu nasci em Orlândia, fui criado no mundo agro, meu pai sempre plantou cana-de-açúcar. Minha família também cultiva milho, atua na pecuária (gado de corte) e em grãos. Com isso, nossa operação vai além de São Paulo, atingindo Minas Gerais e também o sul do Pará.
Entre 2014 e 2017 fui presidente da Sociedade Rural Brasileira, entidade que faço parte do conselho até hoje.

Revista Canavieiros: Há uma percepção que na região de Orlândia, com o fechamento de uma grande cooperativa há alguns anos, os produtores perderam a confiança no cooperativismo devido aos traumas deixados por ela. Compactua dessa visão?
Junqueira: Eu não enxergo que há esse trauma, talvez essa percepção venha de modo pontual em alguns produtores. O cooperativismo no Estado de São Paulo é muito forte, não tem como pensar no desenvolvimento do agro nacional sem as cooperativas.

Revista Canavieiros: Qual motivo o senhor aponta para o fato de São Paulo ter cooperativas agropecuárias e de crédito voltadas ao campo tão fortes?
Junqueira: Aqui há um cenário desenhado com a maioria das propriedades pequenas e médias fornecendo sua produção para grandes agroindústrias. Acontece isso na cana, na laranja, no café, entre outras culturas.
Diante disso, o cooperativismo é essencial para esses produtores terem escala tanto de compra como venda para permanecerem competitivos e vivos no negócio. Trata-se de um modelo de negócio onde o foco está na coletividade, e considerando que as correntes econômicas estão direcionadas a esse conceito, tenho certeza que o cooperativismo não parará de crescer.

Revista Canavieiros: No final de agosto o período de taxação sobre a importação do etanol norte-americano termina. Qual cenário o senhor imagina caso essa medida não seja renovada?
Junqueira: Acho que tem que ser analisado com equilíbrio. De maneira geral, o Brasil tem trilhado para uma direção liberal, no entanto esse caminho precisa ser percorrido em etapas. A visão que tenho é que para sermos cada vez melhores exportadores, temos que ser importadores.
O etanol possui capacidade suficiente para competir nesse mercado. Acima da taxação há possibilidades de negócios muito maiores como, por exemplo, um esforço em conjunto com os americanos para conseguir abrir o mercado chinês de etanol.

Revista Canavieiros: Mas para pensar em abastecer os tanques chineses é preciso evoluir no ganho de produtividade, principalmente dos canaviais...
Junqueira: Volto a enfatizar a importância de trabalharmos focados sempre num ambiente de competitividade, pois assim teremos ganhos de produtividade. E para a cana-de-açúcar, que sofre para voltar a produzir bem desde a implementação da colheita mecanizada e, consequentemente, a necessidade de um manejo totalmente novo, isso é ainda mais evidente.
Dentro da secretaria, nos cabe fomentar cada vez mais o trabalho de pesquisa, ciência e tecnologia, o qual temos um exemplo bem positivo no Centro de Cana do IAC com o plantio em meiosi de MPBs (Mudas Pré-Brotadas).
Durante a Agrishow fomos testemunhas do alto volume de tecnologia disponível para o campo, fora o grande potencial de descobertas que se tornarão soluções disruptivas e inovadoras. O grande desafio é conseguir levar tudo isso para um número cada vez maior de pessoas.
Considerando o cenário de tecnologia como ferramenta para a produtividade, há um ponto de preocupação que é o fato de muitos produtores apresentarem um nível de inovação muito baixo, para não dizer nulo. Diante disso, é obrigação de todos os agentes da cadeia – governo, centros de pesquisa, cooperativas, indústrias – realizarem um trabalho amplo de difusão dessas práticas e conhecimento.

Revista Canavieiros: Falando em difusão de conhecimento, não dá para deixar de considerar que há um enorme desperdício de tempo e recursos no desenvolvimento científico do país pelo simples fato do mundo acadêmico ter sérias dificuldades para se alinhar naquilo que o setor produtivo realmente precisa. Como enxerga esse cenário?
Junqueira: Eu acho que as universidades têm uma gestão sobre os seus currículos e suas áreas de pesquisa que não me cabe, na função de secretário da Agricultura, abordar.
O que me cabe dizer é sobre os institutos de pesquisa, como o IAC, e nesses ambientes o foco é fazer com que a ciência esteja cada vez mais preocupada em solucionar problemas reais.
Esse é um trabalho de integração, temos que envolver a extensão rural, a assistência técnica, o setor privado e as cooperativas, fazendo com que o trânsito do que está se discutindo dentro do laboratório e o que está se falando no campo seja “online”. O pesquisador tem que sujar a botina de barro e o produtor tem que levar os seus desafios para os centros. Somente assim nossa pesquisa será assertiva perante os gargalos produtivos.
 
Revista Canavieiros: No mês passado, o secretário da Infraestrutura e Meio ambiente, Marcos Penido, disse que a sua pasta havia “trocado alianças” com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Como está o casamento?
Junqueira: Não dá para casar sozinho. O Marcos Penido é um grande parceiro do desenvolvimento do Estado de São Paulo e está focado numa agricultura, pecuária e indústria alimentícia sustentáveis.
Nesse sentido é preciso lembrar que a sustentabilidade não é só ambiental, o termo foi desgastando ao longo dos anos em decorrência dessa visão errônea. Nós temos que ter um desenvolvimento social, econômico e ambiental, essa é a nossa busca.
Com a vinda da gestão ambiental da Secretaria do Meio ambiente para a pasta da Agricultura, passamos a assumir a responsabilidade de fazer a gestão territorial, ou seja, tudo que ocorre dentro da área rural é de nossa alçada.

Revista Canavieiros: Muitos enxergam essa nova função apenas como a gestão georreferencial, do CAR ou do PRA. É “somente isso” mesmo?
Junqueira: Esse é um desafio que estamos encarando com muita seriedade. Em primeiro lugar porque a questão ambiental ficou muito caracterizada pelo replantio, mas ela vai além disso.
Agora é de nossa atribuição observar, por exemplo, a conservação de solo, questões de terraciamento e erosão. Outro ponto que atinge muito o setor sucroenergético é a compactação de solo.
Um exemplo prático é a erosão em decorrência da retirada das curvas de níveis, outro exemplo são os altos níveis de matéria orgânica colocada em cima do solo. Nesse caso, com as chuvas mais fortes, muito desse material é levado para os rios, o que causa um problema de supervegetação dos rios que acarreta, principalmente, em assoreamento.
Esses dois desafios são apenas para ilustrar o nível de detalhamento dos problemas que vão surgindo e que precisam ser identificados e resolvidos.

Revista Canavieiros: O problema da pulverização aérea também entra nesse balaio?
Junqueira: A questão da pulverização aérea é outro caso bastante interessante, pois mostra uma iniciativa do setor produtivo em estabelecer a convivência com as demais culturas vizinhas no sentido de desenvolvermos um protocolo claro dizendo como a prática deve funcionar.
O bom produtor, o bom empresário, não pode pagar pelo mau. Nós temos os protocolos, as regras, e os que fizerem errado ou malfeito terão a sua punição específica. Não podemos punir todos do setor, acredito que o alinhamento entre a agricultura e o meio ambiente é total, ou seja, nenhum dos lados extremistas terá  voz nessa gestão.
O governo João Dória é objetivo, pragmático, e é dessa maneira que acreditamos que o desenvolvimento do Estado de São Paulo será acelerado.

Revista Canavieiros: E quanto ao RenovaBio, o que pensa?
Junqueira: O RenovaBio é a conclusão de uma demanda antiga, ele foi se modelando até se materializar nessa política atual. É a resposta para uma pergunta de anos, que envolve o papel do etanol na matriz energética brasileira.
Com isso teremos a previsibilidade de quantos bilhões de litros serão introduzidos no mercado a cada ano, quantas usinas serão necessárias para chegarmos a essa produção, quantos hectares de terra serão necessários para mover essas usinas, aonde e como será distribuído esse produto, se compensa mais investir em alcoolduto ou em tancagem.
O programa também dará condições de pensarmos em estratégias de comércio exterior, ou seja, se será necessário importar, quanto precisaremos produzir a mais para atender a uma eventual demanda chinesa, qual produtividade industrial será necessária para atender a determinado cenário.
O RenovaBio elucidará todos esses pontos, possibilitando um planejamento do setor necessário há bastante tempo.

Revista Canavieiros: E o papel da secretaria nesse contexto?
Junqueira: Toda a regulamentação legal do RenovaBio é função do governo federal. No entanto, acompanhamos-a diariamente, já que 45% de todo o PIB do agronegócio paulista vem do setor sucroenergético.

Revista Canavieiros: É inegável que o governador João Dória é um dos maiores comunicadores desse país. Como poderíamos utilizar esse talento na quebra do censo comum nacional e internacional de que a atividade agropecuária é um dos principais atores poluentes do globo?
Junqueira: O governador é nitidamente um líder do agro. Ele tem vocação para liderar e bastante conhecimento na área, então essas duas coisas em conjunto traz para ele uma capacidade ímpar de comunicar a importância do setor.
Tamanho é esse respeito que entre os dias 11 a 16 de maio teremos uma agenda intensa com investidores em Nova York. Além disso, o governador será o speaker (palestrante principal) do Sugar Dinner, que é o jantar da indústria dos EUA. O último brasileiro que assumiu tal posição foi Pratini de Moraes que, na época, era ministro da Agricultura do governo de Fernando Henrique Cardoso. Dória ficou muito honrado com o convite e fará o papel de patrono do agro brasileiro.
Em agosto iremos à China, onde o governador abrirá o escritório do Estado de São Paulo em Xangai. O principal objetivo desse ponto comercial é o agro e ele pretende usar o escritório como facilitador de exportações e também de investimentos chineses no Brasil.

Revista Canavieiros: Esse escritório na China pode ser uma ferramenta útil no sentido de derrubar as barreiras de importação ao açúcar brasileiro?
Junqueira: Não só do açúcar, mas também do etanol. Acho que a ideia é usar isso não como uma ferramenta para derrubar, mas para negociar. Os chineses são negociadores muito hábeis e qualificados. Como disse no começo da entrevista, não existe exportação sem a importação, então vamos ter que ter habilidade para abrir os mercados de açúcar e etanol que, se bem trabalhados, diante do potencial, será um golaço.
Agora nós temos que ter capacidade para entregar o que é negociado, e esse sim é um ponto chave nessa equação.

Revista Canavieiros: Algumas medidas foram anunciadas para solucionar a pataquada do governo França quanto a proibição da caça ao javali. Como o senhor imagina resolver o problema diante dessa ação?
Junqueira: Durante a Agrishow, eu, o Marcos Penido e o João Dória assinamos uma resolução conjunta. Fechamos a atividade de controle do javali pelo governo do Estado de São Paulo e adotamos o sistema do Ibama.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez uma instrução normativa há algumas semanas que deixa muito claro seu objetivo em resolver o problema do javali no Brasil, que é simplificar o controle dessa praga.
É preciso mostrar que a disseminação do javali não atrapalha só a questão da produção agropecuária, mas também é um grande vilão da biodiversidade porque ele ataca as áreas de proteção e as nascentes.
Além disso, há um potencial risco de disseminação de doenças, principalmente na questão de produção de suínos. O maior exemplo disso é a peste suína africana que está dizimando todo o plantel chinês e já acarretou num abatimento, nesses últimos meses, o equivalente à soma do plantel americano e canadense juntos.
É uma barbaridade o que já se sacrificou de animais e isso pode vir para cá e ser rapidamente alastrado por conta de um veículo letal que é a praga do javali.
Então, a adoção do sistema do Ibama, adicionado ao fato de que nós declaramos o javali como uma praga de interesse peculiar do estado, nos dá uma ferramenta, uma flexibilidade para fazermos o controle efetivo.

Revista Canavieiros: E qual o papel do produtor no combate ao javali?
Junqueira: A parceria com os produtores rurais é fundamental. Eles terão as suas licenças concedidas e assim estarão regularizados para nos apoiar nesse controle.
Porém, faço aqui um alerta muito importante, pois estamos identificando o surgimento da criação em cativeiro com o objetivo de promoção da caça. Lógico que essa prática não é permitida porque eleva muito o risco de alastrar ainda mais a população.
Atuaremos firmemente contra essa prática, no entanto é difícil para o estado fiscalizar toda a extensão rural e por isso contamos com a ajuda dos produtores rurais em denunciar. Precisamos nos tornar um país moderno, civilizado, e o agricultor precisa assumir o posto de fiscalizador e controlar malfeitos.
Volto a repetir que se a população tiver conhecimento de práticas como essa, deve denunciar para que as autoridades tomem as medidas legais cabíveis.

Revista Canavieiros: Praticamente todo o desenvolvimento tecnológico do amendoim vem do IAC e sempre que surge um novo governo há o receio de que o investimento nessa cultura possa ser diminuído. Esse trabalho será mantido?
Junqueira: O amendoim é um patrimônio paulista, nós somos responsáveis por mais de 70% de toda a produção brasileira. Temos uma indústria que é exemplo de qualidade e profissionalismo, fora as cooperativas que fazem trabalhos maravilhosos no sentido de disseminar a importância da cultura. A secretaria, através do IAC, fará os investimentos e os treinamentos necessários para que não só continuemos com o trabalho desenvolvido no amendoim, mas também potencializá-lo.