http://www.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
http://bit.ly/2Ye0HZd
http://inovacana.ideaonline.com.br
http://www.conferences.datagro.com/produto/conferenciadatagro2019/

MARGEM DE BOM-SENSO

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Cana-de-Açúcar

03/09/2019
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Por: Marino Guerra
 
A primeira conclusão que se tem ao olhar os números referentes aos custos de produção de cana no Centro-Sul do Brasil, divulgados anualmente pelo Pecege, é de algo totalmente incompreensível já que a atividade ainda está de pé após tanto tempo em patamares extremamente altos.
 
Na média de 38 cidades, o custo de reforma fechou a safra em R$ 7,11 mil por hectare. Quando observados os tratos de soca, o valor foi de R$ 1,87 mil/ha; o valor da colheita fechou em R$ 33/t colhida, enquanto que o desembolso administrativo foi de R$ 433/ha e a depreciação ficou em R$ 177/ha.
 
O arrendamento é com certeza um dos valores que mais assombra o setor hoje. No ano passado fechou em R$ 1,2 mil/ha, mais que o dobro do custo de capital fechado em R$ 499/ha, o que leva à conclusão de que o mercado de aluguel de terra é muito mais aquecido que o de venda.
 
Ao olhar com mais cuidado as informações referentes aos custos de reforma, foi identificado um grande buraco que separa as operações que conseguem gastar muito pouco, como em seis pontos da pesquisa que registraram valores abaixo dos R$ 6 mil (Campo Florido-MG, Cianorte-PR, Bariri-SP, Chavantes-SP, Jaú-SP e Ourinhos-SP).
 
Das que estão gastando muito dinheiro para plantar cana, cinco localizações reformaram suas áreas a um custo acima dos R$ 8,5 mil/ha. São elas: Cachoeira Dourada-GO, Araporã-MG, Dourados-MS, Araraquara-SP e Lençóis Paulista-SP.
 
Ao mudar a página para os tratos culturais de cana soca, há também uma diferença nos custos, sendo o mínimo o de Porto Feliz-SP (R$ 1,26 mil/ha) e, o máximo, em Cachoeira Dourada-GO (R$ 2,55 mil/ha). Contudo, neste caso, o investimento menor não significa maior eficiência, pelo contrário, os locais de maior custo estão nas regiões de fronteira de produção (Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) que também registraram os maiores ganhos de produtividade.
 
E a amplitude continua no custo por tonelada produzida, a qual fechou numa média de R$ 103,8/t, com variação entre R$ 83,00/t e R$ 125,00/t. Na composição do valor, três fatores ganham relevância em relação aos outros: a colheita aparece em primeiro, com 32% do custo total; tratos de soca e arrendamento dividem a segunda posição, representando 20% cada um.
 
Diante desse cenário, o produtor precisa agir em três frentes para abaixar esta conta. A primeira está relacionada com a produtividade (toneladas de ATR por hectare), pois como a planilha é formada quase que em sua totalidade por custos de natureza fixa, produzir mais na mesma área representará a diluição deles.
 
A segunda busca tem que ser pela longevidade do canavial, pois quanto mais velho, menor será a participação de seu valor na composição do custo de produção de cana.
 
Como exemplo, basta observar que o estudo aponta para uma média de seis cortes, sendo a reforma responsável por aproximadamente 15% do custo total. Dessa forma, levar a cana para nove anos fará com que esse valor caia 50%, considerando a mesma produtividade média.
 
Nesta configuração, ao saber que o valor da tonelada de cana no ano passado fechou em uma média de R$ 78/t (Consecana-SP), mesmo levando o canavial para nove cortes (fazendo com que o custo caia para R$ 87,50) e a produtividade sendo 10 kg/t maior (fechou em 135 kg/t), o preço da matéria-prima ficaria em R$ 84,50, deixando a operação ainda no vermelho.
 
Essa simulação é importante para ilustrar que é primordial ao fornecedor praticar a terceira ação, a negociação. Como visto, o CTT responde por mais de 30% da composição de custos, deixando óbvio que qualquer desconto em cima dele é de grande relevância. No entanto, ele não é o único item que pode entrar na mesa de negociação, pois na atualização do sistema de formação de preço desse ano (Consecana-SP) está prevista a remuneração pela qualidade, bem como o pagamento ao fornecedor de acordo com as informações do RenovaBio. 
 
Ainda dá para ganhar algumas cartas na mesa de negociação com a unidade industrial, principalmente perante o tamanho do contrato (tanto na questão de quantidade, como tempo), previsibilidade de entrega da cana e na geração de valor. Um exemplo de geração de valor é quando a usina abre ou utiliza uma estrada para ganhar eficiência logística ou para colocar uma tubulação de vinhaça, criando sinergia em alguma operação, principalmente se pensar na cultura de rotação, dentre outras.
 
Ao considerar que o departamento agrícola de uma usina produz sua própria cana gastando R$ 111,30/t, há uma margem de pelo menos R$ 7,5/t de puro bom-senso.


Fonte: Revista Canavieiros

MARGEM DE BOM-SENSO

03/09/2019

Por: Marino Guerra
 
A primeira conclusão que se tem ao olhar os números referentes aos custos de produção de cana no Centro-Sul do Brasil, divulgados anualmente pelo Pecege, é de algo totalmente incompreensível já que a atividade ainda está de pé após tanto tempo em patamares extremamente altos.
 
Na média de 38 cidades, o custo de reforma fechou a safra em R$ 7,11 mil por hectare. Quando observados os tratos de soca, o valor foi de R$ 1,87 mil/ha; o valor da colheita fechou em R$ 33/t colhida, enquanto que o desembolso administrativo foi de R$ 433/ha e a depreciação ficou em R$ 177/ha.
 
O arrendamento é com certeza um dos valores que mais assombra o setor hoje. No ano passado fechou em R$ 1,2 mil/ha, mais que o dobro do custo de capital fechado em R$ 499/ha, o que leva à conclusão de que o mercado de aluguel de terra é muito mais aquecido que o de venda.
 
Ao olhar com mais cuidado as informações referentes aos custos de reforma, foi identificado um grande buraco que separa as operações que conseguem gastar muito pouco, como em seis pontos da pesquisa que registraram valores abaixo dos R$ 6 mil (Campo Florido-MG, Cianorte-PR, Bariri-SP, Chavantes-SP, Jaú-SP e Ourinhos-SP).
 
Das que estão gastando muito dinheiro para plantar cana, cinco localizações reformaram suas áreas a um custo acima dos R$ 8,5 mil/ha. São elas: Cachoeira Dourada-GO, Araporã-MG, Dourados-MS, Araraquara-SP e Lençóis Paulista-SP.
 
Ao mudar a página para os tratos culturais de cana soca, há também uma diferença nos custos, sendo o mínimo o de Porto Feliz-SP (R$ 1,26 mil/ha) e, o máximo, em Cachoeira Dourada-GO (R$ 2,55 mil/ha). Contudo, neste caso, o investimento menor não significa maior eficiência, pelo contrário, os locais de maior custo estão nas regiões de fronteira de produção (Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) que também registraram os maiores ganhos de produtividade.
 
E a amplitude continua no custo por tonelada produzida, a qual fechou numa média de R$ 103,8/t, com variação entre R$ 83,00/t e R$ 125,00/t. Na composição do valor, três fatores ganham relevância em relação aos outros: a colheita aparece em primeiro, com 32% do custo total; tratos de soca e arrendamento dividem a segunda posição, representando 20% cada um.
 
Diante desse cenário, o produtor precisa agir em três frentes para abaixar esta conta. A primeira está relacionada com a produtividade (toneladas de ATR por hectare), pois como a planilha é formada quase que em sua totalidade por custos de natureza fixa, produzir mais na mesma área representará a diluição deles.
 
A segunda busca tem que ser pela longevidade do canavial, pois quanto mais velho, menor será a participação de seu valor na composição do custo de produção de cana.
 
Como exemplo, basta observar que o estudo aponta para uma média de seis cortes, sendo a reforma responsável por aproximadamente 15% do custo total. Dessa forma, levar a cana para nove anos fará com que esse valor caia 50%, considerando a mesma produtividade média.
 
Nesta configuração, ao saber que o valor da tonelada de cana no ano passado fechou em uma média de R$ 78/t (Consecana-SP), mesmo levando o canavial para nove cortes (fazendo com que o custo caia para R$ 87,50) e a produtividade sendo 10 kg/t maior (fechou em 135 kg/t), o preço da matéria-prima ficaria em R$ 84,50, deixando a operação ainda no vermelho.
 
Essa simulação é importante para ilustrar que é primordial ao fornecedor praticar a terceira ação, a negociação. Como visto, o CTT responde por mais de 30% da composição de custos, deixando óbvio que qualquer desconto em cima dele é de grande relevância. No entanto, ele não é o único item que pode entrar na mesa de negociação, pois na atualização do sistema de formação de preço desse ano (Consecana-SP) está prevista a remuneração pela qualidade, bem como o pagamento ao fornecedor de acordo com as informações do RenovaBio. 
 
Ainda dá para ganhar algumas cartas na mesa de negociação com a unidade industrial, principalmente perante o tamanho do contrato (tanto na questão de quantidade, como tempo), previsibilidade de entrega da cana e na geração de valor. Um exemplo de geração de valor é quando a usina abre ou utiliza uma estrada para ganhar eficiência logística ou para colocar uma tubulação de vinhaça, criando sinergia em alguma operação, principalmente se pensar na cultura de rotação, dentre outras.
 
Ao considerar que o departamento agrícola de uma usina produz sua própria cana gastando R$ 111,30/t, há uma margem de pelo menos R$ 7,5/t de puro bom-senso.