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O naufrágio do etanol de cana é a maior vergonha do Brasil na Rio+20

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Etanol

04/06/2012
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Um dos nossos negócios mais promissores, o sucro-energético, vem naufragando nos últimos anos, numa tragédia amplamente anunciada, com visíveis prejuízos à sociedade brasileira. Aqui não trarei os números existentes para todas estas colocações, mas os fatos que levaram ao naufrágio.
 A cana foi reconhecida por cientistas como uma das plantas mais aptas para transformar a energia do sol em energia renovável. De seu processamento gera-se o açúcar, o etanol, a eletricidade,  o plástico, além de muitos outros produtos. Via engenharia genética de levedura, gera-se o diesel, o querosene e a gasolina, tudo renovável para a demandante sociedade mundial. Este setor energético traz poder e conforto ao Brasil, milhões de empregos, grandes exportações e reduz importações, num claro beneficio à sociedade.
Grandes investimentos foram feitos por empresas de Petróleo, tradings americanas, europeias e asiáticas, cooperativas de produtores agrícolas franceses, grupos nacionais, entre outros que acreditaram na cana e no etanol. Apesar de fundamentos fortemente favoráveis, hoje estes ativos não apresentam rentabilidade, o setor não cresce mais e investidores estão arrumando as malas, o que gera um prejuízo, também de imagem e credibilidade.
A falta de rentabilidade é consequência de preços não remuneradores e custos de produção elevados, advindas de três conjuntos de fatores. Os primeiros dois, ineficiências do setor produtivo e fatores de mercado (principalmente os preços internacionais do açúcar) têm um terço de responsabilidade e serão tema de outro artigo.  O terceiro, com dois terços de responsabilidade, é a equivocada política do Governo brasileiro, principalmente o Federal.
Exigências e ineficiências do Governo geraram sensíveis aumentos de custos, o etanol de cana recebe quase o mesmo elevado tributo que a poluente gasolina e a energia elétrica limpa e renovável advinda da cana tem a mesma falta de reconhecimento. Com isto, o Governo não privilegia fontes renováveis e limpas.
O Governo controla o preço da gasolina e coloca um teto no preço do etanol. É um claro processo de dumping feito pela Petrobrás, obrigada a importar gasolina e vender no mercado interno a um preço menor que o pago, com prejuízo à empresa, à seus acionistas e ao setor de cana, onde também é acionista.
Duas rápidas ações do Governo, que vêm sendo solicitadas há anos, trariam efeito imediato: um ligeiro aumento no preço da gasolina e uma redução tributária do etanol e da eletricidade da cana.
Ao mesmo tempo, nos EUA, o programa de combustíveis renováveis usando o etanol de milho, visivelmente menos competitivo que o etanol de cana, cumpriu o seu papel.  Lá existe uma política pública clara, estratégica e bem desenhada. Ganhou a sociedade americana, que com o etanol de milho, gerou trabalho e produção, interiorizou desenvolvimento, criou empregos e tributos, produziu internamente combustível renovável, reduziu sua dependência de importação de petróleo, reduziu emissões de carbono e por fim, ganhou um produto exportável. Por mais incrível que possa parecer, os EUA encontraram no Brasil, o seu antigo parceiro das lutas em favor do fortalecimento do etanol como commodity mundial, um grande comprador do seu etanol.
É interessante observar que o etanol de cana é um combustível limpo e renovável, de emissão praticamente zero, quando considerada toda sua cadeia produtiva. Seus competidores são altamente poluentes. Pesquisa divulgada na revista Nature comprovou que a cana esfria a temperatura nas regiões onde está sendo produzida. É uma planta que, com inovação, pode produzir três vezes mais na mesma área. Sua grande expansão no Brasil envolveria desmatamento zero.
Porém, apesar de todos os benefícios ambientais, sociais e econômicos que sua produção e uso trás, a cana não desperta os interesses destes mobilizados brasileiros e estrangeiros das ONG’s, cartunistas e artistas que aderiram à competentemente orquestrada campanha “Veta Tudo Dilma”, feita para o Código Florestal. Fica aqui lançada a sugestão para que esta gente possa, com a mesma força e mobilização, criar o movimento “Veta Gasolina, Presidente Dilma”. Seria um importante e coerente apoio.
Há muito tempo, e mais fortemente desde a crise do final de 2008, em discursos, entrevistas e textos clamamos por uma política pública, por uma estratégia de médio e longo prazo que privilegie no Brasil as fontes renováveis de energia. Faltou sensibilidade econômica, ambiental e social no Governo.
Nosso comunicativo ex-presidente fez o elogiável trabalho de alardear ao mundo os benefícios ambientais, econômicos e sociais do etanol de cana, prometendo que seriamos grandes produtores e exportadores, e também a imagem de sua mão suja de petróleo no dia do anúncio da “auto-suficiência” do Brasil circulou por todos os lugares. Pouco tempo após, somos importadores de petróleo, de gasolina, de etanol norte-americano, o etanol de cana perdeu participação no mercado interno e perdemos espaço no mercado mundial de açúcar. Prejuízo geral para nossa sociedade, mais um caso evidente de discurso desalinhado com a prática. Muitos tem memória curta, alguns não.
Políticas públicas coerentes precisam vir e se sabe quais são as necessárias. Mas já virão tarde. O estrago já foi feito, o prejuízo à sociedade e aos empresários do setor é quantificável e aumenta ano a ano. É difícil recuperar rápido este apagão de quatro anos, muitos postos de trabalho já foram perdidos, impostos deixaram de ser coletados, exportações minguaram, importações já foram consumidas e a luta contra a inflação perdeu um aliado. Fica registrado no currículo de quem esteve à frente neste período da gestão, o naufrágio do etanol de cana, a maior vergonha do Brasil na Rio+ 20.

Fonte: Marcos Fava Neves

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O naufrágio do etanol de cana é a maior vergonha do Brasil na Rio+20

04/06/2012

Um dos nossos negócios mais promissores, o sucro-energético, vem naufragando nos últimos anos, numa tragédia amplamente anunciada, com visíveis prejuízos à sociedade brasileira. Aqui não trarei os números existentes para todas estas colocações, mas os fatos que levaram ao naufrágio.
 A cana foi reconhecida por cientistas como uma das plantas mais aptas para transformar a energia do sol em energia renovável. De seu processamento gera-se o açúcar, o etanol, a eletricidade,  o plástico, além de muitos outros produtos. Via engenharia genética de levedura, gera-se o diesel, o querosene e a gasolina, tudo renovável para a demandante sociedade mundial. Este setor energético traz poder e conforto ao Brasil, milhões de empregos, grandes exportações e reduz importações, num claro beneficio à sociedade.
Grandes investimentos foram feitos por empresas de Petróleo, tradings americanas, europeias e asiáticas, cooperativas de produtores agrícolas franceses, grupos nacionais, entre outros que acreditaram na cana e no etanol. Apesar de fundamentos fortemente favoráveis, hoje estes ativos não apresentam rentabilidade, o setor não cresce mais e investidores estão arrumando as malas, o que gera um prejuízo, também de imagem e credibilidade.
A falta de rentabilidade é consequência de preços não remuneradores e custos de produção elevados, advindas de três conjuntos de fatores. Os primeiros dois, ineficiências do setor produtivo e fatores de mercado (principalmente os preços internacionais do açúcar) têm um terço de responsabilidade e serão tema de outro artigo.  O terceiro, com dois terços de responsabilidade, é a equivocada política do Governo brasileiro, principalmente o Federal.
Exigências e ineficiências do Governo geraram sensíveis aumentos de custos, o etanol de cana recebe quase o mesmo elevado tributo que a poluente gasolina e a energia elétrica limpa e renovável advinda da cana tem a mesma falta de reconhecimento. Com isto, o Governo não privilegia fontes renováveis e limpas.
O Governo controla o preço da gasolina e coloca um teto no preço do etanol. É um claro processo de dumping feito pela Petrobrás, obrigada a importar gasolina e vender no mercado interno a um preço menor que o pago, com prejuízo à empresa, à seus acionistas e ao setor de cana, onde também é acionista.
Duas rápidas ações do Governo, que vêm sendo solicitadas há anos, trariam efeito imediato: um ligeiro aumento no preço da gasolina e uma redução tributária do etanol e da eletricidade da cana.
Ao mesmo tempo, nos EUA, o programa de combustíveis renováveis usando o etanol de milho, visivelmente menos competitivo que o etanol de cana, cumpriu o seu papel.  Lá existe uma política pública clara, estratégica e bem desenhada. Ganhou a sociedade americana, que com o etanol de milho, gerou trabalho e produção, interiorizou desenvolvimento, criou empregos e tributos, produziu internamente combustível renovável, reduziu sua dependência de importação de petróleo, reduziu emissões de carbono e por fim, ganhou um produto exportável. Por mais incrível que possa parecer, os EUA encontraram no Brasil, o seu antigo parceiro das lutas em favor do fortalecimento do etanol como commodity mundial, um grande comprador do seu etanol.
É interessante observar que o etanol de cana é um combustível limpo e renovável, de emissão praticamente zero, quando considerada toda sua cadeia produtiva. Seus competidores são altamente poluentes. Pesquisa divulgada na revista Nature comprovou que a cana esfria a temperatura nas regiões onde está sendo produzida. É uma planta que, com inovação, pode produzir três vezes mais na mesma área. Sua grande expansão no Brasil envolveria desmatamento zero.
Porém, apesar de todos os benefícios ambientais, sociais e econômicos que sua produção e uso trás, a cana não desperta os interesses destes mobilizados brasileiros e estrangeiros das ONG’s, cartunistas e artistas que aderiram à competentemente orquestrada campanha “Veta Tudo Dilma”, feita para o Código Florestal. Fica aqui lançada a sugestão para que esta gente possa, com a mesma força e mobilização, criar o movimento “Veta Gasolina, Presidente Dilma”. Seria um importante e coerente apoio.
Há muito tempo, e mais fortemente desde a crise do final de 2008, em discursos, entrevistas e textos clamamos por uma política pública, por uma estratégia de médio e longo prazo que privilegie no Brasil as fontes renováveis de energia. Faltou sensibilidade econômica, ambiental e social no Governo.
Nosso comunicativo ex-presidente fez o elogiável trabalho de alardear ao mundo os benefícios ambientais, econômicos e sociais do etanol de cana, prometendo que seriamos grandes produtores e exportadores, e também a imagem de sua mão suja de petróleo no dia do anúncio da “auto-suficiência” do Brasil circulou por todos os lugares. Pouco tempo após, somos importadores de petróleo, de gasolina, de etanol norte-americano, o etanol de cana perdeu participação no mercado interno e perdemos espaço no mercado mundial de açúcar. Prejuízo geral para nossa sociedade, mais um caso evidente de discurso desalinhado com a prática. Muitos tem memória curta, alguns não.
Políticas públicas coerentes precisam vir e se sabe quais são as necessárias. Mas já virão tarde. O estrago já foi feito, o prejuízo à sociedade e aos empresários do setor é quantificável e aumenta ano a ano. É difícil recuperar rápido este apagão de quatro anos, muitos postos de trabalho já foram perdidos, impostos deixaram de ser coletados, exportações minguaram, importações já foram consumidas e a luta contra a inflação perdeu um aliado. Fica registrado no currículo de quem esteve à frente neste período da gestão, o naufrágio do etanol de cana, a maior vergonha do Brasil na Rio+ 20.