http://www.rossam.com.br/
http://bit.ly/2C9S3Bp
http://conferences.datagro.com/eventos/santanderisodatagro/
http://www.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://www.fmcagricola.com.br/index.aspx

Vamos conhecer? Colheita mecanizada do amendoim - qualidade em cada etapa

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Agronegócio

04/04/2019
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O amendoim, cultura de grande importância econômica para nossa região, demanda muita atenção e planejamento para obter uma boa produtividade e qualidade do produto final. Vamos conhecer os tipos de perdas existentes e como um fator como a velocidade de deslocamento pode afetar sua produção.
A colheita mecanizada do amendoim tornou-se indispensável para a otimização do cultivo dessa oleaginosa em escala comercial, substituindo a colheita manual. Esta  substituição veio ajudar a solucionar o grande problema encontrado para a difusão da cultura do amendoim no agronegócio brasileiro, pois quando comparada a outras culturas de ciclo anual, a mecanização da cultura do amendoim ainda era deficiente.
Devido ao fato da cultura produzir seus frutos abaixo da superfície do solo, possui a particularidade de ser realizada em duas fases:
 
1- Arranquio: refere-se à primeira operação para a realização da colheita propriamente dita, após a cultura atingir o ponto ideal de maturação. Neste sentido, a operação utiliza um equipamento denominado de arrancador-invertedor, o qual faz simultaneamente o arranquio e enleiramento do amendoim, através de lâminas cortadoras que penetram o solo abaixo das vagens da planta, tendo por finalidade cortar as raízes e proporcionar o afofamento do solo ao redor das vagens. Nas máquinas, eles são conduzidos por uma esteira e caem sobre um dispositivo que realiza o enleiramento das plantas na superfície do solo.
 
2- Recolhimento: Após a secagem ao sol ou cura, é feito o recolhimento e despencamento das vagens de forma mecanizada. O equipamento utilizado para esta finalidade é acoplado na barra de tração do trator e acionado pela tomada de potência. Na parte dianteira existe uma plataforma recolhedora que pega as plantas enleiradas do solo por meio de dedos com molas e as conduz a uma esteira elevadora, a qual por sua vez conduz as plantas para o mecanismo de batimento ou despencamento constituído pelo cilindro batedor e pelo côncavo.

O cilindro batedor trabalha a baixas rotações, normalmente de 400 rpm a 600 rpm, e o côncavo é constituído de uma tela perfurada em formato de um losango onde ocorre a separação das vagens das demais partes da planta. Após a separação, as vagens passam por um sistema de limpeza composto por peneiras vibratórias e ar, de maneira semelhante às colhedoras de grãos e cereais, sendo que, em seguida, as vagens são conduzidas a uma caçamba graneleira própria onde são armazenadas ou podem ser ensacadas com auxílio de um operador. Atualmente, a maioria dos equipamentos de recolhimento possui uma caçamba basculante para armazenamento do amendoim em vagem e para o esvaziamento da mesma e  cilindros hidráulicos externos acionados pelo trator levantam a caçamba e fazem o descarregamento nos veículos utilizados no transporte.
 
 
A maior parte das perdas de colheita ocorre na operação de arranquio e estas podem atingir altos patamares quando a operação não for cuidadosamente gerenciada. Essas perdas são inevitáveis principalmente quando o pedúnculo encontra-se enfraquecido devido ao excesso de maturação ou quando há a desfolha prematura causada por doenças, ou ainda, quando o solo encontra-se com baixo teor de água e grande compactação. Em condições normais é possível obter perdas de 5% ou menos da produtividade se o arrancador estiver devidamente regulado e for operado corretamente.
Para coleta das perdas, a leira formada após a passagem do arrancador deve ser cuidadosamente retirada, colocando-se neste local uma armação metálica de aproximadamente 2 m2 (1,11x1,80 m), transversalmente à leira, coletando-se manualmente as perdas visíveis e as invisíveis localizadas até a profundidade de 0,15 m. A definição da largura da armação correspondeu à largura de trabalho do arrancador-invertedor.
 
- Perdas visíveis: correspondem às vagens e grãos que após o arranquio são encontrados na superfície do solo,
 
- Perdas invisíveis: correspondem às vagens e grãos que após o arranquio são encontrados abaixo da superfície do solo.
 
A colheita é uma das mais importantes etapas do processo de produção agrícola e, assim como em outras culturas, também na do amendoim deve ser finalizada no menor tempo possível, pois as ocorrências de fatores climáticos adversos possibilitam o aumento das perdas. Além disso, existem outros fatores relacionados à regulagem e operação das máquinas que também podem acarretar perdas durante a colheita.

O monitoramento dessas perdas possibilita a detecção de erros que, porventura, possam ocorrer durante o processo, permitindo a correção dos mesmos, de modo que as perdas possam ser minimizadas e não venham a ocasionar quedas na produção. Um dos fatores que se destaca é a velocidade de deslocamento do conjunto trator-arrancado. Durante um experimento, com o objetivo de fazer um comparativo das perdas visíveis e invisíveis em três velocidades de deslocamento diferentes tivemos os seguintes resultados:
 
- Perdas Visíveis no Arranquio (PVA)
A maior variabilidade foi encontrada para o tratamento no qual a velocidade de trabalho foi de 4,0 km h-1 (Figura 1). Observa-se ainda que todos os pontos estão entre os limites superior e inferior de controle, resultando em um processo estocástico, com apenas variação naturais que podem não ocorrer em prejuízos durante a colheita de amendoim.

As maiores quantidades de perdas visíveis foram encontradas para a velocidade de trabalho de 4,0 km h-1, podendo ser relacionadas ao menor teor de água das vagens, independente do teor de água no solo ser maior. Na menor velocidade de trabalho, obteve-se as menores quantidades de perdas na colheita, na qual as vagens apresentaram o maior teor de água, resultando em uma maior resistência do pedúnculo durante o processo de arranquio e transporte na esteira vibratória do arrancador-invertedor.
 
 
 
Figura 1 - Perdas visíveis no arranquio (PVA) mecanizado de amendoim em função das velocidades de trabalho
 
- Perdas Invisíveis no Arranquio (PIA):
Apresentaram-se estável no decorrer do processo de colheita, demonstrando que o processo está livre de causas não aleatórias para todas as velocidades de trabalho (Figura 2). Há de relatar que a maior variabilidade foi verificada para o tratamento em função da velocidade de 4,0 km h-1, em relação às demais; e a menor variação foi encontrada para a menor velocidade de trabalho.

As PIAs ocorrem em função do baixo teor de água no solo e das vagens (TAS), porém, o que mais afetou as retiradas das vagens do solo foi o baixo TAS, que resultou nas maiores quantidades de perdas. Ressalta-se ainda que a menor perda foi constatada na baixa velocidade de trabalho. Por outro lado, quando a velocidade de trabalho é mais elevada, pode-se ocorrer o fenômeno da “flutuação” na qual a faca de corte do arrancador-invertedor atua em uma profundidade mais superficial do que a ideal para a colheita, refletindo assim em maiores quantidade de perdas invisíveis deixando as vagens no solo.
 
Figura 2 -  Perdas invisíveis no arranquio (PVA) mecanizado de amendoim em função das velocidades de trabalho
 
CONCLUSÃO
            As perdas visíveis no arranquio apresentaram valores superiores às perdas invisíveis, sendo as maiores responsáveis pela composição das perdas totais.
A menor velocidade de trabalho proporcionou perdas visíveis e invisíveis menores.
 
PARA REFLETIR:
 
No arranquio mecanizado de amendoim, o teor de água do solo é um indicador extremamente importante para o desempenho da operação. Além de afetar o arranquio das vagens que se encontram em subsuperfície, também atua no teor de água das vagens. Teores de água do solo menores acarretam teores de água das vagens também menores. Neste sentido, existe uma relação entre a resistência do ginóforo ao rompimento e o teor de água do solo, sendo que quando diminui o teor de água, diminui a resistência e, consequentemente, aumentam as perdas na colheita.
Tecnologias para a mecanização da cultura do amendoim já estão sendo disponibilizadas para produtores, cooperativas e demais empresas envolvidas no setor. A tecnologia voltada à produção desta cultura tem tudo para evoluir, pois os produtores estão em busca de técnicas agrícolas que permitam maior produtividade e menor custo de produção. Tais tecnologias, se bem empregadas, podem levar a cultura do amendoim a proporcionar lucros para o produtor. Neste sentido, o uso de técnicas de agricultura de precisão (AP) como o piloto automático vem a ser essencial, pois o mesmo permite  a realização de operações com menor erro de paralelismo, sendo relevante para o cultivo de amendoim, em que são realizadas operações mecanizadas tanto na semeadura quanto na colheita.

OBS.: PARA ACESSAR AS IMAGENS E FIGURAS CITADAS NESTE ARTIGO TÉCNICO, CONFIRA NOSSA VERSÃO DIGITAL.

Fonte: Revista Canavieiros

Vamos conhecer? Colheita mecanizada do amendoim - qualidade em cada etapa

04/04/2019

O amendoim, cultura de grande importância econômica para nossa região, demanda muita atenção e planejamento para obter uma boa produtividade e qualidade do produto final. Vamos conhecer os tipos de perdas existentes e como um fator como a velocidade de deslocamento pode afetar sua produção.
A colheita mecanizada do amendoim tornou-se indispensável para a otimização do cultivo dessa oleaginosa em escala comercial, substituindo a colheita manual. Esta  substituição veio ajudar a solucionar o grande problema encontrado para a difusão da cultura do amendoim no agronegócio brasileiro, pois quando comparada a outras culturas de ciclo anual, a mecanização da cultura do amendoim ainda era deficiente.
Devido ao fato da cultura produzir seus frutos abaixo da superfície do solo, possui a particularidade de ser realizada em duas fases:
 
1- Arranquio: refere-se à primeira operação para a realização da colheita propriamente dita, após a cultura atingir o ponto ideal de maturação. Neste sentido, a operação utiliza um equipamento denominado de arrancador-invertedor, o qual faz simultaneamente o arranquio e enleiramento do amendoim, através de lâminas cortadoras que penetram o solo abaixo das vagens da planta, tendo por finalidade cortar as raízes e proporcionar o afofamento do solo ao redor das vagens. Nas máquinas, eles são conduzidos por uma esteira e caem sobre um dispositivo que realiza o enleiramento das plantas na superfície do solo.
 
2- Recolhimento: Após a secagem ao sol ou cura, é feito o recolhimento e despencamento das vagens de forma mecanizada. O equipamento utilizado para esta finalidade é acoplado na barra de tração do trator e acionado pela tomada de potência. Na parte dianteira existe uma plataforma recolhedora que pega as plantas enleiradas do solo por meio de dedos com molas e as conduz a uma esteira elevadora, a qual por sua vez conduz as plantas para o mecanismo de batimento ou despencamento constituído pelo cilindro batedor e pelo côncavo.

O cilindro batedor trabalha a baixas rotações, normalmente de 400 rpm a 600 rpm, e o côncavo é constituído de uma tela perfurada em formato de um losango onde ocorre a separação das vagens das demais partes da planta. Após a separação, as vagens passam por um sistema de limpeza composto por peneiras vibratórias e ar, de maneira semelhante às colhedoras de grãos e cereais, sendo que, em seguida, as vagens são conduzidas a uma caçamba graneleira própria onde são armazenadas ou podem ser ensacadas com auxílio de um operador. Atualmente, a maioria dos equipamentos de recolhimento possui uma caçamba basculante para armazenamento do amendoim em vagem e para o esvaziamento da mesma e  cilindros hidráulicos externos acionados pelo trator levantam a caçamba e fazem o descarregamento nos veículos utilizados no transporte.
 
 
A maior parte das perdas de colheita ocorre na operação de arranquio e estas podem atingir altos patamares quando a operação não for cuidadosamente gerenciada. Essas perdas são inevitáveis principalmente quando o pedúnculo encontra-se enfraquecido devido ao excesso de maturação ou quando há a desfolha prematura causada por doenças, ou ainda, quando o solo encontra-se com baixo teor de água e grande compactação. Em condições normais é possível obter perdas de 5% ou menos da produtividade se o arrancador estiver devidamente regulado e for operado corretamente.
Para coleta das perdas, a leira formada após a passagem do arrancador deve ser cuidadosamente retirada, colocando-se neste local uma armação metálica de aproximadamente 2 m2 (1,11x1,80 m), transversalmente à leira, coletando-se manualmente as perdas visíveis e as invisíveis localizadas até a profundidade de 0,15 m. A definição da largura da armação correspondeu à largura de trabalho do arrancador-invertedor.
 
- Perdas visíveis: correspondem às vagens e grãos que após o arranquio são encontrados na superfície do solo,
 
- Perdas invisíveis: correspondem às vagens e grãos que após o arranquio são encontrados abaixo da superfície do solo.
 
A colheita é uma das mais importantes etapas do processo de produção agrícola e, assim como em outras culturas, também na do amendoim deve ser finalizada no menor tempo possível, pois as ocorrências de fatores climáticos adversos possibilitam o aumento das perdas. Além disso, existem outros fatores relacionados à regulagem e operação das máquinas que também podem acarretar perdas durante a colheita.

O monitoramento dessas perdas possibilita a detecção de erros que, porventura, possam ocorrer durante o processo, permitindo a correção dos mesmos, de modo que as perdas possam ser minimizadas e não venham a ocasionar quedas na produção. Um dos fatores que se destaca é a velocidade de deslocamento do conjunto trator-arrancado. Durante um experimento, com o objetivo de fazer um comparativo das perdas visíveis e invisíveis em três velocidades de deslocamento diferentes tivemos os seguintes resultados:
 
- Perdas Visíveis no Arranquio (PVA)
A maior variabilidade foi encontrada para o tratamento no qual a velocidade de trabalho foi de 4,0 km h-1 (Figura 1). Observa-se ainda que todos os pontos estão entre os limites superior e inferior de controle, resultando em um processo estocástico, com apenas variação naturais que podem não ocorrer em prejuízos durante a colheita de amendoim.

As maiores quantidades de perdas visíveis foram encontradas para a velocidade de trabalho de 4,0 km h-1, podendo ser relacionadas ao menor teor de água das vagens, independente do teor de água no solo ser maior. Na menor velocidade de trabalho, obteve-se as menores quantidades de perdas na colheita, na qual as vagens apresentaram o maior teor de água, resultando em uma maior resistência do pedúnculo durante o processo de arranquio e transporte na esteira vibratória do arrancador-invertedor.
 
 
 
Figura 1 - Perdas visíveis no arranquio (PVA) mecanizado de amendoim em função das velocidades de trabalho
 
- Perdas Invisíveis no Arranquio (PIA):
Apresentaram-se estável no decorrer do processo de colheita, demonstrando que o processo está livre de causas não aleatórias para todas as velocidades de trabalho (Figura 2). Há de relatar que a maior variabilidade foi verificada para o tratamento em função da velocidade de 4,0 km h-1, em relação às demais; e a menor variação foi encontrada para a menor velocidade de trabalho.

As PIAs ocorrem em função do baixo teor de água no solo e das vagens (TAS), porém, o que mais afetou as retiradas das vagens do solo foi o baixo TAS, que resultou nas maiores quantidades de perdas. Ressalta-se ainda que a menor perda foi constatada na baixa velocidade de trabalho. Por outro lado, quando a velocidade de trabalho é mais elevada, pode-se ocorrer o fenômeno da “flutuação” na qual a faca de corte do arrancador-invertedor atua em uma profundidade mais superficial do que a ideal para a colheita, refletindo assim em maiores quantidade de perdas invisíveis deixando as vagens no solo.
 
Figura 2 -  Perdas invisíveis no arranquio (PVA) mecanizado de amendoim em função das velocidades de trabalho
 
CONCLUSÃO
            As perdas visíveis no arranquio apresentaram valores superiores às perdas invisíveis, sendo as maiores responsáveis pela composição das perdas totais.
A menor velocidade de trabalho proporcionou perdas visíveis e invisíveis menores.
 
PARA REFLETIR:
 
No arranquio mecanizado de amendoim, o teor de água do solo é um indicador extremamente importante para o desempenho da operação. Além de afetar o arranquio das vagens que se encontram em subsuperfície, também atua no teor de água das vagens. Teores de água do solo menores acarretam teores de água das vagens também menores. Neste sentido, existe uma relação entre a resistência do ginóforo ao rompimento e o teor de água do solo, sendo que quando diminui o teor de água, diminui a resistência e, consequentemente, aumentam as perdas na colheita.
Tecnologias para a mecanização da cultura do amendoim já estão sendo disponibilizadas para produtores, cooperativas e demais empresas envolvidas no setor. A tecnologia voltada à produção desta cultura tem tudo para evoluir, pois os produtores estão em busca de técnicas agrícolas que permitam maior produtividade e menor custo de produção. Tais tecnologias, se bem empregadas, podem levar a cultura do amendoim a proporcionar lucros para o produtor. Neste sentido, o uso de técnicas de agricultura de precisão (AP) como o piloto automático vem a ser essencial, pois o mesmo permite  a realização de operações com menor erro de paralelismo, sendo relevante para o cultivo de amendoim, em que são realizadas operações mecanizadas tanto na semeadura quanto na colheita.

OBS.: PARA ACESSAR AS IMAGENS E FIGURAS CITADAS NESTE ARTIGO TÉCNICO, CONFIRA NOSSA VERSÃO DIGITAL.