http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://www.forumabisolo.com/
http://www.ideaonline.com.br/conteudo/21-seminario-de-mecanizacao-e-producao-de-cana-de-acucar.html
http://https://www.fenasucro.com.br/
http://icminc.com/corporate/contact-us-corporate.html
http://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
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Variedades e seus manejos

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Cana-de-Açúcar

12/12/2018
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Por: Diana Nascimento
 
Os manejos mais adequados e os avanços nos programas de melhoramento genético foram alguns dos temas tratados no 12º Grande Encontro de Variedades de Cana-de-Açúcar promovido pelo Grupo Idea, nos dias 17 e 18 de outubro, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.

O consultor Álvaro Sanguino abriu o evento ao falar sobre o manejo das ferrugens e do colletotrichum na cana. "O melhor a fazer é usar variedades resistentes. Aparentemente não há variedade resistente ao colletotrichum, apenas manejo. Entre os danos causados pela praga estãoa queda de até 30% de produtividade e a redução de ATR", explicou.
Dib Nunes, diretor do Grupo Idea, mencionou que algumas áreas estão com graves infestações da praga. "Estamos tentando desenvolver uma máquina (em conjunto com a DMB) para incorporar a palha onde for possível. Ainda não há muito o que fazer quando há a infestação", disse.

O evento também teve como destaque apresentações sobre o uso de maturadores e nutrientes em cana-de-açúcar.

Algumas variedades apresentam potencial de 350 t/ha, mas será que os produtores e as usinas estão sabendo usar o potencial genético destas plantas? "Quem produz o açúcar na cana são os nutrientes, que podem ser utilizados junto com os maturadores ou em pré-maturação", indicou Cleber de Morais Hervatin, da Unesp de Botucatu.

Experimentos em cana precoce apontaram um aumento de produtividade e mais açúcar/hectare. Resultados em meio de safra realizados em cinco experimentos mostraram que, como o metabolismo é menor nessa época, houve também um acréscimo de produtividade, porém mais baixo.

"Estudo de caso de um grupo de usinas em Goiás atestou que o uso de maturador 45 dias e outro 30 dias antes da colheita possibilita maior concentração e produção de açúcar", relatou Hervatin.

Michel Fernandes, consultor da MF Fernandes Consultoria, comentou sobre os resultados práticos de maturadores nas safras 17/18 e 18/19.
Segundo ele, o uso de maturador em início de safra permitiu o ganho de ATR. "O uso de maturador no final de safra implica em queda menor de ATR nessa época. Vale lembrar ainda que as impurezas mineral e vegetal também impactam nos resultados. O difícil é ajustar o tempo de colheita para usar o maturador", salientou.

Rodrigo Naime, da área de desenvolvimento de mercado da Ihara, também fez elogios ao uso de maturadores. "O maturador faz manutenção do ATR em final de safra e incrementa o TCH, além disso, preserva o que a cana já produziu e em associação com nutrientes incrementa a produtividade", pontuou.

"Antes os micronutrientes eram considerados descartáveis em cana, mas hoje são uma realidade e com resultados consistentes", alegou Nunes.

Ainda em nutrição, o pesquisador Carlos Alexandre Costa Crusciol, da Unesp de Botucatu, fez uma apresentação sobre adubação foliar na cana na fase vegetativa e para tolerância à seca. "A adubação foliar tem crescido no Brasil. Produtos nutricionais e maturadores juntos passarão a ser mais utilizados. No entanto, sugiro a realização de testes para ver os possíveis resultados", avaliou.

Melhoramento genético
Para Nunes, o futuro do melhoramento genético passa pelas variedades e por isso o evento contou com uma sessão voltada para os avanços nesta área.
A Granbio apresentou as novas variedades Vertix3, que é uma cana energia. José Antônio Bressiani, diretor agrícola da Granbio, explicou que a cana energia é rústica e possui uma longevidade maior (entre oito e dez cortes), é mais resistente a pragas e insetos porque tem mais fibra e menos açúcar. "Ela apresenta um potencial de expansão muito grande porque é adaptada a ambientes restritivos", frisou.

A cana energia já é utilizada por grandes clientes como o Grupo Tereos, Adecoagro, Raízen, Atvos, Biosev, CofcoAgri e Impacto Energia.
Nunes salientou que estão saindo alguns projetos de etanol de milho que usarão o bagaço de cana energia para abastecer a usina. "Etanol de milho é uma realidade, mas esbarra na geração de energia e por isso estão plantando cana energia para utilizar o bagaço. A cana energia é uma realidade".

O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) também aproveitou o evento para falar sobre suas variedades.
De acordo com o pesquisador e diretor do Centro de Cana, Marcos Landell, há avanços significativos nas novas variedades. Para ele, a evolução da produtividade se deve a um novo grupo varietal, além de manejo varietal (terceiro eixo) associado a outras práticas. "O Censo 2018 da usina Denusa mostra 59,5% de variedades IAC. O sucesso varietal pode fazer toda a diferença para a empresa. O caminho da verticalização traz agregação de valor. Outro caso foi o das Usinas Itamaraty, em MT, que observou ganhos médios de TCH de 52,3% nos últimos anos com o manejo varietal", exemplificou.

Landell comentou sobre as variedades IAC lançadas recentemente, assim como as variedades IAC originadas da estratégia para o Cerrado: IAC CTC 05-8069 que apresenta alta população, bom porte e é responsiva; a IAC CTC 07-8008, rústica e tolerante à seca e a IAC CTC 07-8044 também responsiva.

"Além disso, há vários clones promissores e acredito que haverá oportunidades interessantes para a cana. Nos próximos três anos serão lançadas entre cinco e sete variedades", adiantou.

Luiz Antônio Dias Paes, gerente comercial do CTC, lembrou que o centro lançou um boletim técnico sobre meiosi com as melhores práticas. Entre as variedades salientadas por ele estão a CTC 9005 HP e a CTC 9002.

Sobre o que vem por aí, Paes sinaliza: "O CTC busca lançamentos criteriosos, com régua mais alta para o desempenho e doenças".
A equipe da Ufscar e da Ridesa abordou sobre as próximas liberações das variedades RB como a RB975375, que apresenta riqueza em açúcar e é voltada para ambientes C e D; a RB005014 uma variedade média/tardia para ambientes A,B e C, bom perfilhamento, produtividade, brotação de soqueira, fibra e sanidade. Também serão liberadas as variedades RB005983 (hiperprecoce), RB015935 (precoce/média e que não apresenta florescimento e isoporização) e a RB975033 para ambientes intermediários e restritivos, com colheita em início de safra.

Manejo varietal e colheita
O gerente corporativo de Desenvolvimento e Tecnologia Agrícola da Tereos, José Olavo Vendramini, contou sobre a estratégia de trabalhar com bloco de manejo para integrar o manejo varietal à logística de colheita. "Isso permite trabalhar a logística, variedade e ambiente, restrições e pragas. O manejo varietal inicia-se com a regionalização da colheita, que visa otimizar as operações de colheita mecanizada sem comprometer o manejo agrícola, o que traz benefícios", explicou.

Já o produtor Luiz Carlos Dalben, da agrícola Rio Claro, abordou o planejamento da colheita utilizando o conceito do prolongamento de ciclo e de ambiente de produção.
Para isso ele lança mão de testes com variedades, onde algumas saem e outras entram para o plantel. "Em uma fazenda com 20 hectares, há 15 espécies sendo utilizadas. Temos diversas variedades no mesmo lote dentro do sistema de colheita e dessa forma colhemos várias variedades ao mesmo tempo", esclarece Dalben.

O manejo varietal realizado pela Raízen foi mencionado pelo especialista em variedades de cana-de-açúcar do grupo, Hamilton Jordão.
Como cada unidade e região é diferente, há diversidade de regiões e ambientes para manejo, o que requer a adoção do conhecido mantra varietal: plantar a variedade certa no lugar certo e colher na hora certa. "Ainda estamos estudando as formas de manejo, mas seguir o mantra é o sucesso", orienta Jordão.

A Raízen tem uma rede de experimentação com 90 ensaios. A definição de variedades é feita de forma regional, usando materiais novos e consagrados e o plano de colheita leva em consideração as especificidades de cada usina (são 26 ao todo), aproveitando a sua sinergia.

Entre os desafios desta estratégia, Jordão cita o aumento da rede de experimentação, o avanço em tecnologias que permitem acelerar a introdução de novas variedades, a renovação do canavial através da meiosi, formação de cantosi, adoção de cana energia e biotecnologia. "O maior desafio de cana energia hoje é o florescimento e isso só será resolvido com programa de melhoramento", concluiu.
 

Fonte: Revista Canavieiros

Variedades e seus manejos

12/12/2018

Por: Diana Nascimento
 
Os manejos mais adequados e os avanços nos programas de melhoramento genético foram alguns dos temas tratados no 12º Grande Encontro de Variedades de Cana-de-Açúcar promovido pelo Grupo Idea, nos dias 17 e 18 de outubro, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.

O consultor Álvaro Sanguino abriu o evento ao falar sobre o manejo das ferrugens e do colletotrichum na cana. "O melhor a fazer é usar variedades resistentes. Aparentemente não há variedade resistente ao colletotrichum, apenas manejo. Entre os danos causados pela praga estãoa queda de até 30% de produtividade e a redução de ATR", explicou.
Dib Nunes, diretor do Grupo Idea, mencionou que algumas áreas estão com graves infestações da praga. "Estamos tentando desenvolver uma máquina (em conjunto com a DMB) para incorporar a palha onde for possível. Ainda não há muito o que fazer quando há a infestação", disse.

O evento também teve como destaque apresentações sobre o uso de maturadores e nutrientes em cana-de-açúcar.

Algumas variedades apresentam potencial de 350 t/ha, mas será que os produtores e as usinas estão sabendo usar o potencial genético destas plantas? "Quem produz o açúcar na cana são os nutrientes, que podem ser utilizados junto com os maturadores ou em pré-maturação", indicou Cleber de Morais Hervatin, da Unesp de Botucatu.

Experimentos em cana precoce apontaram um aumento de produtividade e mais açúcar/hectare. Resultados em meio de safra realizados em cinco experimentos mostraram que, como o metabolismo é menor nessa época, houve também um acréscimo de produtividade, porém mais baixo.

"Estudo de caso de um grupo de usinas em Goiás atestou que o uso de maturador 45 dias e outro 30 dias antes da colheita possibilita maior concentração e produção de açúcar", relatou Hervatin.

Michel Fernandes, consultor da MF Fernandes Consultoria, comentou sobre os resultados práticos de maturadores nas safras 17/18 e 18/19.
Segundo ele, o uso de maturador em início de safra permitiu o ganho de ATR. "O uso de maturador no final de safra implica em queda menor de ATR nessa época. Vale lembrar ainda que as impurezas mineral e vegetal também impactam nos resultados. O difícil é ajustar o tempo de colheita para usar o maturador", salientou.

Rodrigo Naime, da área de desenvolvimento de mercado da Ihara, também fez elogios ao uso de maturadores. "O maturador faz manutenção do ATR em final de safra e incrementa o TCH, além disso, preserva o que a cana já produziu e em associação com nutrientes incrementa a produtividade", pontuou.

"Antes os micronutrientes eram considerados descartáveis em cana, mas hoje são uma realidade e com resultados consistentes", alegou Nunes.

Ainda em nutrição, o pesquisador Carlos Alexandre Costa Crusciol, da Unesp de Botucatu, fez uma apresentação sobre adubação foliar na cana na fase vegetativa e para tolerância à seca. "A adubação foliar tem crescido no Brasil. Produtos nutricionais e maturadores juntos passarão a ser mais utilizados. No entanto, sugiro a realização de testes para ver os possíveis resultados", avaliou.

Melhoramento genético
Para Nunes, o futuro do melhoramento genético passa pelas variedades e por isso o evento contou com uma sessão voltada para os avanços nesta área.
A Granbio apresentou as novas variedades Vertix3, que é uma cana energia. José Antônio Bressiani, diretor agrícola da Granbio, explicou que a cana energia é rústica e possui uma longevidade maior (entre oito e dez cortes), é mais resistente a pragas e insetos porque tem mais fibra e menos açúcar. "Ela apresenta um potencial de expansão muito grande porque é adaptada a ambientes restritivos", frisou.

A cana energia já é utilizada por grandes clientes como o Grupo Tereos, Adecoagro, Raízen, Atvos, Biosev, CofcoAgri e Impacto Energia.
Nunes salientou que estão saindo alguns projetos de etanol de milho que usarão o bagaço de cana energia para abastecer a usina. "Etanol de milho é uma realidade, mas esbarra na geração de energia e por isso estão plantando cana energia para utilizar o bagaço. A cana energia é uma realidade".

O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) também aproveitou o evento para falar sobre suas variedades.
De acordo com o pesquisador e diretor do Centro de Cana, Marcos Landell, há avanços significativos nas novas variedades. Para ele, a evolução da produtividade se deve a um novo grupo varietal, além de manejo varietal (terceiro eixo) associado a outras práticas. "O Censo 2018 da usina Denusa mostra 59,5% de variedades IAC. O sucesso varietal pode fazer toda a diferença para a empresa. O caminho da verticalização traz agregação de valor. Outro caso foi o das Usinas Itamaraty, em MT, que observou ganhos médios de TCH de 52,3% nos últimos anos com o manejo varietal", exemplificou.

Landell comentou sobre as variedades IAC lançadas recentemente, assim como as variedades IAC originadas da estratégia para o Cerrado: IAC CTC 05-8069 que apresenta alta população, bom porte e é responsiva; a IAC CTC 07-8008, rústica e tolerante à seca e a IAC CTC 07-8044 também responsiva.

"Além disso, há vários clones promissores e acredito que haverá oportunidades interessantes para a cana. Nos próximos três anos serão lançadas entre cinco e sete variedades", adiantou.

Luiz Antônio Dias Paes, gerente comercial do CTC, lembrou que o centro lançou um boletim técnico sobre meiosi com as melhores práticas. Entre as variedades salientadas por ele estão a CTC 9005 HP e a CTC 9002.

Sobre o que vem por aí, Paes sinaliza: "O CTC busca lançamentos criteriosos, com régua mais alta para o desempenho e doenças".
A equipe da Ufscar e da Ridesa abordou sobre as próximas liberações das variedades RB como a RB975375, que apresenta riqueza em açúcar e é voltada para ambientes C e D; a RB005014 uma variedade média/tardia para ambientes A,B e C, bom perfilhamento, produtividade, brotação de soqueira, fibra e sanidade. Também serão liberadas as variedades RB005983 (hiperprecoce), RB015935 (precoce/média e que não apresenta florescimento e isoporização) e a RB975033 para ambientes intermediários e restritivos, com colheita em início de safra.

Manejo varietal e colheita
O gerente corporativo de Desenvolvimento e Tecnologia Agrícola da Tereos, José Olavo Vendramini, contou sobre a estratégia de trabalhar com bloco de manejo para integrar o manejo varietal à logística de colheita. "Isso permite trabalhar a logística, variedade e ambiente, restrições e pragas. O manejo varietal inicia-se com a regionalização da colheita, que visa otimizar as operações de colheita mecanizada sem comprometer o manejo agrícola, o que traz benefícios", explicou.

Já o produtor Luiz Carlos Dalben, da agrícola Rio Claro, abordou o planejamento da colheita utilizando o conceito do prolongamento de ciclo e de ambiente de produção.
Para isso ele lança mão de testes com variedades, onde algumas saem e outras entram para o plantel. "Em uma fazenda com 20 hectares, há 15 espécies sendo utilizadas. Temos diversas variedades no mesmo lote dentro do sistema de colheita e dessa forma colhemos várias variedades ao mesmo tempo", esclarece Dalben.

O manejo varietal realizado pela Raízen foi mencionado pelo especialista em variedades de cana-de-açúcar do grupo, Hamilton Jordão.
Como cada unidade e região é diferente, há diversidade de regiões e ambientes para manejo, o que requer a adoção do conhecido mantra varietal: plantar a variedade certa no lugar certo e colher na hora certa. "Ainda estamos estudando as formas de manejo, mas seguir o mantra é o sucesso", orienta Jordão.

A Raízen tem uma rede de experimentação com 90 ensaios. A definição de variedades é feita de forma regional, usando materiais novos e consagrados e o plano de colheita leva em consideração as especificidades de cada usina (são 26 ao todo), aproveitando a sua sinergia.

Entre os desafios desta estratégia, Jordão cita o aumento da rede de experimentação, o avanço em tecnologias que permitem acelerar a introdução de novas variedades, a renovação do canavial através da meiosi, formação de cantosi, adoção de cana energia e biotecnologia. "O maior desafio de cana energia hoje é o florescimento e isso só será resolvido com programa de melhoramento", concluiu.