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Cosan 'aperta o cinto' no negócio de açúcar e etanol

08/11/2013 Noticias do Sistema POR: Valor
A Cosan, companhia com atuação em energia e infraestrutura, avisou que vai "apertar o cinto" da operação de açúcar e etanol, a Raízen Energia. No curto prazo, anunciou a redução de R$ 200 milhões dos investimentos (Capex) nessa área ainda no orçamento deste ano. O diretor financeiro, Marcelo Martins, avisou que o negócio terá "metas desafiadoras" para maximizar a geração de valor.
 
"O nível de retorno do negócio sucroalcooleiro está dentro das metas acordadas, mas abaixo do performado por outras unidades do portfólio da Cosan. Subimos a régua", disse Martins. Dos investimentos (Capex) totais previstos para este ano (entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3 bilhões), em torno de R$ 960 milhões (32%) foram aplicados na Raízen Energia até setembro.
 
O encolhimento de R$ 200 milhões não se dará em um projeto específico, mas será generalizado em uma dezena deles, explica o presidente da Cosan, Marcos Lutz. "Vamos reduzir o escopo de uma série de projetos nessa área. As equipes terão de performar com menos recursos", disse Lutz.
 
As metas que serão impostas a esse negócio serão definidas pelo conselho da Raízen, formado por membros da Cosan e da Shell, segundo o diretor financeiro. "Até o fim deste ano, esse desenho estará concluído", diz Martins.
 
Ele reafirmou o quão estratégica é a operação de açúcar e álcool para a companhia, no entanto, reforçou que não há nenhuma disposição de ampliar a capacidade instalada. "Enquanto não houver perspectiva de retorno de médio e longo prazos, não há crescimento". A mudança na formação do preço da gasolina deve melhorar as condições do mercado, segundo Martins, no entanto, sozinha não motivará mais investimentos. "Preços mais remuneradores e boas oportunidades de aquisições de usinas são alguns dos outros fatores que precisam estar alinhados".
 
No trimestre, algumas das usinas da Raízen Energia foram afetadas por chuvas, o que reduziu a moagem em 1,8%% e o teor de açúcar na cana (ATR), em 7,9%. Além disso, houve queda de 9,4% do preço médio do açúcar equivalente (que contabiliza as vendas tanto de açúcar quanto de etanol). Com isso, a margem operacional (Ebitda) da operação sucroalcooleira recuou 10 pontos percentuais (p.p.) para 27,7% no trimestre. No acumulado dos nove meses, essa margem foi de 24,4%, 10,7 p.p. abaixo de um ano atrás.
 
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Raízen Energia avançou 6%, para R$ 900,5 milhões no trimestre e 4,3%, para R$ 1,724 bilhão no acumulado do ano.
 
A precificação de açúcar para a próxima safra, a 2014/15, no entanto, tende a ser melhor. Lutz se diz "confortável" para afirmar que conseguirá manter no próximo ciclo os níveis mais altos de remuneração para a commodity. Até 30 de setembro, a Raízen Energia registrava preço médio (fixado por meio da combinação de hedge de açúcar na bolsa de Nova York e de câmbio) de açúcar de 2014/15 de 43,13 centavos de real por libra-peso (para 961 mil toneladas), 6,4% acima dos 40,52 centavos de real da precificação média deste ciclo, o 2013/14 (para 2,695 milhão de toneladas). "Temos visão positiva para as cotações em Nova York no próximo ano e um dólar bem acima do que imaginávamos."
 
Nos outros negócios, oportunidades são vistas para a Rumo, empresa de logística do grupo. Além do plano de entrar agressivamente como operadora logística, a empresa, no curto prazo, deve ser a principal via de escoamento dos volumes de açúcar da Copersucar, cujo terminal portuário foi acometido por um incêndio no último mês, o que paralisou embarques.
 
Lutz explica que, durante a safra, há espaço de 50% da capacidade da Rumo para acomodar volumes da Copersucar. Há, no entanto, tendência de aumento da tarifa de elevação (carregamento no navio) de açúcar no porto de Santos, dado que haverá uma demanda maior por esse serviço. "Essa tarifa é função de oferta e demanda. Ainda é preciso considerar que a tarifa média de elevação de carga 'spot' é mais alta do que a de contratos de longo prazo", esclarece Lutz.
 
No terceiro trimestre deste exercício fiscal, a receita líquida da Rumo cresceu 50,8%, para R$ 328,5 milhões, e no acumulado do ano, 79,1%, a R$ 711,2 milhões. O volume de elevação de açúcar em Santos (SP) da Rumo aumentou 7,3%, para 2,8 milhões de toneladas no terceiro trimestre, e no acumulado do ano, 29%, para 6,9 milhões de toneladas.
 
Sobre a celeuma com a ALL, o presidente da Cosan disse não poder tecer comentários, uma vez que a disputa judicial corre em segredo de Justiça. Mas reafirmou que a empresa permanece comprometida em investir em infraestrutura. Segundo ele, um projeto grande de investimento está sendo desenhado na área de logística. A ideia, como já foi largamente divulgado, é participar de licitações públicas para concessão de terminais. "As licitações foram postergadas deste fim de ano para o início do ano que vem. Mas vamos focar muito na participação nessas concorrências", disse Lutz.
 
Na noite de quarta-feira, a Cosan divulgou que teve no trimestre um lucro líquido atribuído a acionistas controladores de R$ 317 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 4,8% frente aos R$ 302,4 milhões reportados um ano antes. Considerando-se o resultado final após essa participação, a Cosan obteve lucro líquido de R$ 208,8 milhões, com queda de 26,3% na comparação com o registrado um ano antes.
 
O desempenho, segundo o diretor financeiro se deveu a eventos "não recorrentes". Ele se referiu ao aumento da despesa financeira, que subiu de R$ 9,1 milhões para R$ 132,9 milhões na comparação entre os mesmos trimestres. "Esses encargos se devem ao endividamento feito para aquisição e consolidação da Comgás, a partir de novembro de 2012", explicou Martins. Houve ainda resultado negativo vindo de variação cambial (R$ 16,9 milhões) e perda líquida de derivativos cambiais e de juros de R$ 29,4 milhões.
 
A dívida líquida da Cosan, em 30 de setembro, era de R$ 7,1 bilhões, ante R$ 1,05 bilhão da posição dos 12 meses anteriores. No terceiro trimestre deste ano, a companhia obteve receita líquida de R$ 2,43 bilhões, com alta de aproximadamente 300% na comparação anual. Já o Ebitda do grupo somou R$ 722,6 milhões entre julho e setembro, com crescimento de 86,8%. Conforme a companhia, foram considerados 100% dos resultados de Comgás, Rumo, Lubrificantes e Especialidades, Radar e do segmento Outros Negócios no resultado consolidado.