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Dedini demite funcionários por carta

07/08/2015 Cana-de-Açúcar POR: O Estado de São Paulo
Envolvida numa crise sem precedentes, a indústria Dedini S/A, tradicional fabricante de usinas de cana-de-açúcar, com sede em Piracicaba, interior de São Paulo, demitiu 637 funcionários na quarta-feira. A empresa informou que as medidas estão sendo tomadas para "garantir a sobrevivência". De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, foram cortados 367 trabalhadores da fábrica em Piracicaba e 270 da unidade de Sertãozinho, norte do Estado.
O quadro restante da empresa, diz o sindicato, é agora de 1,3 mil funcionários. Muitos trabalhadores foram comunicados da dispensa por carta Sedex, segundo a entidade.
O presidente do sindicato, José Florêncio da Silva, o "Bahia", disse* que a empresa não informou previamente sobre os cortes. "Não digo que fomos apanhados de surpresa porque já sabíamos da situação da Dedini. Estamos preocupados com o pagamento dos direitos rescisórios, já que a empresa não se pronunciou a respeito." Segundo ele, 180 trabalhadores que foram demitidos entre dezembro passado e janeiro deste ano ainda não receberam todas as verbas.
A companhia vive uma crise na esteira da enfrentada pelo setor sucroalcooleiro desde 2009.
Além de seguidas greves e demissões nas unidades fabris, a companhia atrasou o pagamento de salários e rescisões contratuais, bem como, segundo o sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, deixou de depositar o " FGTS por 50 meses. De acordo com a entidade, a Dedini realizou o pagamento dos salários somente para os metalúrgicos que recebem por hora. Os trabalhadores como pagamento fixo mensal estão há quatro meses sem o recebimento integral dos vencimentos.
No mês passado, para encerrar uma greve na unidade de Piracicaba, a Dedini se comprometeu a acertar os salários e a não demitir funcionários até o dia 5 de agosto, prazo encerrado justamente ontem, quando ocorreram os novos cortes.
A empresa publicou ainda a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas para o dia 14 para avaliar "assuntos de natureza financeira da empresa no contexto atual de mercado", como análise de resultados e projeções de 2015 e 2016, por segmento de atuação.
Bola de neve. O técnico em segurança do trabalho João Vicente Franco, decanos, foi contratado pela Dedini de Piracicaba em 2003. Na quarta-feira, foi avisado da dispensa. Pai de dois filhos estudantes, uma garota de 15 anos e um rapaz de 20, que faz relações internacionais numa universidade privada, ele já está em busca de nova colocação. "A vida tem de continuar sem a Dedini", disse.
Para Franco, trabalhar na empresa era um sonho de criança. "Cresci ouvindo falar bem da Dedini." Ele conta que as dificuldades começaram em 2008, quando o setor. "Começou com atraso no pagamento dos fornecedores, depois chegou nos funcionários. Acabou virando uma bola de neve." Franco sente ter saído da empresa em que viveu mais de uma década e onde ganhava um bom salário - R$ 4,3 mil mensais. "Só que, do jeito que estava, eu não via mais perspectiva para continuar".
O presidente da Dedini, Sérgio Leme, informou, em entrevista por e-mail ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que as demissões ocorridas buscam adequar o quadro de funcionários à carteira de pedidos. "Também estamos buscando produtos e processos que possam agregar maior valor aos clientes, através de inovações, redução de custo e redesenho dos processos".
Leme garantiu que os salários atrasados, um dos motivos de greves e paralisações nas unidades, têm sido regularizados com pagamentos semanais e que o FGTS "sem parcelamento em curso junto ao órgão competente". A unidade de Sertãozinho, fechada desde segunda-feira após o protesto dos trabalha: dores, deve ser reaberta dia 10.
A companhia, disse Leme, não tem planos definidos "até o momento" sobre um possível pedido de recuperação judicial para o reordenamento de seu passivo. A Dedini tem ativos seis vezes maiores do que o passivo com fornecedores, financeiros e trabalhistas.
Fundada em 1920, a Dedini tornou-se líder mundial na fabricação de plantas de usinas. Nós últimos anos, afetada pelo fechamento de 60 usinas e pela situação de insolvência de outras 70, chegou a vender bens para quitar dívidas. 
Envolvida numa crise sem precedentes, a indústria Dedini S/A, tradicional fabricante de usinas de cana-de-açúcar, com sede em Piracicaba, interior de São Paulo, demitiu 637 funcionários na quarta-feira. A empresa informou que as medidas estão sendo tomadas para "garantir a sobrevivência". De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, foram cortados 367 trabalhadores da fábrica em Piracicaba e 270 da unidade de Sertãozinho, norte do Estado.
O quadro restante da empresa, diz o sindicato, é agora de 1,3 mil funcionários. Muitos trabalhadores foram comunicados da dispensa por carta Sedex, segundo a entidade.
O presidente do sindicato, José Florêncio da Silva, o "Bahia", disse* que a empresa não informou previamente sobre os cortes. "Não digo que fomos apanhados de surpresa porque já sabíamos da situação da Dedini. Estamos preocupados com o pagamento dos direitos rescisórios, já que a empresa não se pronunciou a respeito." Segundo ele, 180 trabalhadores que foram demitidos entre dezembro passado e janeiro deste ano ainda não receberam todas as verbas.
A companhia vive uma crise na esteira da enfrentada pelo setor sucroalcooleiro desde 2009.
Além de seguidas greves e demissões nas unidades fabris, a companhia atrasou o pagamento de salários e rescisões contratuais, bem como, segundo o sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, deixou de depositar o " FGTS por 50 meses. De acordo com a entidade, a Dedini realizou o pagamento dos salários somente para os metalúrgicos que recebem por hora. Os trabalhadores como pagamento fixo mensal estão há quatro meses sem o recebimento integral dos vencimentos.

No mês passado, para encerrar uma greve na unidade de Piracicaba, a Dedini se comprometeu a acertar os salários e a não demitir funcionários até o dia 5 de agosto, prazo encerrado justamente ontem, quando ocorreram os novos cortes.

 
A empresa publicou ainda a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas para o dia 14 para avaliar "assuntos de natureza financeira da empresa no contexto atual de mercado", como análise de resultados e projeções de 2015 e 2016, por segmento de atuação.
Bola de neve. O técnico em segurança do trabalho João Vicente Franco, decanos, foi contratado pela Dedini de Piracicaba em 2003. Na quarta-feira, foi avisado da dispensa. Pai de dois filhos estudantes, uma garota de 15 anos e um rapaz de 20, que faz relações internacionais numa universidade privada, ele já está em busca de nova colocação. "A vida tem de continuar sem a Dedini", disse.

 
Para Franco, trabalhar na empresa era um sonho de criança. "Cresci ouvindo falar bem da Dedini." Ele conta que as dificuldades começaram em 2008, quando o setor. "Começou com atraso no pagamento dos fornecedores, depois chegou nos funcionários. Acabou virando uma bola de neve." Franco sente ter saído da empresa em que viveu mais de uma década e onde ganhava um bom salário - R$ 4,3 mil mensais. "Só que, do jeito que estava, eu não via mais perspectiva para continuar".
O presidente da Dedini, Sérgio Leme, informou, em entrevista por e-mail ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que as demissões ocorridas buscam adequar o quadro de funcionários à carteira de pedidos. "Também estamos buscando produtos e processos que possam agregar maior valor aos clientes, através de inovações, redução de custo e redesenho dos processos".
Leme garantiu que os salários atrasados, um dos motivos de greves e paralisações nas unidades, têm sido regularizados com pagamentos semanais e que o FGTS "sem parcelamento em curso junto ao órgão competente". A unidade de Sertãozinho, fechada desde segunda-feira após o protesto dos trabalha: dores, deve ser reaberta dia 10.
A companhia, disse Leme, não tem planos definidos "até o momento" sobre um possível pedido de recuperação judicial para o reordenamento de seu passivo. A Dedini tem ativos seis vezes maiores do que o passivo com fornecedores, financeiros e trabalhistas.
Fundada em 1920, a Dedini tornou-se líder mundial na fabricação de plantas de usinas. Nós últimos anos, afetada pelo fechamento de 60 usinas e pela situação de insolvência de outras 70, chegou a vender bens para quitar dívidas.