Déficit mundial pode levar a safra atual a ser mais açucareira

30/06/2014 Cana-de-Açúcar POR: DCI - Diário do Comércio & Indústria
Um estudo da Datagro, consultoria especializada no setor sucroenergético, sinaliza que pela primeira vez desde a safra 2009/2010 pode haver um déficit de 2,46 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar. Até o momento, o presidente da entidade, Plínio Nastari, destaca que 45,9% da cana será destinada para a produção da commodity, mas a relação oferta e demanda global pode sinalizar safra 2014/2015 mais açucareira. Em contrapartida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) ainda aposta no etanol como principal produto em função de um aumento na demanda.
"O mercado de etanol como um todo está se mantendo sob a perspectiva de aumento para 27,5% na mistura do biocombustível com a gasolina, mas o açúcar doméstico ainda está pagando mais. É importante fazer essa relação de equivalência entre preços pois ela influencia o produtor na hora da divisão do mix de produtos", avalia Nastari.
O presidente do Grupo Maubisa, Maurílio Biagi, conta que existe uma tendência cada vez mais clara para o aumento na produção de açúcar, apesar dos estoques mundiais ainda serem grandes. "Existe uma perspectiva de alta para os preços da commodity que ainda não se refletiu no mercado, mas que se refletirá pela questão do déficit global. O Brasil vai decepcionar muito este ano, com quebra, mas isto será positivo no longo prazo para um ajuste de preços", enfatiza.
Segundo Nastari, o déficit no segmento açucareiro global se justifica pela revisão das projeções de moagem de países como Brasil, Índia e Tailândia. "A dinâmica do Brasil vai continuar influenciando o mercado por sua participação nas exportações e sua flexibilidade de produção".
Devido à falta de chuvas nas principais regiões canavieiras com impacto negativo na brotação da cana, a consultoria projeta a safra atual em 560,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, ante os 596,9 milhões de toneladas registrados na safra anterior.
As projeções da entidade já consideram a possibilidade de El Niño moderado, com início em meados de setembro, e não levam em conta o possível aumento de etanol na mistura com a gasolina.
Procurada para manifestação sobre os temas, a Unica não disponibilizou porta-vozes.
Outro fator identificado nesta safra foi o elevado teor de impurezas vegetais, que tem limitado os ganhos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana. "A safra 2014/2015 deve ser 7,1% menor em ATR em relação à passada. Isso devido às nossas projeções de moagem e produtividade", diz.
Sobre a possibilidade de El Niño, Nastari acredita que a ocorrência do fenômeno possa comprometer o aproveitamento de tempo do produtor e atrase o final da safra, mas "é melhor que chova para ajudar a construir os canaviais de 2015 e 2016".
Quanto às discussões de aumento na mistura de etanol na gasolina, Nastari diz que, mesmo se aprovada, existe um período de implementação e a média é de que 550 a 600 milhões de litros possam impactar nesta safra, redução de um milhão de toneladas no açúcar.
Revisões
Em março deste ano, a Datagro havia feito as projeções para esta safra, que foram revisadas em encontro com jornalistas realizado ontem (26). A moagem estimada era de 574,6 milhões de toneladas para o Centro-Sul, diferente dos 560,5 milhões de toneladas esperadas atualmente.
A produção de açúcar, por exemplo, foi estimada em 33,2 milhões de toneladas, contra as atuais 32,3 milhões de toneladas.
"O rendimento agroindustrial (até o final de maio) é 7,8% menor quando comparado ao mesmo período do ano passado, assim como as impurezas vegetais estão 1,7% maiores do que o observado na safra 2013/2014. Vemos claramente a soqueira prejudicada pelo problema de estiagem, que comprometeu a qualidade deste primeiro terço de safra", explica Plínio Nastari.
Um estudo da Datagro, consultoria especializada no setor sucroenergético, sinaliza que pela primeira vez desde a safra 2009/2010 pode haver um déficit de 2,46 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar. Até o momento, o presidente da entidade, Plínio Nastari, destaca que 45,9% da cana será destinada para a produção da commodity, mas a relação oferta e demanda global pode sinalizar safra 2014/2015 mais açucareira. Em contrapartida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) ainda aposta no etanol como principal produto em função de um aumento na demanda.
"O mercado de etanol como um todo está se mantendo sob a perspectiva de aumento para 27,5% na mistura do biocombustível com a gasolina, mas o açúcar doméstico ainda está pagando mais. É importante fazer essa relação de equivalência entre preços pois ela influencia o produtor na hora da divisão do mix de produtos", avalia Nastari.
O presidente do Grupo Maubisa, Maurílio Biagi, conta que existe uma tendência cada vez mais clara para o aumento na produção de açúcar, apesar dos estoques mundiais ainda serem grandes. "Existe uma perspectiva de alta para os preços da commodity que ainda não se refletiu no mercado, mas que se refletirá pela questão do déficit global. O Brasil vai decepcionar muito este ano, com quebra, mas isto será positivo no longo prazo para um ajuste de preços", enfatiza.
Segundo Nastari, o déficit no segmento açucareiro global se justifica pela revisão das projeções de moagem de países como Brasil, Índia e Tailândia. "A dinâmica do Brasil vai continuar influenciando o mercado por sua participação nas exportações e sua flexibilidade de produção".
Devido à falta de chuvas nas principais regiões canavieiras com impacto negativo na brotação da cana, a consultoria projeta a safra atual em 560,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, ante os 596,9 milhões de toneladas registrados na safra anterior.
As projeções da entidade já consideram a possibilidade de El Niño moderado, com início em meados de setembro, e não levam em conta o possível aumento de etanol na mistura com a gasolina.
Procurada para manifestação sobre os temas, a Unica não disponibilizou porta-vozes.
Outro fator identificado nesta safra foi o elevado teor de impurezas vegetais, que tem limitado os ganhos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana. "A safra 2014/2015 deve ser 7,1% menor em ATR em relação à passada. Isso devido às nossas projeções de moagem e produtividade", diz.
Sobre a possibilidade de El Niño, Nastari acredita que a ocorrência do fenômeno possa comprometer o aproveitamento de tempo do produtor e atrase o final da safra, mas "é melhor que chova para ajudar a construir os canaviais de 2015 e 2016".
Quanto às discussões de aumento na mistura de etanol na gasolina, Nastari diz que, mesmo se aprovada, existe um período de implementação e a média é de que 550 a 600 milhões de litros possam impactar nesta safra, redução de um milhão de toneladas no açúcar.
Revisões
Em março deste ano, a Datagro havia feito as projeções para esta safra, que foram revisadas em encontro com jornalistas realizado ontem (26). A moagem estimada era de 574,6 milhões de toneladas para o Centro-Sul, diferente dos 560,5 milhões de toneladas esperadas atualmente.
A produção de açúcar, por exemplo, foi estimada em 33,2 milhões de toneladas, contra as atuais 32,3 milhões de toneladas.
"O rendimento agroindustrial (até o final de maio) é 7,8% menor quando comparado ao mesmo período do ano passado, assim como as impurezas vegetais estão 1,7% maiores do que o observado na safra 2013/2014. Vemos claramente a soqueira prejudicada pelo problema de estiagem, que comprometeu a qualidade deste primeiro terço de safra", explica Plínio Nastari.