Desembolsos do BNDES a usinas deverão diminuir

09/02/2015 Cana-de-Açúcar POR: Valor Econômico
Após dois anos oferecendo crédito a taxas de juros subsidiadas, por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e outras linhas voltadas a estimular a inovação, o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) ainda quer entender melhor como as usinas sucroalcooleiras vão se comportar diante de suas novas diretrizes de concessão de crédito, mais restritivas diante do aperto fiscal em vigor no país.
A percepção é que em 2016 as usinas deverão apresentar melhores resultados, efeito de uma rentabilidade maior para o etanol em 2015/16, safra que começa em abril. Mas o apetite ainda contido das usinas para investimentos - inclusive em renovação de canaviais (ver abaixo) - tende a gerar uma redução de
empréstimos ao segmento em 2015.
Nas contas de Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, os desembolsos em 2015 poderão recuar a níveis próximos de R$ 5 bilhões, o que representaria uma queda de 17 % frente a 2014. Em um cenário mais otimista, são projetados R$ 6 bilhões, praticamente o mesmo montante do ano passado.
No que tange aos fundamentos, as razões do desaquecimento esperado para 2015 não são novas. Mesmo com a volta da Cide na gasolina - que ampliou a margem de ganho das usinas com o etanol -, as empresas do segmento ainda
padecem de cotações deprimidas do açúcar (parcialmente compensadas pelo dólar valorizado) e com uma elevada alavancagem. Conforme especialistas nesse mercado, há ainda o "estoque"de perdas com etanol decorrentes dos mais de cinco anos de controle dos preços da gasolina no país.
Pesam, ainda, as mudanças nas regras operacionais do BNDES para 2015, já à luz do duro ajuste fiscal promovido pelo governo. "Ainda estamos observando a reação das empresas em relação a isso", afirma.
Esses novos parâmetros, já em vigor, tratam como "prioritários"projetos de infraestrutura, transporte coletivo, saneamento básico, inovação e gestão pública. Aos excluídos desse grupo, o financiamento do banco terá alcance menor, podendo chegar a apenas 30% do valor do projeto. Nesses casos, o custo final do crédito também terá embutida uma taxa de remuneração bancária mais elevada.
No caso dos programas específicos ao segmento sucroalcooleiro, ainda não há uma definição sobre as condições para suas renovações. Entre eles está o Prorenova, lançado em 2012 para financiar a renovação de áreas de cana. Em 2013, o custo total do recurso desse programa foi de 5,5% ao ano e a demanda foi elevada. Em 2014, o custo subiu a 7 ,7 %, e não há uma posição sobre quais serão as taxas de juros e condições para 2015. "Estamos também aguardando a renovação do programa de estocagem de etanol", explica Cavalcanti.
Em 2014, do total de R$ 6,04 bilhões desembolsado pelo BNDES ao setor, R$ 4,24 bilhões foram de investimentos denominados "industrial". Nessa categoria estão os aportes para estocagem do biocombustível, que alcançaram R$ 1,6 bilhão, o dobro do realizado em 2013 (R$ 800 milhões), segundo o
executivo.
A grande demanda, afirma Cavalcanti, se explica pelo volume robusto de etanol produzido no ciclo 2014/15, cuja entressafra começou em dezembro do ano passado e seguirá até o fim de março - a condição aumentou a necessidade dos grupos de levantar mais capital de giro para carregar estoques.
Na área agrícola, na qual se inclui o Prorenova, os desembolsos do banco de fomento em 2014 atingiram R$ 1,69 bilhão, ante os R$ 2,05 bilhões de 2013. "Já esperávamos esse desaquecimento, pois o ápice da  renovação de canaviais foi em 2013", observa o executivo do BNDES. 
Os investimentos em cogeração de energia recuaram a R$ 110 milhões no ano passado, ante os R$ 200 milhões de 2013. "Mas acreditamos que em 2015 haverá algum aquecimento na demanda por esse tipo de projeto. Já aprovamos dois neste ano. O cenário para bioeletricidade está se mantendo positivo", avaliou o executivo. 
De qualquer forma, a visão é de que o cenário para as companhias  sucroalcooleiras será melhor este ano. "Se o clima for bom, as usinas vão ter em 2015 um dos melhores anos em muitos anos", avalia o gerente setorial
do departamento de biocombustíveis, Artur Milanez.
Há alguns anos, lembram os executivos do banco, o BNDES não recebe novas demandas para expansão da capacidade instalada no país. Cavalcanti, no entanto, acredita que esse cenário vai começar a mudar em 2016, quando os balanços das empresas vão passar a refletir o melhor momento do etanol e o início do ciclo de déficit global no mercado de açúcar. 
"Nesses ultimos anos de crise no setor, procuramos lançar crédito para busca de eficiência e inovação industrial e agrícola [PAISS]. Esses programas devem dar impulso ao ganho de eficiência, podendo desencadear uma retomada de investimentos", espera Cavalcanti.
Após dois anos oferecendo crédito a taxas de juros subsidiadas, por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e outras linhas voltadas a estimular a inovação, o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) ainda quer entender melhor como as usinas sucroalcooleiras vão se comportar diante de suas novas diretrizes de concessão de crédito, mais restritivas diante do aperto fiscal em vigor no país.
A percepção é que em 2016 as usinas deverão apresentar melhores resultados, efeito de uma rentabilidade maior para o etanol em 2015/16, safra que começa em abril. Mas o apetite ainda contido das usinas para investimentos - inclusive em renovação de canaviais (ver abaixo) - tende a gerar uma redução de
empréstimos ao segmento em 2015.
Nas contas de Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, os desembolsos em 2015 poderão recuar a níveis próximos de R$ 5 bilhões, o que representaria uma queda de 17 % frente a 2014. Em um cenário mais otimista, são projetados R$ 6 bilhões, praticamente o mesmo montante do ano passado.
No que tange aos fundamentos, as razões do desaquecimento esperado para 2015 não são novas. Mesmo com a volta da Cide na gasolina - que ampliou a margem de ganho das usinas com o etanol -, as empresas do segmento ainda
padecem de cotações deprimidas do açúcar (parcialmente compensadas pelo dólar valorizado) e com uma elevada alavancagem. Conforme especialistas nesse mercado, há ainda o "estoque"de perdas com etanol decorrentes dos mais de cinco anos de controle dos preços da gasolina no país.
Pesam, ainda, as mudanças nas regras operacionais do BNDES para 2015, já à luz do duro ajuste fiscal promovido pelo governo. "Ainda estamos observando a reação das empresas em relação a isso", afirma.
Esses novos parâmetros, já em vigor, tratam como "prioritários"projetos de infraestrutura, transporte coletivo, saneamento básico, inovação e gestão pública. Aos excluídos desse grupo, o financiamento do banco terá alcance menor, podendo chegar a apenas 30% do valor do projeto. Nesses casos, o custo final do crédito também terá embutida uma taxa de remuneração bancária mais elevada.
No caso dos programas específicos ao segmento sucroalcooleiro, ainda não há uma definição sobre as condições para suas renovações. Entre eles está o Prorenova, lançado em 2012 para financiar a renovação de áreas de cana. Em 2013, o custo total do recurso desse programa foi de 5,5% ao ano e a demanda foi elevada. Em 2014, o custo subiu a 7 ,7 %, e não há uma posição sobre quais serão as taxas de juros e condições para 2015. "Estamos também aguardando a renovação do programa de estocagem de etanol", explica Cavalcanti.
Em 2014, do total de R$ 6,04 bilhões desembolsado pelo BNDES ao setor, R$ 4,24 bilhões foram de investimentos denominados "industrial". Nessa categoria estão os aportes para estocagem do biocombustível, que alcançaram R$ 1,6 bilhão, o dobro do realizado em 2013 (R$ 800 milhões), segundo o
executivo.
A grande demanda, afirma Cavalcanti, se explica pelo volume robusto de etanol produzido no ciclo 2014/15, cuja entressafra começou em dezembro do ano passado e seguirá até o fim de março - a condição aumentou a necessidade dos grupos de levantar mais capital de giro para carregar estoques.
Na área agrícola, na qual se inclui o Prorenova, os desembolsos do banco de fomento em 2014 atingiram R$ 1,69 bilhão, ante os R$ 2,05 bilhões de 2013. "Já esperávamos esse desaquecimento, pois o ápice da  renovação de canaviais foi em 2013", observa o executivo do BNDES. 
Os investimentos em cogeração de energia recuaram a R$ 110 milhões no ano passado, ante os R$ 200 milhões de 2013. "Mas acreditamos que em 2015 haverá algum aquecimento na demanda por esse tipo de projeto. Já aprovamos dois neste ano. O cenário para bioeletricidade está se mantendo positivo", avaliou o executivo. 
De qualquer forma, a visão é de que o cenário para as companhias sucroalcooleiras será melhor este ano. "Se o clima for bom, as usinas vão ter em 2015 um dos melhores anos em muitos anos", avalia o gerente setorial
do departamento de biocombustíveis, Artur Milanez.
Há alguns anos, lembram os executivos do banco, o BNDES não recebe novas demandas para expansão da capacidade instalada no país. Cavalcanti, no entanto, acredita que esse cenário vai começar a mudar em 2016, quando os balanços das empresas vão passar a refletir o melhor momento do etanol e o início do ciclo de déficit global no mercado de açúcar. 
"Nesses ultimos anos de crise no setor, procuramos lançar crédito para busca de eficiência e inovação industrial e agrícola [PAISS]. Esses programas devem dar impulso ao ganho de eficiência, podendo desencadear uma retomada de investimentos", espera Cavalcanti.