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Desembolsos do BNDES para usinas vão diminuir até 42%

23/09/2015 Cana-de-Açúcar POR: Valor Econômico
Os desembolsos do BNDES às usinas sucroalcooleiras deverão cair em 2015 para entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, afirmou ao Valor o chefe do departamento de biocombustíveis do banco de fomento, Carlos Eduardo Cavalcanti. Se confirmado, será o menor desembolso anual desde 2007, no início do último "boom" do etanol e ano em que a instituição liberou R$ 3,6 bilhões a empresas da área.
Em 2014, o BNDES desembolsou R$ 6 bilhões ao segmento, patamar ainda elevado que refletiu as taxas de juros mais baixas das linhas de renovação de canaviais e estocagem de etanol, além dos programas de inovação industrial e agrícola, também com juros subsidiados. No início deste ano, antes do agravamento da situação econômica do país, o banco chegou a projetar desembolsos de R$ 5 bilhões em 2015. Mas passados dois terços do ano, a instituição ajustou suas expectativas. "Ninguém está investindo", afirmou Cavalcanti.
A baixa previsão de desembolsos em 2015 reflete a fraca demanda das companhias sucroalcooleiras por expansão de capacidade e também os custos mais elevados para a captação de recursos. Pesa, ainda, o elevado nível de endividamento de empresas do segmento, que vem aumentando a taxas de dois dígitos nos últimos anos e tende a ser potencializado com a elevação da taxa Selic e da valorização do dólar em relação ao real.
Segundo Cavalcanti, os desembolsos deste ano devem incluir R$ 500 milhões em contratações do Prorenova, linha de crédito para renovação de canaviais que, segundo ele, vai começar a ser operacionalizada no início de outubro, após dois meses de atraso. Também haverá desembolsos para projetos protocolados no ano passado, alguns deles relacionados à ampliação da capacidade industrial já existente e de cogeração.
Nos anos anteriores, as usinas tiveram acesso a crédito do BNDES com taxas de juros mais atrativas, o que estimulou a demanda, em especial para renovação de canaviais e estocagem de etanol. As taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) também atraíram o interesse dos grupos por aportes em expansão de capacidade existente. Os juros do PSI chegaram a 3% ao ano em 2013, quando as taxas do Prorenova foram de 5,5%.
Para este ano, em que os custos médios de algumas dessas linhas (considerando a remuneração do BNDES e dos bancos repassadores) foram calculados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em cerca de 14% ao ano, a expectativa é que a procura por recursos do banco seja baixa. "Podem não ser as melhores taxas. Mas, dadas as dificuldades de se obter juros subsidiados no país, conseguimos após muito esforço atrelar uma parte das linhas à TJLP", disse Cavalcanti, que ontem participou de evento promovido pela Datagro em São Paulo.
Desde 2007, quando foi criado o departamento de biocombustíveis do BNDES, o banco liberou R$ 45 bilhões ao segmento, distribuídos em mais de 100 projetos. O pico foi em 2010 (R$ 7,6 bilhões).
As perspectivas de recuperação do segmento no Brasil dependem dos preços do açúcar e do etanol. Segundo o chefe sênior da plataforma de açúcar da Louis Dreyfus Commodities, Jacques Gillaux, os preços do açúcar em real para 2016 já indicam uma remuneração acima da esperada para o etanol, mesmo que haja uma elevação da alíquota da Cide na gasolina.
Mas a crise perdura e a parcela das usinas em dificuldades tende a manter os preços do etanol pressionados e uma safra mais "alcooleira" também em 2016/17. "Muitas usinas continuarão produzindo mais etanol mesmo com o açúcar mais atrativo, pois o biocombustível permite gerar recursos mais rapidamente", disse Andy Duff, do Rabobank. 
Os desembolsos do BNDES às usinas sucroalcooleiras deverão cair em 2015 para entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, afirmou ao Valor o chefe do departamento de biocombustíveis do banco de fomento, Carlos Eduardo Cavalcanti. Se confirmado, será o menor desembolso anual desde 2007, no início do último "boom" do etanol e ano em que a instituição liberou R$ 3,6 bilhões a empresas da área.
Em 2014, o BNDES desembolsou R$ 6 bilhões ao segmento, patamar ainda elevado que refletiu as taxas de juros mais baixas das linhas de renovação de canaviais e estocagem de etanol, além dos programas de inovação industrial e agrícola, também com juros subsidiados. No início deste ano, antes do agravamento da situação econômica do país, o banco chegou a projetar desembolsos de R$ 5 bilhões em 2015. Mas passados dois terços do ano, a instituição ajustou suas expectativas. "Ninguém está investindo", afirmou Cavalcanti.

 
A baixa previsão de desembolsos em 2015 reflete a fraca demanda das companhias sucroalcooleiras por expansão de capacidade e também os custos mais elevados para a captação de recursos. Pesa, ainda, o elevado nível de endividamento de empresas do segmento, que vem aumentando a taxas de dois dígitos nos últimos anos e tende a ser potencializado com a elevação da taxa Selic e da valorização do dólar em relação ao real.
Segundo Cavalcanti, os desembolsos deste ano devem incluir R$ 500 milhões em contratações do Prorenova, linha de crédito para renovação de canaviais que, segundo ele, vai começar a ser operacionalizada no início de outubro, após dois meses de atraso. Também haverá desembolsos para projetos protocolados no ano passado, alguns deles relacionados à ampliação da capacidade industrial já existente e de cogeração.
Nos anos anteriores, as usinas tiveram acesso a crédito do BNDES com taxas de juros mais atrativas, o que estimulou a demanda, em especial para renovação de canaviais e estocagem de etanol. As taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) também atraíram o interesse dos grupos por aportes em expansão de capacidade existente. Os juros do PSI chegaram a 3% ao ano em 2013, quando as taxas do Prorenova foram de 5,5%.
Para este ano, em que os custos médios de algumas dessas linhas (considerando a remuneração do BNDES e dos bancos repassadores) foram calculados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em cerca de 14% ao ano, a expectativa é que a procura por recursos do banco seja baixa. "Podem não ser as melhores taxas. Mas, dadas as dificuldades de se obter juros subsidiados no país, conseguimos após muito esforço atrelar uma parte das linhas à TJLP", disse Cavalcanti, que ontem participou de evento promovido pela Datagro em São Paulo.
Desde 2007, quando foi criado o departamento de biocombustíveis do BNDES, o banco liberou R$ 45 bilhões ao segmento, distribuídos em mais de 100 projetos. O pico foi em 2010 (R$ 7,6 bilhões).

As perspectivas de recuperação do segmento no Brasil dependem dos preços do açúcar e do etanol. Segundo o chefe sênior da plataforma de açúcar da Louis Dreyfus Commodities, Jacques Gillaux, os preços do açúcar em real para 2016 já indicam uma remuneração acima da esperada para o etanol, mesmo que haja uma elevação da alíquota da Cide na gasolina.
Mas a crise perdura e a parcela das usinas em dificuldades tende a manter os preços do etanol pressionados e uma safra mais "alcooleira" também em 2016/17. "Muitas usinas continuarão produzindo mais etanol mesmo com o açúcar mais atrativo, pois o biocombustível permite gerar recursos mais rapidamente", disse Andy Duff, do Rabobank.