Do Pão de Açúcar ao futuro da energia doce o Brasil oferece o maior espetáculo da terra

26/04/2021 Artigo POR: José Luiz Tejon Megido

José Luiz Tejon Megido*

 

Energia doce? “Sweet energy”, why not? Por que não!

Queremos que Alysson Paolinelli ganhe o merecido Nobel da paz. Em 1975, este sábio brasileiro atuou no início do Pró-álcool. Criamos a partir da surpreendente crise do petróleo dos anos 70, soluções. De fato, o poder do incômodo nos incomoda e nos faz criar novos caminhos. Passamos a ser não mais apenas açúcar. Apenas? O açúcar é a fonte de energia mais espetacular humana, ambiental e da mobilidade.

Começo este artigo com o “Pão de Açúcar”. Sim, uma peça da natureza considerada uma das maiores maravilhas do mundo. Foi batizado aquele morro na forma de um pão, com o açúcar. Diz a história que nos carregamentos de açúcar para a Europa, nas caravelas pelo Porto do Rio de Janeiro, o calor escaldante derretia o açúcar e se estabelecia o cheiro delicioso do doce. Os marinheiros diziam ser aquele o Porto do Pão de Açúcar.

Entramos em 2021 com crise hídrica. Mudanças climáticas. Riscos na geração da energia hidrelétrica. Chegamos à nova década mergulhados numa pandemia que mudará a tolerância humana para muitas coisas. A principal será um foco imperturbável sobre a saúde. E agribusiness vai se tornar um sistema de saúde. E novamente a nossa cana brasileira, do Pão de Açúcar, do Pró-álcool, com RenovaBio, oferece o sonho de consumo do novo mundo doravante, o biocombustível, sem jamais esquecer das virtudes do eterno açúcar no combate à fome planetária.

Entramos agora em custos elevados da energia elétrica. E custos da eletricidade significam inflacionar as cadeias de produção com despesas onde alguns conseguirão repassar e outros não.

Então passaremos a ver de forma acelerada a cogeração de energia elétrica com a biomassa da cana-de-açúcar, decolando, crescendo e se transformando sim numa importante eletricidade doce. Estamos criando a “sweet eletricity“.

Com os múltiplos derivados dessa nobre planta onde a garapa e a rapadura tão bem me fizeram na infância pobre que vivi, conseguimos até influenciar a Índia, onde milhões de pequenos produtores subsidiados para produzir somente açúcar passam a contar com um novo mercado, o do etanol. E essa simples mudança recolocou os preços do açúcar em patamares de um justo “fair trade”. Na apresentação da ABIA - Associação Brasileira da Indústria de Alimentação sobre 2020, o açúcar registrou dentre todos os itens o maior crescimento de vendas.

O setor sucroenergético faz do Brasil o maior açucareiro do planeta. E isso é bom. Temos pesquisa, ciência e infinitas possibilidades de insumos industriais, químicos, plásticos e de sermos protagonistas da prosperidade desta década. E onde essa atividade está, temos melhor IDH e empregos.

Prosperidade significa a governança da esperança. Que o setor canavieiro nos imante com o design de um Pão de Açúcar, com a energia para a vida, e que crie um novo conceito no mundo: “the sweet world”.

Um mundo doce. Um Brasil doce e da paz. Que Alysson receba esse Nobel!

* José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista, publicitário. Especializações em Harvard, MIT e Insead. Coordenador acadêmico do Master Science em Food &Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França, Coordenador do Agribusiness Center Fecap/SP e professor convidado da FGV in Company e FIA/USP. Comentarista da Jovem Pan, do Estadão on-line e diversas mídias. Autor e coautor de 34 livros.