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Em busca da produtividade perdida

11/09/2015 Cana-de-Açúcar POR: Andréia Vital – Revista Canavieiros – edição 110
Com o maior índice de mecanização do país, Mato Grosso do Sul teve 97% de sua lavoura colhida por máquinas na safra passada. O progresso no sistema de mecanização é atribuído ao crescimento sustentável do setor sucroenergético no Estado, explica o presidente da Biosul (Associação dos Produtores deBioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda Filho.
“Como a expansão no setor é recente no MS, as empresas já chegaram dentro do paradigma da mecanização e da biodiversidade, características marcantes do Estado”, elucida, lembrando que embora ainda esteja em um momento de expansão, o MS também sofre as consequências da crise, mas tem procurado fazer o seu papel para recuperar uma produtividade perdida, devido a problemas climáticos enfrentado noano passado, que culminou com produtividade de 70 toneladas por hectares e ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) em torno de 128 kg, índices considerados baixos pelo executivo.
Este não será o primeiro desafio de Hollanda, pernambucano, nascido em Recife, que já comandou a ALCO (Associação Brasileira da Indústria de Álcool) e teve a missão de implantar a Biosul, no Estado, contribuindo assim para o desenvolvimento do setor sucroenergético sul-mato-grossense. Criada em dezembro de 2008, a entidade nasceu da união e soma de esforços dos sindicatos das indústrias de fabricantes de Álcool (Sindal-MS), de Açúcar (Sindaçúcar-MS) e de Geração de Energia Elétrica de Pequeno e Médio Porte (Sinergia-MS). Atualmente, 22 usinas das 25 associadas estão em operação.
Nesta entrevista exclusiva para a Canavieiros, o presidente da Biosul conta como está o segmento canavieiro no MS.
Revista Canavieiros: Quais são as expectativas para a atual safra canavieira no Mato Grosso do Sul? Qual balanço da produção você faz até o momento?
Roberto Hollanda: A nossa primeira estimativa indicou um volume de 50,2 milhões de toneladas de cana disponíveis, um crescimento de 15%. Até 31 de julho já foram processadas 20,33 milhões, 25,75% a mais do que o mesmo momento na safra anterior. Sendo que na segunda quinzena de julho, foram processadas 3,19 milhões de toneladas de cana, 74,36% maior que no mesmo período na safra passada.
No acumulado, o ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) atingiu 123,9 kg, volume 1,77% maior que o da safra passada e na quinzena, atingiu 128,7 kg.
Já a produção de açúcar, até a primeira segunda quinzena de julho, chegou a 530 mil toneladas de açúcar, quantidade 21,3% maior que a produção registrada anteriormente, que foi de 436 mil toneladas. No caso do etanol, dados registram que até 31 de julho foram produzidos 273 milhões de litros de etanol anidro e 884 milhões de litros de etanol hidratado, no acumulado, resultando em 1,15 bilhão de litros de biocombustível produzido, volume 29,8% maior que na safra 2014/2015.
Ainda que aparentemente estejamos com folga, há que se considerar que a safra passada teve um começo muito ruim. Na verdade, até agora o que observamos é que a chuva atrapalhou bastante o início da safra. A primeira quinzena de julho teve aproveitamento abaixo de 20% no cone sul do Estado, onde se concentra a maior parte de nossa produção.
 
Revista Canavieiros: Qual é o grande desafio do segmento no MS atualmente? A oscilação climática atrapalhará a produção deste ano?
Roberto Hollanda: As últimas cinco safras tiveram uma coisa em comum: um padrão climático fora das médias. Tivemos excesso e falta de chuvas, em períodos irregulares, além de geadas. Já na safra passada houve uma significativa mudança no período de moagem, com muitas usinas começando a safra mais cedo e terminando mais tarde. Acho que é uma tendência, alongar o período de safra para aproveitar as “brechas” climáticas.
Revista Canavieiros: Quais são os reflexos da crise do setor sucroenergético no Estado?
Roberto Hollanda: O Mato Grosso do Sul tem uma característica importante, que é o fato de contar com muitas unidades que ainda não completaram seus projetos, ainda estamos em fase de expansão.
No entanto, esse crescimento que tem acontecido safra após safra não pode trazer a ilusão de que passamos incólumes à crise. Infelizmente, também tivemos unidades que suspenderam as atividades e outras em processo de recuperação judicial.
Revista Canavieiros: Com relação à produção de cana-de-açúcar, qual é o posicionamento de MS no ranking nacional? Há perspectiva de mudanças?
Roberto Hollanda: Na safra 14/15 fomos o quarto maior produtor nacional em cana, num empate técnico e fraterno com o Paraná. Quinto em açúcar e quarto em etanol. Somos o terceiro maior produtor de etanol hidratado.
Com relação a mudanças, as que nos preocupam no momento são as institucionais. Aí o MS poderá assumir um maior ritmo do crescimento e, quem sabe, acolher novos investimentos.
Revista Canavieiros: Há previsão de redução/aumento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os combustíveis em MS a exemplo do que ocorreu em Minas Gerais?
Roberto Hollanda: Este ano tivemos a redução do ICMS do diesel, mas não temos previsão de diminuição do ICMS do etanol.
Revista Canavieiros: Qual é a área de atuação da Biosul e o que a associação tem feito no sentido de contribuir para um crescimento sustentável da produção canavieira?
Roberto Hollanda: A Biosul foi criada em 2008, já em um modelo institucional mais moderno, com o formato de associação sobrepondo-se ao modelo sindical e com a profissionalização da gestão. Nesse período o setor mais que triplicou de tamanho, com demandas dos associados e demandas institucionais, de relacionamento do setor com as instituições locais, públicas e privadas, com a sociedade enfim. Tem sido um período de muito trabalho, mas os resultados têm sido positivos para todos os envolvidos.
Revista Canavieiros: MS possui o maior índice de mecanização do Brasil. O senhor atribui este progresso no processo de mecanização no Estado a que fator? Qual foi o porcentual de mecanização das lavouras em MS no ciclo passado e qual será nesta safra?
Roberto Hollanda: O MS é um Estado relativamente novo na produção de bioenergia, então as leis de mecanização foram respeitadas pelo maior número de usinas em um curto período. Isso fez com que a mecanização chegasse a patamares altos em pouco tempo aqui no Estado. Praticamente toda a nossa safra já é mecanizada. Na safra passada já chegamos a 97%.
Revista Canavieiros: A mão de obra qualificada para a operação de modernos equipamentos ainda é um obstáculo para o setor? O que a Biosul tem feito para amenizar esse problema?
Roberto Hollanda: Não é um problema, mas um desafio importante. Temos um foco importante nessa questão, determinado por nossos associados. Nesse sentido, a Biosul tem sido indutora de diversos programas de qualificação, com parcerias com o sistema CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Governo Federal e Governo do Estado.
Revista Canavieiros: A bioenergia gerada através da cana-de-açúcar tem sido apontada como a “tábua de salvação” do segmento nos últimos tempos. Na sua visão, a energia de biomassa no Brasil tem futuro promissor?
Roberto Hollanda: Sim, a biomassa está em voga no momento e as usinas estão aproveitando essa fase, investindo de cogeração de energia.
Revista Canavieiros: Qual o potencial de geração de energia desse setor no MS? Há perspectiva de aumentar a cogeração nas próximas safras?
Roberto Hollanda: O MS gerou 1.879 GWh na última safra. A nossa expectativa é crescer 15% na safra 2015/2016, passando dos 2.000 GHWh
Revista Canavieiros: Na contramão de outras regiões, o setor sucroenergético tem garantido a criação de empregos no Estado. A que o senhor atribui este fato?
Roberto Hollanda: Fazemos parcerias e as unidades investem em qualificação e requalificação dos seus colaboradores o que faz com que a mão de obra seja bem aproveitada em nosso Estado.
Revista Canavieiros: A infraestrutura do Brasil é um dos principais gargalos do agronegócio. O problema também afeta o setor sucroenergético no MS? Quais são as alternativas para solucionar esse obstáculo? 
Roberto Hollanda: Sim, para isso o setor de MS investe cada vez mais em tecnologia para o melhor aproveitamento das unidades.
Revista Canavieiros: Há uma luz no final do túnel para o segmento canavieiro?
Na sua análise, quais são as medidas necessárias para que o cenário melhore para o setor?
Roberto Hollanda: O Fórum Sucroenergético está trabalhando firmemente para que possamos mudar esse quadro de crise do setor que vem desde 2008. Acreditamos que conseguiremos reverter esse quadro com o tempo e com medidas que apoiem o setor. 
Com o maior índice de mecanização do país, Mato Grosso do Sul teve 97% de sua lavoura colhida por máquinas na safra passada. O progresso no sistema de mecanização é atribuído ao crescimento sustentável do setor sucroenergético no Estado, explica o presidente da Biosul (Associação dos Produtores deBioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda Filho.

 
“Como a expansão no setor é recente no MS, as empresas já chegaram dentro do paradigma da mecanização e da biodiversidade, características marcantes do Estado”, elucida, lembrando que embora ainda esteja em um momento de expansão, o MS também sofre as consequências da crise, mas tem procurado fazer o seu papel para recuperar uma produtividade perdida, devido a problemas climáticos enfrentado noano passado, que culminou com produtividade de 70 toneladas por hectares e ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) em torno de 128 kg, índices considerados baixos pelo executivo.

 
Este não será o primeiro desafio de Hollanda, pernambucano, nascido em Recife, que já comandou a ALCO (Associação Brasileira da Indústria de Álcool) e teve a missão de implantar a Biosul, no Estado, contribuindo assim para o desenvolvimento do setor sucroenergético sul-mato-grossense. Criada em dezembro de 2008, a entidade nasceu da união e soma de esforços dos sindicatos das indústrias de fabricantes de Álcool (Sindal-MS), de Açúcar (Sindaçúcar-MS) e de Geração de Energia Elétrica de Pequeno e Médio Porte (Sinergia-MS). Atualmente, 22 usinas das 25 associadas estão em operação.
Nesta entrevista exclusiva para a Canavieiros, o presidente da Biosul conta como está o segmento canavieiro no MS.

 
Revista Canavieiros: Quais são as expectativas para a atual safra canavieira no Mato Grosso do Sul? Qual balanço da produção você faz até o momento?

Roberto Hollanda: A nossa primeira estimativa indicou um volume de 50,2 milhões de toneladas de cana disponíveis, um crescimento de 15%. Até 31 de julho já foram processadas 20,33 milhões, 25,75% a mais do que o mesmo momento na safra anterior. Sendo que na segunda quinzena de julho, foram processadas 3,19 milhões de toneladas de cana, 74,36% maior que no mesmo período na safra passada.

 
No acumulado, o ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) atingiu 123,9 kg, volume 1,77% maior que o da safra passada e na quinzena, atingiu 128,7 kg.
Já a produção de açúcar, até a primeira segunda quinzena de julho, chegou a 530 mil toneladas de açúcar, quantidade 21,3% maior que a produção registrada anteriormente, que foi de 436 mil toneladas. No caso do etanol, dados registram que até 31 de julho foram produzidos 273 milhões de litros de etanol anidro e 884 milhões de litros de etanol hidratado, no acumulado, resultando em 1,15 bilhão de litros de biocombustível produzido, volume 29,8% maior que na safra 2014/2015.
Ainda que aparentemente estejamos com folga, há que se considerar que a safra passada teve um começo muito ruim. Na verdade, até agora o que observamos é que a chuva atrapalhou bastante o início da safra. A primeira quinzena de julho teve aproveitamento abaixo de 20% no cone sul do Estado, onde se concentra a maior parte de nossa produção.
 
Revista Canavieiros: Qual é o grande desafio do segmento no MS atualmente? A oscilação climática atrapalhará a produção deste ano?

Roberto Hollanda: As últimas cinco safras tiveram uma coisa em comum: um padrão climático fora das médias. Tivemos excesso e falta de chuvas, em períodos irregulares, além de geadas. Já na safra passada houve uma significativa mudança no período de moagem, com muitas usinas começando a safra mais cedo e terminando mais tarde. Acho que é uma tendência, alongar o período de safra para aproveitar as “brechas” climáticas.

 
Revista Canavieiros: Quais são os reflexos da crise do setor sucroenergético no Estado?

Roberto Hollanda: O Mato Grosso do Sul tem uma característica importante, que é o fato de contar com muitas unidades que ainda não completaram seus projetos, ainda estamos em fase de expansão.
No entanto, esse crescimento que tem acontecido safra após safra não pode trazer a ilusão de que passamos incólumes à crise. Infelizmente, também tivemos unidades que suspenderam as atividades e outras em processo de recuperação judicial.

 
Revista Canavieiros: Com relação à produção de cana-de-açúcar, qual é o posicionamento de MS no ranking nacional? Há perspectiva de mudanças?

Roberto Hollanda: Na safra 14/15 fomos o quarto maior produtor nacional em cana, num empate técnico e fraterno com o Paraná. Quinto em açúcar e quarto em etanol. Somos o terceiro maior produtor de etanol hidratado.
Com relação a mudanças, as que nos preocupam no momento são as institucionais. Aí o MS poderá assumir um maior ritmo do crescimento e, quem sabe, acolher novos investimentos.

 
Revista Canavieiros: Há previsão de redução/aumento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os combustíveis em MS a exemplo do que ocorreu em Minas Gerais?

Roberto Hollanda: Este ano tivemos a redução do ICMS do diesel, mas não temos previsão de diminuição do ICMS do etanol.

 
Revista Canavieiros: Qual é a área de atuação da Biosul e o que a associação tem feito no sentido de contribuir para um crescimento sustentável da produção canavieira?

Roberto Hollanda: A Biosul foi criada em 2008, já em um modelo institucional mais moderno, com o formato de associação sobrepondo-se ao modelo sindical e com a profissionalização da gestão. Nesse período o setor mais que triplicou de tamanho, com demandas dos associados e demandas institucionais, de relacionamento do setor com as instituições locais, públicas e privadas, com a sociedade enfim. Tem sido um período de muito trabalho, mas os resultados têm sido positivos para todos os envolvidos.

 
Revista Canavieiros: MS possui o maior índice de mecanização do Brasil. O senhor atribui este progresso no processo de mecanização no Estado a que fator? Qual foi o porcentual de mecanização das lavouras em MS no ciclo passado e qual será nesta safra?

Roberto Hollanda: O MS é um Estado relativamente novo na produção de bioenergia, então as leis de mecanização foram respeitadas pelo maior número de usinas em um curto período. Isso fez com que a mecanização chegasse a patamares altos em pouco tempo aqui no Estado. Praticamente toda a nossa safra já é mecanizada. Na safra passada já chegamos a 97%.

 
Revista Canavieiros: A mão de obra qualificada para a operação de modernos equipamentos ainda é um obstáculo para o setor? O que a Biosul tem feito para amenizar esse problema?

Roberto Hollanda: Não é um problema, mas um desafio importante. Temos um foco importante nessa questão, determinado por nossos associados. Nesse sentido, a Biosul tem sido indutora de diversos programas de qualificação, com parcerias com o sistema CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Governo Federal e Governo do Estado.

 
Revista Canavieiros: A bioenergia gerada através da cana-de-açúcar tem sido apontada como a “tábua de salvação” do segmento nos últimos tempos. Na sua visão, a energia de biomassa no Brasil tem futuro promissor?

Roberto Hollanda: Sim, a biomassa está em voga no momento e as usinas estão aproveitando essa fase, investindo de cogeração de energia.

 
Revista Canavieiros: Qual o potencial de geração de energia desse setor no MS? Há perspectiva de aumentar a cogeração nas próximas safras?

Roberto Hollanda: O MS gerou 1.879 GWh na última safra. A nossa expectativa é crescer 15% na safra 2015/2016, passando dos 2.000 GHWh.

 
Revista Canavieiros: Na contramão de outras regiões, o setor sucroenergético tem garantido a criação de empregos no Estado. A que o senhor atribui este fato?

Roberto Hollanda: Fazemos parcerias e as unidades investem em qualificação e requalificação dos seus colaboradores o que faz com que a mão de obra seja bem aproveitada em nosso Estado.

 
Revista Canavieiros: A infraestrutura do Brasil é um dos principais gargalos do agronegócio. O problema também afeta o setor sucroenergético no MS? Quais são as alternativas para solucionar esse obstáculo? 

Roberto Hollanda: Sim, para isso o setor de MS investe cada vez mais em tecnologia para o melhor aproveitamento das unidades.

 
Revista Canavieiros: Há uma luz no final do túnel para o segmento canavieiro? Na sua análise, quais são as medidas necessárias para que o cenário melhore para o setor?
 
Roberto Hollanda: O Fórum Sucroenergético está trabalhando firmemente para que possamos mudar esse quadro de crise do setor que vem desde 2008. Acreditamos que conseguiremos reverter esse quadro com o tempo e com medidas que apoiem o setor.