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Estiagem deve impactar no cultivo da cana em Minas

07/02/2014 Cana-de-Açúcar POR: Michelle Valverde | Diário do Comércio - Belo Horizonte/MG
A estiagem registrada em Minas Gerais, que deve durar ainda mais uma semana, segundo meteorologistas, poderá impactar na produtividade de cana-de-açúcar na safra 2014/15. Isso porque as chuvas de janeiro, que não aconteceram, são fundamentais para o crescimento da cana. As indústrias sucroenergéticas já estão em alerta, mas ainda não conseguem prever o possível prejuízo com a seca. No entanto, se ocorrer, a perda poderá ser compensada pela ampliação da área plantada no Estado.
 
A avaliação é do presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos. "Não temos ainda o real impacto da seca no desenvolvimento dos canaviais, o que podemos dizer é que a luz amarela já acendeu. O índice de chuvas registrados nas regiões nos últimos três meses ficou bem aquém do histórico. Isso atinge o canavial no período em que a cana-de-açúcar está crescendo. Como para o desenvolvimento é necessário luminosidade e água, poderá ocorrer queda no volume de cana produzido por hectare", disse Campos.
 
Mesmo com a possibilidade de redução da produtividade, o volume de cana-de-açúcar a ser esmagado não deve cair. "Os primeiros relatos em relação à produção mostram um possível aumento na área plantada e, se a seca prejudicar a produtividade, este incremento no espaço de plantio pode compensar a queda", completou Campos.
 
De acordo com a Somar Meteorologia, a previsão é que as chuvas ocorram com maior intensidade somente durante a segunda quinzena de fevereiro. O meteorologista da Somar, Celso Oliveira, ressalta que estiagem que vem sendo registrada em Minas Gerais é mais rigorosa que em anos anteriores.
 
"Normalmente ocorre o veranico no Estado, porém, neste ano, as temperaturas estão muito mais elevadas, o que causa impacto significativo na produção agrícola. Além disso, dezembro é marcado por um período mais úmido, com chuvas mais intensas, mas o mês também foi mais seco", disse.
 
Ainda segundo Oliveira, com as altas temperaturas e as chuvas insuficientes a produtividade dos canaviais deve ser afetada. "Começamos 2014 com tempo seco e, após 30 dias, continuamos sem episódios de chuvas fortes. A cana-de-açúcar pode ser afetada pelo calor extremo. Normalmente a média do Estado é chover durante 20 dias em janeiro, o que não ocorreu este ano", disse.
 
 
Mercado
 
De acordo com dados da Archer Consulting, a falta de chuvas tem impulsionado os preços do açúcar. O contrato futuro de açúcar em Nova York encerrou a semana de 27 a 31 de janeiro com alta de 50 pontos em relação à semana anterior, ou US$ 11 por tonelada, tendo o primeiro vencimento março de 2014 encerrando o mês de janeiro cotado a 15,61 centavos de dólar por libra-peso.
 
O percentual de alta na sessão da última sexta-feira, 4,14%, foi o maior registrado desde junho de 2012 quando o mercado fechou com 4,34% de alta. No acumulado do ano, no entanto, o açúcar é a segunda commoditie que mais caiu no planeta, com recuo de 4,9% e abaixo somente do trigo que retraiu 8,2%.