Estratégia “até logo”

03/05/2021 Cana-de-Açúcar POR: MARINO GUERRA

Plantio realizado em maio do ano passado (foto feita em setembro), onde a cana passou por condições climáticas extremas, mas pelo fato de não ter produzido colmos na estiagem, suas folhas permaneceram vigorosas esperando as primeiras gotas de chuva para iniciar o processo de crescimento

 

No melhor agro do mundo não cabe mais um produtor com a cabeça fechada, que não considere todas as possibilidades para fazer o melhor uso de sua área. Através desse ponto de vista, em algumas regiões, muitos optaram pela rotação de cultura prolongada (com duração prevista de um ano onde são feitos dois plantios de verão e uma safrinha).

Ao analisar os casos, ficam evidentes três motivos principais que fizeram os agricultores a tomar essa decisão. O primeiro e mais evidente são as condições climáticas atuais, que já ditas nesse conjunto de reportagens trouxe muito risco para o plantio da cana.

O segundo é a remuneração, lembrando que os valores da cana estão em patamares bastante satisfatórios, mas em algumas regiões é histórico o problema de negociação com grupos de grande influência (que não se abrem em acordos mais amplos com os fornecedores), fazendo com que muitos aproveitassem o vencimento de contratos para surfar as ondas graneleiras, tanto da soja como do milho.

Há relatos de gente que tirou mais de mil hectares de cana para fazer uso dessa estratégia, o que pode pressionar (pela falta de matéria-prima) esses grupos a abrirem mais a cabeça e tratar seus fornecedores como parceiros, o que eles realmente são.

Finalmente, têm aqueles que tiveram que tirar o pé da cana por pressão das pragas de solo, tendo como problema principal o sphenophorus, contudo o produtor precisa ficar atento em não cultivar o milho no inverno.

Isso considerando que a cultura também serve de hospedeira para a praga, e como seu ciclo é longo, podendo bater 100 dias, é plausível acreditar que ele consiga permanecer no solo durante o período da soja e depois volta a fazer morada nas raízes do milharal.

Na região entre Orindiúva e Paulo de Faria, a escolha por retardar o plantio de cana é por causa do migdolus, que há algum tempo judia dos produtores locais, porém, nesses oito meses de muitos veranicos passou a influenciar muito mais no crescimento das plantas.

O grande receio desse “até logo” é que ele se transforme em “adeus” fazendo com que solos descansados, que poderiam representar ciclos futuros de alta produtividade de cana, não tenham seu plantio renovado, e pior, os produtores decidam levar mais áreas para os grãos.

Para isso não acontecer, e a falta de cana, que foi um problema na safra passada e será ainda maior no período que se iniciou no dia primeiro de abril, não continuar se acentuando, é preciso que os elos da cadeia sentem e conversem para traçar acordos onde todos ganham, pois seria um grande desperdício perder a onda de bons preços do açúcar e o futuro brilhante do etanol por pura falta de entendimento.