Exportações de açúcar do Brasil para a Ásia só tendem a aumentar?

28/03/2014 Açúcar POR: Revista Amanhã
Maior produtor mundial de cana de açúcar, com mais de 600 milhões de toneladas em 2014, o Brasil é também o maior produtor de açúcar de cana do mundo (39 milhões de toneladas no ano passado, equivalentes a 22% do total). Essa condição, mais o fato de que o seu consumo interno é de "apenas" 13 milhões de toneladas, colocam o Brasil como o maior exportador de açúcar, com metade(!) do total de 58 milhões de toneladas comercializadas no mundo em 2012/2013. Essa somatória explica o enorme interesse da Índia e da China, principalmente, pelo açúcar de cana brasileiro, na medida em que esses dois países tendem a aumentar suas importações desse produto nos próximos anos, por aumento do poder aquisitivo de suas populações e pela alteração nos seus hábitos alimentares.
 
Para entender melhor as perspectivas aparentemente favoráveis na Ásia para o açúcar de cana do Brasil, deve-se comparar o atual consumo per capita de açúcar, nos países maiores produtores e consumidores, e as previsões de crescimento econômico da Índia e da China até 2020. Maior consumidora mundial, com 23 milhões de toneladas para seu 1,15 bilhão de habitantes, a Índia proporciona a cada um 20 quilos de açúcar por ano. Já a China, terceira maior consumidora, com 15 milhões de toneladas para 1,35 bilhão de habitantes, oferta tão somente 11 quilos per capita, que vem a ser exatamente um terço do consumo norte-americano. Ou seja, se chineses e indianos adoçassem seu cotidiano como os yankees, teriam que importar 45 milhões de toneladas de açúcar a mais - 30 milhões de toneladas a China e 15 milhões de toneladas a Índia - a um custo extra de US$180 bilhões/ano.
 
Mas, ainda que devam aumentar bastante as importações de açúcar nos próximos cinco anos, principalmente da China, é melhor os empresários brasileiros do setor não se animarem muito com a possibilidade, aventada por especialistas do setor açucareiro, desse aumento ser de 50% ou mais, porque consumos per capita de açúcar elevados, como os do Brasil (65kg), México (37kg), e EUA (33kg), não servem de parâmetro para países asiáticos, cujas culturas apresentam diferenças muito importantes em relação às desses países, em particular na alimentação. E o consumo exagerado de açúcar no mundo tende a ser reduzido nos próximos anos, tais as dimensões e características assustadoras do crescimento da obesidade no mundo (500 milhões de pessoas nessa condição e mais outro 1 bilhão com sobrepeso), e dos males de saúde associados, como o diabetes e a hipertensão - a ponto da Organização Mundial de Saúde, em 2012, classificá-la como "pandemia do século 21". Além de tudo isso, há a concorrência norte-americana e australiana, que é considerável. Os empresários e governos desses dois países estão na China e na Índia o tempo todo, fazendo promoção e política, e vendendo, vendendo muito.