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Fim do corte manual de cana deve fazer setor de máquinas crescer 25%

02/05/2013 Cana-de-Açúcar POR: Folha Online
Com a proximidade do fim do prazo para que as usinas eliminem as queimadas para o corte de cana-de-açúcar em São Paulo, o setor de máquinas colhedoras estima crescimento de 25%, já que a colheita manual deverá ser substituída pela mecanizada.
Em 2013, segundo representantes da área, calcula-se que serão vendidas no país 1.250 colhedoras de cana, um pouco acima das mil máquinas comercializadas por ano, em média, nas últimas safras.
A fabricação de colhedoras de cana crua (sem queima) no Brasil é um projeto relativamente novo, que completa 20 anos em 2013, mas que já movimenta por ano acima de R$ 1 bilhão --cada máquina custa até R$ 1 milhão.
Nas duas décadas de evolução, o setor viu a entrada de gigantes internacionais --Case, John Deere e AGCO-- e, aos poucos, ganhou espaço sobre a mão de obra exercida antes por boias-frias.
As máquinas também evoluíram. Hoje, as colhedoras contam com GPS e piloto automático, equipamentos que tornam a operação automatizada, reduzindo os impactos que o tráfego pesado no canavial pode causar à planta.
As primeiras colhedoras de cana crua entraram em uso no interior paulista em 1993, na região de Ribeirão Preto. Antes disso, havia projetos de mecanização desde os anos 1970, mas basicamente com máquinas que não eliminavam a necessidade do fogo.
Produção nacional
A produção nacional teve início em duas frentes. Na primeira, máquinas feitas pela Santal, de Ribeirão, começaram a ser usadas pela usina São Francisco, de Sertãozinho, na mesma região.
Na outra frente, a usina São Martinho, de Pradópolis, iniciou a fabricação de suas próprias máquinas por meio da Engeagro, indústria de Piracicaba da qual era dona.
O projeto surgiu da necessidade de eliminar a importação de máquinas, muitas da Austrália, reconhecido berço da mecanização.
"Foi para tornar mais acessível o preço, a reposição de peças", afirma o diretor agroindustrial da São Martinho, Mário Ortiz Gandini.
A usina se manteve na área até o fim dos anos 1990, quando a multinacional Case assumiu a fábrica de Piracicaba. Já a Santal teve, no ano passado, 60% do negócio comprado pela gigante AGCO, dona de marcas como Massey Ferguson e Valtra.
Impactos
Quando entraram em operação em 1993, as máquinas colheram 0,5% da cana. Já na safra 2012/2013, a Unica (união das usinas) calcula que a mecanização chegou a 85% do centro-sul do país.
A colheita mecânica se acelerou a partir de 2007, quando foi assinado o protocolo ambiental entre as usinas e o governo paulista para eliminação das queimadas --prática para que a cana pudesse ser cortada manualmente com podões por boias-frias.
Até 2014, a colheita mecanizada deverá ocorrer em 100% das áreas planas onde a topografia do terreno permite a operação das máquinas. No restante dos locais, o prazo vence em 2017.
A mecanização impactou diretamente no trabalho no campo. José Giacomo Baccarin, do departamento de economia rural da Unesp de Jaboticabal, estima que no início dos anos 1990 o número de cortadores de cana chegava a 300 mil no Estado.
O total recuou para 213 mil em 2007 e 130 mil no ano passado, segundo estudos feitos por ele com informações do Ministério do Trabalho.
Segundo dados da Unica, só de 2010 a 2012, 21,7 mil trabalhadores canavieiros aprenderam uma nova profissão em programas de capacitação --muitos trocaram o podão pelas colhedoras.
Leandro Martins
Com a proximidade do fim do prazo para que as usinas eliminem as queimadas para o corte de cana-de-açúcar em São Paulo, o setor de máquinas colhedoras estima crescimento de 25%, já que a colheita manual deverá ser substituída pela mecanizada.
Em 2013, segundo representantes da área, calcula-se que serão vendidas no país 1.250 colhedoras de cana, um pouco acima das mil máquinas comercializadas por ano, em média, nas últimas safras.
A fabricação de colhedoras de cana crua (sem queima) no Brasil é um projeto relativamente novo, que completa 20 anos em 2013, mas que já movimenta por ano acima de R$ 1 bilhão --cada máquina custa até R$ 1 milhão.
Nas duas décadas de evolução, o setor viu a entrada de gigantes internacionais --Case, John Deere e AGCO-- e, aos poucos, ganhou espaço sobre a mão de obra exercida antes por boias-frias.
As máquinas também evoluíram. Hoje, as colhedoras contam com GPS e piloto automático, equipamentos que tornam a operação automatizada, reduzindo os impactos que o tráfego pesado no canavial pode causar à planta.
As primeiras colhedoras de cana crua entraram em uso no interior paulista em 1993, na região de Ribeirão Preto. Antes disso, havia projetos de mecanização desde os anos 1970, mas basicamente com máquinas que não eliminavam a necessidade do fogo.
Produção nacional
A produção nacional teve início em duas frentes. Na primeira, máquinas feitas pela Santal, de Ribeirão, começaram a ser usadas pela usina São Francisco, de Sertãozinho, na mesma região.
Na outra frente, a usina São Martinho, de Pradópolis, iniciou a fabricação de suas próprias máquinas por meio da Engeagro, indústria de Piracicaba da qual era dona.
O projeto surgiu da necessidade de eliminar a importação de máquinas, muitas da Austrália, reconhecido berço da mecanização.
"Foi para tornar mais acessível o preço, a reposição de peças", afirma o diretor agroindustrial da São Martinho, Mário Ortiz Gandini.
A usina se manteve na área até o fim dos anos 1990, quando a multinacional Case assumiu a fábrica de Piracicaba. Já a Santal teve, no ano passado, 60% do negócio comprado pela gigante AGCO, dona de marcas como Massey Ferguson e Valtra.
Impactos
Quando entraram em operação em 1993, as máquinas colheram 0,5% da cana. Já na safra 2012/2013, a Unica (união das usinas) calcula que a mecanização chegou a 85% do centro-sul do país.
A colheita mecânica se acelerou a partir de 2007, quando foi assinado o protocolo ambiental entre as usinas e o governo paulista para eliminação das queimadas --prática para que a cana pudesse ser cortada manualmente com podões por boias-frias.
Até 2014, a colheita mecanizada deverá ocorrer em 100% das áreas planas onde a topografia do terreno permite a operação das máquinas. No restante dos locais, o prazo vence em 2017.
A mecanização impactou diretamente no trabalho no campo. José Giacomo Baccarin, do departamento de economia rural da Unesp de Jaboticabal, estima que no início dos anos 1990 o número de cortadores de cana chegava a 300 mil no Estado.
O total recuou para 213 mil em 2007 e 130 mil no ano passado, segundo estudos feitos por ele com informações do Ministério do Trabalho.
Segundo dados da Unica, só de 2010 a 2012, 21,7 mil trabalhadores canavieiros aprenderam uma nova profissão em programas de capacitação --muitos trocaram o podão pelas colhedoras.
Leandro Martins