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Grupo seleto de usinas tradicionais dribla a crise

09/06/2015 Cana-de-Açúcar POR: Valor Econômico
Em meio a companhias que, na média, devem 10% mais do que faturam, existem no setor sucroalcooleiro usinas sucroalcooleiras de médio porte que, com administrações familiares, estão sofrendo poucos arranhões mesmo diante dos problemas que levaram ao fechamento de mais de 80 unidades no país nos últimos cinco anos. Esse grupo em melhor situação, formado por uma dezena de empresas, responde por cerca de 15% da moagem de cana no Centro­Sul, segundo estimativas do mercado, e alimenta a tese de que grande parte da crise que asfixia o segmento deriva da gestão.
A maior parte delas está concentrada no Estado de São Paulo e tem capacidade para moer entre 5 milhões e 15 milhões de toneladas de cana por ano. Estão nesse time grupos como Lincoln Junqueira, Zilor, Bazan, Colombo e Ipiranga Agroindustrial. Cada uma delas adotou uma estratégia de sobrevivência própria, geralmente baseada ou
em um caixa elevado ou na manutenção de um baixo nível de endividamento. Mas têm em comum parcimônia para investir, o que fez a diferença após 2008, quando até usinas bem administradas se deram mal ao se expandir demais.
Todos os cargos estratégicos da Ipiranga Agroindustrial são ocupados pelos fundadores, os irmãos Tittoto. Hoje controlam três usinas, que deverão processar nesta temporada iniciada em abril (2015/16) 6,2 milhões de toneladas de cana. A gestão familiar implica a presença intensa dos sócios no dia a dia do negócio. O presidente, Leopoldo, por exemplo, trabalha das sete da manhã às sete da noite, faz plantão aos fim de semana no período de safra e lidera canaviais próprios que respondem por 75% da matéria­prima processada em suas fábricas.
"Estamos elevando a fatia para 80%. A cana é 60% do nosso custo e a nossa expertise. Meu pai era fornecedor", diz Tittoto.
No ciclo que terminou em 31 de março deste ano (2014/15), o grupo, que controla duas empresas ­ a Usina Ipiranga (com duas unidades) e a Usina Iacanga (com uma unidade) ­ apresentou lucro líquido em ambas as operações. Com o caixa gerado, conseguiu pagar os juros da dívida e realizar todos os investimentos (renovação de canaviais, manutenção agrícola e industrial), um feito em um segmento com custos em alta constante e preços de venda achatados. O endividamento bancário líquido foi de R$ 619 milhões em 2014/15, um leve aumento ante os R$ 617 milhões da temporada 2013/14. O prazo de vencimento da dívida da Ipiranga Agroindustrial (20% no curto prazo) é considerado adequado pelo mercado.
"A gente é familiar. Fica em cima da redução de custos e tem pouca gente. Nosso custo financeiro é baixo. Nossa dívida está em crédito rural ou linha de longo prazo do BNDES ", diz Tittoto. Na recém­iniciada safra 2015/16, a empresa terá um índice de 0,48 trabalhador para cada mil toneladas de cana processadas. Há cinco anos, esse
índice era de 0,70. Em 2017, quando 100% da cana estiver sendo colhida por máquinas e a moagem do grupo tiver alcançado 7 milhões de toneladas, esse índice deve ir a 0,38.
Apesar de passar pela crise com alguns arranhões, a paulista Usina Colombo segue como referência de boa gestão no segmento. Com três unidades que processaram 8 milhões de toneladas de cana em 2014/15, o grupo sofreu mais nos últimos três anos, diz o presidente Gilberto Colombo. Como vinha de uma alavancagem muito baixa e
resultados sólidos, a empresa nunca teve problemas de liquidez, mas quando publicar seu balanço do ciclo passado, em até dois meses, apresentará uma dívida 10% maior, diz o executivo, hoje com 75 anos e filho do fundador da empresa, João Colombo.
No exercício encerrado em dezembro de 2011, a dívida líquida foi de R$ 478 milhões, para uma receita próxima de R$ 900 milhões. Em 2013, último balanço disponível, esse montante havia subido para R$ 765 milhões, para uma faturamento de R$ 1,024 bilhão. "Os preços não estão cobrindo os custos. Tivemos que recorrer a um aumento da alavancagem", lamenta Colombo.
Apesar disso, pesa atualmente no mercado uma preocupação quanto à sucessão do negócio familiar, ainda centralizada na figura do septuagenário. Esse, no entanto, não será um problema para a perpetuidade do grupo, na visão de Colombo. "Os nossos filhos e sobrinhos estão há 20 anos dentro da empresa, assumindo áreas de maior envergadura e estão dando conta do recado", diz o empresário.
A mesma questão se estende a outro grupo sólido do segmento: o Bazan, que detém as usinas Bazan e Bela Vista, ambas no Estado de São Paulo. Há 21 anos o cargo de diretor presidente é exercido com mãos de ferro pelo empresário Angelo José Bazan, atualmente com 63 anos. Pesa positivamente, no entanto, o fato de a empresa deter uma estratégia de manter baixos níveis de endividamento. No último balanço disponível, publicado em 2014 e referente ao exercício findo em dezembro de 2013, o grupo tinha uma dívida bancária total (curto e longo prazos) de R$ 100 milhões, para uma receita líquida de R$ 803 milhões. Todos os investimentos são feitos com o caixa da própria empresa, que preza também pela estratégia de deter terras e suprir 100% de sua demanda com canavial próprio.
Em meio a companhias que, na média, devem 10% mais do que faturam, existem no setor sucroalcooleiro usinas sucroalcooleiras de médio porte que, com administrações familiares, estão sofrendo poucos arranhões mesmo diante dos problemas que levaram ao fechamento de mais de 80 unidades no país nos últimos cinco anos. Esse grupo em melhor situação, formado por uma dezena de empresas, responde por cerca de 15% da moagem de cana no Centro­Sul, segundo estimativas do mercado, e alimenta a tese de que grande parte da crise que asfixia o segmento deriva da gestão.
A maior parte delas está concentrada no Estado de São Paulo e tem capacidade para moer entre 5 milhões e 15 milhões de toneladas de cana por ano. Estão nesse time grupos como Lincoln Junqueira, Zilor, Bazan, Colombo e Ipiranga Agroindustrial. Cada uma delas adotou uma estratégia de sobrevivência própria, geralmente baseada ou
em um caixa elevado ou na manutenção de um baixo nível de endividamento. Mas têm em comum parcimônia para investir, o que fez a diferença após 2008, quando até usinas bem administradas se deram mal ao se expandir demais.
Todos os cargos estratégicos da Ipiranga Agroindustrial são ocupados pelos fundadores, os irmãos Tittoto. Hoje controlam três usinas, que deverão processar nesta temporada iniciada em abril (2015/16) 6,2 milhões de toneladas de cana. A gestão familiar implica a presença intensa dos sócios no dia a dia do negócio. O presidente, Leopoldo, por exemplo, trabalha das sete da manhã às sete da noite, faz plantão aos fim de semana no período de safra e lidera canaviais próprios que respondem por 75% da matéria­prima processada em suas fábricas.
"Estamos elevando a fatia para 80%. A cana é 60% do nosso custo e a nossa expertise. Meu pai era fornecedor", diz Tittoto.
No ciclo que terminou em 31 de março deste ano (2014/15), o grupo, que controla duas empresas ­ a Usina Ipiranga (com duas unidades) e a Usina Iacanga (com uma unidade) ­ apresentou lucro líquido em ambas as operações. Com o caixa gerado, conseguiu pagar os juros da dívida e realizar todos os investimentos (renovação de canaviais, manutenção agrícola e industrial), um feito em um segmento com custos em alta constante e preços de venda achatados. O endividamento bancário líquido foi de R$ 619 milhões em 2014/15, um leve aumento ante os R$ 617 milhões da temporada 2013/14. O prazo de vencimento da dívida da Ipiranga Agroindustrial (20% no curto prazo) é considerado adequado pelo mercado.
"A gente é familiar. Fica em cima da redução de custos e tem pouca gente. Nosso custo financeiro é baixo. Nossa dívida está em crédito rural ou linha de longo prazo do BNDES ", diz Tittoto. Na recém­iniciada safra 2015/16, a empresa terá um índice de 0,48 trabalhador para cada mil toneladas de cana processadas. Há cinco anos, esse
índice era de 0,70. Em 2017, quando 100% da cana estiver sendo colhida por máquinas e a moagem do grupo tiver alcançado 7 milhões de toneladas, esse índice deve ir a 0,38.
Apesar de passar pela crise com alguns arranhões, a paulista Usina Colombo segue como referência de boa gestão no segmento. Com três unidades que processaram 8 milhões de toneladas de cana em 2014/15, o grupo sofreu mais nos últimos três anos, diz o presidente Gilberto Colombo. Como vinha de uma alavancagem muito baixa e
resultados sólidos, a empresa nunca teve problemas de liquidez, mas quando publicar seu balanço do ciclo passado, em até dois meses, apresentará uma dívida 10% maior, diz o executivo, hoje com 75 anos e filho do fundador da empresa, João Colombo.
No exercício encerrado em dezembro de 2011, a dívida líquida foi de R$ 478 milhões, para uma receita próxima de R$ 900 milhões. Em 2013, último balanço disponível, esse montante havia subido para R$ 765 milhões, para uma faturamento de R$ 1,024 bilhão. "Os preços não estão cobrindo os custos. Tivemos que recorrer a um aumento da alavancagem", lamenta Colombo.
Apesar disso, pesa atualmente no mercado uma preocupação quanto à sucessão do negócio familiar, ainda centralizada na figura do septuagenário. Esse, no entanto, não será um problema para a perpetuidade do grupo, na visão de Colombo. "Os nossos filhos e sobrinhos estão há 20 anos dentro da empresa, assumindo áreas de maior envergadura e estão dando conta do recado", diz o empresário.
A mesma questão se estende a outro grupo sólido do segmento: o Bazan, que detém as usinas Bazan e Bela Vista, ambas no Estado de São Paulo. Há 21 anos o cargo de diretor presidente é exercido com mãos de ferro pelo empresário Angelo José Bazan, atualmente com 63 anos. Pesa positivamente, no entanto, o fato de a empresa deter uma estratégia de manter baixos níveis de endividamento. No último balanço disponível, publicado em 2014 e referente ao exercício findo em dezembro de 2013, o grupo tinha uma dívida bancária total (curto e longo prazos) de R$ 100 milhões, para uma receita líquida de R$ 803 milhões. Todos os investimentos são feitos com o caixa da própria empresa, que preza também pela estratégia de deter terras e suprir 100% de sua demanda com canavial próprio.