atendimento@revistacanavieiros.com.br (16) 3946-3300

Inovações que transformam o campo

08/11/2019 Cana-de-Açúcar POR: Fernanda Clariano
Inovações que transformam o campo

O que parecia ficção já faz a diferença no campo, e a lavoura canavieira também já adentrou na dimensão 4.0, mas existe muito a ser descoberto e muitas dúvidas a serem esclarecidas. Com a finalidade de apresentar as inovações que estão sendo aplicadas com sucesso nos canaviais e aquelas que ainda vão chegar e ajudar os profissionais do setor a dominarem esse universo, o Grupo Idea realizou entre os dias 11 e 12 de setembro, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto, a 3ª edição do Inovacana - Seminário sobre Inovações Tecnológicas na Cana-de-Açúcar.
Palestrantes renomados do setor apresentaram aos mais de 350 participantes do evento as tecnologias digitais como telemetria; drones que identificam doenças, falhas, deficiência na irrigação; o piloto automático que direciona as máquinas, permitindo, por exemplo, o paralelismo das linhas de plantio, entre tantas outras inovações que prometem agilizar as atividades, mas que exigem habilidades e competências adicionais aos profissionais que liderarão essa transformação na área produtiva da agroindústria canavieira.

A gerente de Marketing do Grupo Idea, Andrea Nunes, abriu o evento falando sobre como o processo produtivo do setor canavieiro tem mudado ao longo dos últimos anos e sobre a necessidade do produtor de se reinventar utilizando as tecnologias a seu favor. “A tecnologia transforma a realidade, muda a forma de fazermos as coisas e a percepção de valor e o Inovacana tem como objetivo preparar os profissionais do setor para esse novo intrincado cenário”.
Os principais desafios da era de ondas de informações são a dispersão e a produtividade. Como se manter produtivo quando somos bombardeados de informações? Martha Gabriel, pensadora digital influente e autora de best sellers como “Marketing na Era Digital”, “Eu e os Robôs: Pequeno Manual do Mundo Digital”, se apresentou no seminário onde falou sobre como a tecnologia pode auxiliar um profissional a fazer mais com menos.

Segundo ela, o incremento de produtividade depende do aumento da efetividade com afetividade. “Temos que buscar ao menos dois de três pilares: escala, eficiência e eficácia. Apenas dessa forma conseguiremos ser mais produtivos”. Sobre esse novo mundo cada vez mais conectado, Martha afirmou que 70% das empresas que investem em gestão de dados registram redução de custos. “No futuro, todas as empresas serão consideradas empresas de tecnologia que oferecem algum tipo de produto ou serviço ao mercado”.

As técnicas inovadoras que estão transformando os processos agrícolas da Biosev foram apresentadas pelo diretor agrícola Carlos Daniel Berro Filho. De acordo com ele, a maioria das terras da companhia está conectada e firmada no Agro 4.0 onde "em função dessa conectividade, recebemos as informações de campo em nosso Centro de Inteligência Agrícola, que gerencia em tempo real o que está acontecendo nos canaviais de cada uma das nove usinas do grupo – essa central atua no monitoramento de todas as operações agrícolas, dos tratos culturais a colheita”.
Ainda segundo Berro Filho, o Centro de Inteligência Agrícola permite
trabalhar em duas frentes distintas a curto, médio e longo prazo. A primeira consiste no acompanhamento minuto a minuto do rendimento das máquinas e componentes em operação no campo. “Neste sistema, é possível verificar a exata posição de cada equipamento no talhão. Caso ele comece a consumir muito combustível ou seu rendimento caia de forma significativa, entramos em contato com os líderes para saber os motivos e tentar alinhar uma solução.” Já a segunda frente tem como objetivo melhorar os indicadores a médio e longo prazo, criando um histórico de falhas frequentes e pontos que podem ser melhorados para que a operação se torne mais eficiente no futuro.

A São Martinho, por meio do gestor de inovação, Walter Maccheroni Jr., destacou o plano tecnológico da empresa com todos os seus avanços e inovações. Na ocasião, o executivo destacou que o maior gargalo da implementação de tecnologia do campo - a conectividade - é ponto resolvido. Em parceria com o CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, e financiamento do BNDES, a São Martinho conseguiu, com apenas seis torres de transmissão, cobertura 4G em toda a sua lavoura, transformando seus canaviais em verdadeiras fazendas digitais. Maccheroni falou com detalhes dessa tecnologia, que deverá ser expandida para as outras três unidades do grupo dentro de dois anos. O sistema consiste em uma rede de internet superpotente, trabalhando numa frequência exclusiva para a São Martinho. Por meio de telemetria, essa rede coleta dados de forma rápida e simplificada, transmitindo-os em tempo real para a COA (Central de Operações Agrícolas), que processará todas as informações, agilizando o processo de tomada de decisão. A quantidade de dados transmitidos é tamanha que é possível "ensinar" as máquinas a operar no campo.
O controle biológico também foi pontuado por Maccheroni, “Produzimos os nossos próprios fungos e insetos e acreditamos que o futuro será obviamente o manejo integrado de pragas. A São Martinho tem uma meta estratégica que é crescer, intensificar e diversificar o controle biológico. Para nós, é um sucesso e credito uma parte dele à paciência, não adianta ir para uma nova fronteira aonde você tem fonte de inóculo e achar que no primeiro ano o controle biológico resolverá tudo. Precisa haver um equilíbrio entre as populações do controle biológico e da praga”.

Ficou claro durante o evento que a inovação do agro não está relacionada apenas às novas tecnologias, ela começa no solo, onde há novas técnicas de nutrição, manejo e recuperação da fertilidade. Atualmente é possível realizar operações multifuncionais, ao mesmo tempo em que o solo é preparado com base nas suas características. Este solo pode ser sistematizado e receber calcário em profundidade e todas as práticas de conservação e prevenção de problemas com erosão. Esses estudos são orientados a partir de imagens de satélite tridimensionais e fotos tiradas por veículos aéreos não tripulados. As linhas de plantio são traçadas previamente e os tratores com piloto automático executam as operações com perfeição milimétrica.