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IX Reunião Técnica do Projeto Amendoim apresenta alternativas para compensar a falta de clorotalonil

27/10/2015 Noticias do Sistema POR: Revista Canavieiros - ed. 112 - Por Igor Savenhago
Fungicida, usado no controle da pinta preta, doença que mais afeta a cultura no país, não tem sido encontrado e preocupa produtores, que podem ter perdas de 10% a 50%

A preocupação com a falta de clorotalonil, fungicida que combate os principais problemas da lavoura de amendoim, foi o principal assunto da IX Reunião Técnica promovida pela Copercana no dia 30 de setembro no auditório da Canaoeste, em Sertãozinho-SP. O produto, que não tem sido encontrado no mercado, prejudica o controle da mancha preta, chamada popularmente de pinta preta, e outras doenças do mesmo grupo, conhecidas como cescosporioses – entre elas, a mancha barrenta e a mancha em V. 
De acordo com Augusto César Strini Paixão, gerente da UNAME (Unidade de Grãos da Copercana), que abriu a reunião, a falta da molécula deixa um ponto de interrogação no futuro da cultura no país. Ele afirma que as multinacionais que comercializam o clorotalonil no Brasil não deram motivos para a ausência do produto das prateleiras e nem perspectivas para que a situação se resolva num curto prazo. Para os produtores que participam do Projeto Amendoim da Copercana, não haverá problemas para a safra 2015/16, já que a cooperativa se antecipou e garantiu estoque. Mas para os que não têm um acesso privilegiado como esse, o caminho tem sido apostar em alternativas, como soluções à base de cobre.  
O assunto foi abordado por Modesto Barreto, da Agro Alerta Consultoria e professor aposentado da Unesp de Jaboticabal. Ele explicou que, para as condições de cultivo do país, com clima tropical, a pinta preta é considerada a principal ameaça foliar ao amendoim. Causada pelo fungo Cercosporidium personatum, pode provocar uma redução de 10% a 50% na produção de vagens quando não controlada adequadamente. Segundo ele, por ser um fungicida de largo espectro, que atua em vários pontos do fungo, o clorotalonil é o mais indicado no combate. “Ele é usado nos EUA há cerca de 50 anos sem casos de resistência da planta à sua aplicação”. 
Barreto chamou a atenção para o aparecimento de manchas nas lavouras mesmo com a aplicação da molécula. Neste caso, apresentou algumas possíveis causas, como o ataque por bactérias. “Muitas vezes, o produtor pensa que é pinta preta, mas a plantação está sendo alvo de outros microorganismos. É preciso ficar atento porque as manchas provocadas por algumas bactérias são muito parecidas com a pinta preta”. Outros fatores a serem avaliados são eventuais diferenças de eficácia entre as marcas comerciais vendidas no país, se há a necessidade de reduzir o intervalo entre as aplicações, influência das chuvas, que podem atrapalhar as pulverizações e comprometer o efeito desejado, ou a possibilidade de que produtos com indicação duvidosa possam estar sendo inseridos no tanque junto com o fungicida.      
O professor afirma que o ideal é fazer de sete a oito aplicações de clorotalonil no amendoim, a cada 15 dias a partir dos 40-45 dias após o plantio. Da quarta aplicação em diante, é recomendável misturar com triazol e estribulinas, usados, respectivamente, no combate da verrugose e da ferrugem. Diante da falta do clorotalonil, ele alerta que é preciso encontrar formas que permitam economia no consumo do produto, como alterná-lo com aplicações de fungicidas cúpricos. “Estes não são tão eficazes como o clorotalonil, mas, neste momento em que não se sabe direito o que vai acontecer no mercado, é possível recorrer a eles”. 
Produção
O Brasil produziu, na safra 2014/15, 346,9 mil toneladas de amendoim, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O número, que é o maior desde a década de 70, representa um aumento de 9,8% em relação à temporada passada, quando o volume colhido foi de 315,8 mil toneladas. O Estado de São Paulo responde por cerca de 85% da produção nacional. 
A falta de clorotalonil pode afetar não apenas o desempenho no campo, como o das exportações. Nos últimos anos, as vendas externas do grão registraram aumentos sucessivos. Passaram de 51 mil toneladas em 2010 para 62 mil em 2012 e 80 mil em 2013. Só no ano passado, por causa de condições climáticas adversas, houve retração, para 64 mil. Para 2015, a previsão é de nova alta, para 75 mil toneladas. 
A preocupação com a falta de clorotalonil, fungicida que combate os principais problemas da lavoura de amendoim, foi o principal assunto da IX Reunião Técnica promovida pela Copercana no dia 30 de setembro no auditório da Canaoeste, em Sertãozinho-SP. O produto, que não tem sido encontrado no mercado, prejudica o controle da mancha preta, chamada popularmente de pinta preta, e outras doenças do mesmo grupo, conhecidas como cescosporioses – entre elas, a mancha barrenta e a mancha em V. 
De acordo com Augusto César Strini Paixão, gerente da UNAME (Unidade de Grãos da Copercana), que abriu a reunião, a falta da molécula deixa um ponto de interrogação no futuro da cultura no país. Ele afirma que as multinacionais que comercializam o clorotalonil no Brasil não deram motivos para a ausência do produto das prateleiras e nem perspectivas para que a situação se resolva num curto prazo. Para os produtores que participam do Projeto Amendoim da Copercana, não haverá problemas para a safra 2015/16, já que a cooperativa se antecipou e garantiu estoque. Mas para os que não têm um acesso privilegiado como esse, o caminho tem sido apostar em alternativas, como soluções à base de cobre.  
O assunto foi abordado por Modesto Barreto, da Agro Alerta Consultoria e professor aposentado da Unesp de Jaboticabal. Ele explicou que, para as condições de cultivo do país, com clima tropical, a pinta preta é considerada a principal ameaça foliar ao amendoim. Causada pelo fungo Cercosporidium personatum, pode provocar uma redução de 10% a 50% na produção de vagens quando não controlada adequadamente. Segundo ele, por ser um fungicida de largo espectro, que atua em vários pontos do fungo, o clorotalonil é o mais indicado no combate. “Ele é usado nos EUA há cerca de 50 anos sem casos de resistência da planta à sua aplicação”. 
Barreto chamou a atenção para o aparecimento de manchas nas lavouras mesmo com a aplicação da molécula. Neste caso, apresentou algumas possíveis causas, como o ataque por bactérias. “Muitas vezes, o produtor pensa que é pinta preta, mas a plantação está sendo alvo de outros microorganismos. É preciso ficar atento porque as manchas provocadas por algumas bactérias são muito parecidas com a pinta preta”. Outros fatores a serem avaliados são eventuais diferenças de eficácia entre as marcas comerciais vendidas no país, se há a necessidade de reduzir o intervalo entre as aplicações, influência das chuvas, que podem atrapalhar as pulverizações e comprometer o efeito desejado, ou a possibilidade de que produtos com indicação duvidosa possam estar sendo inseridos no tanque junto com o fungicida.      
O professor afirma que o ideal é fazer de sete a oito aplicações de clorotalonil no amendoim, a cada 15 dias a partir dos 40-45 dias após o plantio. Da quarta aplicação em diante, é recomendável misturar com triazol e estribulinas, usados, respectivamente, no combate da verrugose e da ferrugem. Diante da falta do clorotalonil, ele alerta que é preciso encontrar formas que permitam economia no consumo do produto, como alterná-lo com aplicações de fungicidas cúpricos. “Estes não são tão eficazes como o clorotalonil, mas, neste momento em que não se sabe direito o que vai acontecer no mercado, é possível recorrer a eles”. 
Produção
O Brasil produziu, na safra 2014/15, 346,9 mil toneladas de amendoim, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O número, que é o maior desde a década de 70, representa um aumento de 9,8% em relação à temporada passada, quando o volume colhido foi de 315,8 mil toneladas. O Estado de São Paulo responde por cerca de 85% da produção nacional. 
A falta de clorotalonil pode afetar não apenas o desempenho no campo, como o das exportações. Nos últimos anos, as vendas externas do grão registraram aumentos sucessivos. Passaram de 51 mil toneladas em 2010 para 62 mil em 2012 e 80 mil em 2013. Só no ano passado, por causa de condições climáticas adversas, houve retração, para 64 mil. Para 2015, a previsão é de nova alta, para 75 mil toneladas.