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Matéria-prima para garrafa pet deve movimentar setor de cana em SP

03/10/2012 Cana-de-Açúcar POR: Portal G1
O anúncio do investimento de R$ 1 bilhão na construção de uma fábrica de matéria-prima para garrafas pet menos poluentes deve movimentar o setor de cana-de-açúcar na região de Araraquara (SP). A primeira sede da empresa indiana JBF no Brasil, que deve ser inaugurada até 2014 na cidade, utilizará tecnologia feita parcialmente de origem vegetal, ou seja, parte do petróleo será substituída por componentes extraídos da cana.
Para Sérgio Prado, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o investimento é importante para o mercado. "É um avanço na diversificação do setor e agrega valor no produto, já que amplia o leque em novas alternativas", afirmou. Segundo ele, um estudo de impacto para a cana-de-açúcar ainda não foi realizado, mas deverá surtir efeitos positivos aos produtores."É importante para agregar outros produtos da cana e aumentar as condições de remuneração", disse.
Empresários do setor confirmam que já foram sondados para uma futura parceria no investimento da JBF e acreditam no sucesso da nova produção. "Eles pediram uma produção de 500 milhões de litros de álcool por ano para a fabricação de pet, bem maior que os 180 milhões que produzimos", contou Nelson Cury Filho, diretor da Usina Maringá, localizada na região da nova fábrica.
Segundo o empresário, a necessidade deve aquecer o valor do álcool e mais investimentos poderão ser feitos no setor. "Não só minha usina será utilizada e isso movimentará bastante o mercado com um preço mais atrativo para o produtor", avaliou Cury Filho.
Para ele, o interesse deve reduzir os prejuízos operacionais da produção de etanol. "O álcool combustível hoje dá prejuízo porque é o consumidor quem rege o mercado, baseado no valor da gasolina, subsidiada", explicou.
Tecnologia menos poluente
Além do uso da cana para a produção de açúcar e álcool combustível, o bagaço já é utilizado para a geração de energia elétrica na região. E a produção de etanol de segunda geração, feito a partir do reaproveitamento deste material e da palha de cana, já está em teste. "São investimentos que contribuem para a melhoria das condições do Planeta", garantiu o representante da Unica, Sérgio Prado.
Novos usos
A Coca-Cola será a primeira empresa a introduzir em massa no mercado a garrafa de plástico à base de planta. Segundo Ronald Lewis, presidente da empresa no Brasil, o investimento tem importância estratégica para a marca que pretende, até 2020, substituir 100% das garrafas pelo PlantBottle.
Em breve, todas as embalagens PET da Coca-cola Brasil usarão esta tecnologia, o que significará economia anual de 85 mil barris de petróleo e uma redução de emissão de carbono da ordem de 10 mil toneladas por ano. A PlantBottle é fabricada por um processo inovador de transformação da cana-de-açúcar em um insumo do processo de fabricação do polímero PET.
Estratégia
A escolha da cidade para a instalação da fábrica é estratégica, já que, segundo executivos da JBF, quase 100% dos insumos utilizados serão provenientes do Estado de São Paulo. A região a qual pertence Araraquara é responsável pela produção anual de 30% dos 350 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, segundo a Unica.
As obras da fábrica em Araraquara terão início ainda este ano, em um terreno na estrada vicinal de acesso à Usina Zanin, no lado oposto da empresa Sachs. A produção está prevista para o segundo semestre de 2014. Com a nova unidade, o Brasil se tornará o maior produtor e exportador de BioMEG do mundo, com capacidade de produção estimada em 500 mil toneladas/ano.
Economia local
A nova utilização do insumo deve gerar impacto positivo para a economia local. A empresa, que já começa a ser construída este ano, vai gerar 125 empregos diretos e mais de 1,5 mil indiretos. Além disso, ela deve aumentar a demanda de produção das usinas.
Felipe Turioni