Mulheres que vivem pelo agro e lutam pela prosperidade do setor

17/11/2021 Noticias POR: FERNANDA CLARIANO


Pesquisa retrata os avanços e desafios em torno da participação feminina no agro

 

A atuação das mulheres na agricultura e na pecuária está cada vez mais ampla. Além de conquistarem espaços importantes no campo, nos centros de pesquisas e em diversas áreas ocupando posições de liderança, elas também inspiram e fazem o setor avançar. Mas, apesar disso, ainda há muitos desafios.

Recentemente, a Agroligadas, entidade formada por mulheres profissionais do agronegócio, em parceria com algumas instituições, realizou uma pesquisa sobre “A participação feminina no agronegócio”, onde ouviu 408 mulheres que atuam no setor, com média de idade de 40 anos, de Norte a Sul do país. O objetivo foi entender melhor a participação feminina no agronegócio brasileiro e como essas mulheres percebem os avanços.


Perfil das entrevistadas - A pesquisa abordou mulheres com diferentes realidades, entre elas proprietárias/arrendatárias – agricultura de subsistência (69%); diretoras, gerentes ou administradoras (17%); empregadas ou supervisoras (16%); veterinárias, agrônomas ou zootecnistas (15%) e estagiárias (4%).

Dessas, 41% possuem pós-graduação; 29% curso superior completo; 8% curso superior incompleto; 11% ensino médio completo; 6% ensino fundamental; 63% delas moram na zona urbana e 34% na zona rural.

 

“Aquela mulher que apenas apoiava o marido na atividade rural deu lugar à proprietária que faz a gestão da sua lavoura de ponta a ponta e que aprendeu a tomar decisões. Temos avançado e nos posicionado cada vez mais, pois entendemos que temos sim o nosso papel no agro. Precisamos aproveitar essa ascensão e nos abastecermos de conhecimentos e unirmos forças”, disse a presidente da Agroligadas, Geni Caline.

 


Geni Caline, presidente da Agroligadas

 

O trabalho, desafios e futuro - Ao refletirem sobre as preocupações atuais das mulheres na produção rural, 95% delas prezam pelo bom desempenho dos negócios. Em tempos de pandemia e de instabilidade econômica, se manter firme e atuante no mercado se tornou um dos maiores desafios para as entrevistadas, seguido por estabilidade financeira (93%), realização profissional (92%) e futuro dos filhos (83%).

Esse olhar de cuidado é percebido também quando são questionadas sobre o que esperam para sua rotina de trabalho e para sua vida pessoal e familiar em um futuro próximo. Para 95%, melhorar a capacitação profissional está entre as principais prioridades; 90% querem aumentar a capacidade produtiva de suas propriedades; seguido por 82% das entrevistadas que sonham ter mais tempo para si. “Ainda estamos passando por um processo de transformação de pensamentos, de atitudes e é nosso dever dar todo apoio para que elas possam superar todos os desafios que ainda existem e cada vez mais se sentirem orgulhosas das suas conquistas”, comentou a gerente de comunicação da ABAG, Gislaine Balbinot.


Gislaine Balbinot, gerente de comunicação da ABAG

 

Satisfação no trabalho - Conquistar espaço e confiança no ambiente de trabalho é um dos desafios da mulher contemporânea. No meio rural, apesar do preconceito ser mais evidente, as mulheres vêm quebrando essas barreiras com muita rapidez. A pesquisa apontou uma mudança positiva significativa quando o assunto é satisfação no trabalho. Ainda que exista a desigualdade de gênero, que é bastante pontuada, alguns indicadores demonstram progresso e satisfação - 97% das mulheres se sentem mais felizes; 77% notam que suas habilidades e conhecimentos são reconhecidos; 72% se sentem ouvidas e 68% se sentem livres para tomar decisões na produção.

Equidade de gênero - Remuneração condizente e equiparada, por que não? A questão da equidade de gênero é um assunto que tem que estar em pauta, pois se faz necessário. Das entrevistadas, 54% acham que mulheres do agro ainda ganham menos que os homens, já 79% disseram que a equidade melhorou nos últimos 10 anos.

A desigualdade de gênero ainda existe? O que fazer para mudar?

87% disseram achar importante ter o mesmo nível de treinamento; 80% percebem que é preciso mais apoio para mulheres que sofrem com a desigualdade de gênero; 90% enxergam como ação fundamental aumentar a divulgação de casos de sucesso e 74% entendem que é preciso aumentar a conscientização sobre a desigualdade de gênero.

Para a diretora de Comunicação da Corteva, Vivian Bialski, iniciativas de inclusão das mulheres em posições de liderança no agronegócio são cada vez mais importantes. “Essa pesquisa traz insumos relevantes para que toda a cadeia do agro ataque os pontos que hoje impedem a maior equidade de gênero. Temos estabelecido importantes parcerias para promover a capacitação e o empoderamento da mulher rural”.


Vivian Bialski, diretora de Comunicação da Corteva