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O agro como alicerce

29/07/2020 Agronegócio POR: Fernanda Clariano

Personalidades do agronegócio discutem a atual situação do setor frente à crise

O comportamento que o Brasil deve ter para se fortalecer nesta crise e as condições favoráveis que o país tem para manter o mundo alimentado foram discutidos durante a webinar intitulada  “Agro de Ponta a Ponta”, mediada pelo presidente da Abag, Marcello Brito, com a participação dos debatedores Douglas Ribeiro (diretor de Marketing da Corteva), Christian Lohbauer (presidente da CropLife Brasil), e Lair Hanzen (presidente da Yara).

Marcello Brito - presidente da Abag

“Estamos em um momento muito conturbado, ninguém poderia imaginar uma situação dessas, isso ganhou um momento realmente triste para a humanidade e que talvez irá trazer mudanças de postura, pelo menos é o que esperamos, e um desenvolvimento pela frente”, disse o presidente da Abag.

Sementes

De acordo com o diretor de Marketing da Corteva, os números da safra de verão de sementes bateram recordes históricos e garantiram que a produção seguisse firme. “A safra verão terminou com excelentes índices de produtividade, ou seja, a safra de milho e soja tiveram recordes históricos com impacto climático em algumas regiões, e vem desfrutando de preços bons”. Ribeiro ainda pontuou o quanto a pandemia os impactou no que tange a produção de sementes. “Nos adaptamos com muita responsabilidade, temos mais de 30 mil hectares de produção só de sementes e ajustamos para a realidade, que precisa preservar nossas pessoas e os nossos negócios. Dessa forma, seguimos preparados para servir essa grande safra não só para assegurar a comida para o mundo, mas também para ‘aguentar o tranco’ da economia, exportar e trazer dólar para o país. Se tem algo que precisamos agora é contrabalancear e trazer dólar e riqueza para o país”, destacou.

Ribeiro: “O Brasil é o país do agronegócio. Em nenhum outro lugar no mundo há pessoas tão talentosas no setor, temos vocação”

Defensivos

Imaginar um desenvolvimento tão grande sem a evolução do setor de defensivos agrícolas é algo difícil para o presidente da Croplife Brasil, que deu uma visão do setor de defensivos. “No início de todo esse processo que estamos vivendo, participamos da tentativa de incorporar os insumos nas atividades essenciais na última semana de março e  primeira de abril, enfrentamos alguns problemas para conseguir certificar e ter certeza de que as atividade de sementes, de defensivos, biodefensivos, até a biotecnologia e toda a atividade da cadeia de insumos dessa área pudessem estar nos serviços essenciais. Alguns problemas iniciais com logística, prefeitos que tiveram repentes de fechamento de cidades e ameaças de fechamento de fábricas, tudo isso foi superado. Existe um ‘probleminha’ aqui e outro ali, mas toda a cadeia do agro está funcionando bem, garantindo alimento na mesa do brasileiro. As exportações estão mantendo níveis muito parecidos como no ano passado no que se refere às commodities, ou seja, as coisas estão caminhando”.

Lohbauer: “O agronegócio conseguiu se adaptar e neste momento as coisas estão relativamente em ordem em comparação a outros setores”

Fertilizantes

O presidente da Yara ponderou que apesar do momento desafiador, o país tem potencial para sair da atual situação ainda mais forte do que entrou. “Esse é sem dúvida o momento mais desafiador que qualquer liderança está vivendo na sua trajetória. Olhando por outro lado, a vida segue e estamos caminhando rapidamente para 9 bilhões de pessoas e quando olhamos o tanto de comida que precisamos produzir para alimentar toda essa população, os números são estarrecedores e não tem nenhum país no mundo que tem o posicionamento do Brasil. Durante esse momento difícil que estamos vivendo, a agricultura e os fertilizantes têm um papel fundamental. Felizmente a roda está girando, o negócio está andando e a safra está muito bem encaminhada para este ano”.

Indagados sobre os problemas de aceitação e implantação de lockdown e distanciamento menos ostensivo, que  pode levar a uma campanha negativa lá fora condenando a sanidade dos produtos brasileiros de exportação, e se a produção agropecuária brasileira pode ser acusada de contaminada e assim o mercado externo se aproveitar disso para prejudicar as nossas exportações,  Lohbauer desse acreditar que a partir de agora, com o efeito da pandemia, teremos um conceito que não é só a segurança alimentar, mas a segurança do alimento. Segundo ele, as nossas vulnerabilidades depois da porteira ficarão mais salientes, e entre elas está a questão sanitária. A pandemia irá aguçar nas pessoas um pouco mais o sentido do que é que tem por trás dessas coisas, quem está produzindo, como foi produzido, e não só uma questão de preço e produtividade.

Hanzen: “Esse é um setor abençoado e será o ponteiro para ajudar o Brasil a sair dessa crise”

Já o executivo da Corteva chamou a atenção para a questão de mais critério e seleção no que comer e que isso comece na China, que os chineses comam proteína animal conhecida e abram uma oportunidade para o Brasil. Na ocasião, Ribeiro ainda ressaltou o papel dos pequenos no agro brasileiro e alertou para buscarem o cooperativismo. “O pequeno tende a estar mais exposto. De forma geral têm segmentos que não, que é o contrário, o pequeno está bem posicionado, mas ele tende a estar mais exposto não só por recursos financeiros, mas por nível de adoção de tecnologia. Existem bons exemplos, e um deles é o cooperativismo. Eu acredito que uma forma do pequeno se defender é através do cooperativismo. É ali que ele agrega valor ao produto, que ele se defende por ser mais vulnerável a possíveis impactos de preços, commodities, e tem mais acesso à tecnologia”.