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O assunto do dia 08 de maio de 2020: A grande briga do etanol em Brasília

08/05/2020 Etanol POR: Marino Guerra

Ministros Tereza Cristina e Bento Albuquerque formam a ala defensora do etanol no governo (Foto: Ministério de Minas e Energia) 

Na quinta o setor já teve negado uma de suas três propostas

Pela quarta vez, mais uma semana termina angustiante para o setor sucroenergético em Brasília, isso em decorrência da queda de braço que há para a conquista de alguma medida de apoio ao etanol, solicitada como socorro ao bruto impacto recebido na atual crise.

Se não bastasse a indefinição, ontem pela noite o presidente da república, Jair Bolsonaro, descartou publicamente um dos pleitos do biocombustível, a elevação da Cide (Contribuições de Intervenção do Domínio Econômico) sobre a gasolina, se pautando do argumento que desde sua campanha ele e o ministro da economia, Paulo Guedes, são contrários ao aumento de impostos.

Restam então outras duas solicitações de socorro: redução temporária do PIS/Cofins para toda a cadeia e criação de linha de crédito para armazenagem de etanol em forma de título de garantia, denominados “warrant”.

O que ainda mantém as esperanças vivas é a qualidade do time que representa os interesses canavieiros, se destacando pelo lado do governo os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque e a da Agricultura, Tereza Cristina; dois verdadeiros guerreiros que passaram a semana em reuniões com ministros e o próprio presidente buscando a viabilização de um acordo.

Outro fogo amigo vem do congresso, mais especificamente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, que na quarta-feira (6), encaminhou um ofício solicitando pelo menos um aceno do governo, assinado pelo seu presidente, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

Pensando em congresso, embora tenha demonstrado apoio, a poderosa Frente Parlamentar da Agropecuária poderia elevar sua participação nessa negociação, principalmente num momento que o governa busca trazer o apoio de deputados.

Contudo o etanol tem um forte concorrente, o petróleo, que traz com ele o interesse das distribuidoras e varejistas de combustível (que preferem vender gasolina por esta dar maior margem), e como a liquidez está restrita, o lado fóssil da força também está com todos os seus soldados na capital federal.

Há cerca de doze anos o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciava com pompas a exploração comercial do pré-sal, virando praticamente as costas para o setor sucroenergético que então mergulhou na sua mais terrível crise, contudo, virtuoso e guerreiro que é, conseguiu sobreviver.

A grande dúvida agora é o que vai sobrar da produção do combustível líquido e toda sua cadeia responsável por 2% do PIB brasileiro, mais de 2 milhões de empregos (diretos e indiretos) e a produção do combustível líquido mais limpo do mundo, se Brasília mais uma vez, virar suas costas.