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O assunto do dia 19 de maio de 2020: Um sistema integrado nas áreas de cana

19/05/2020 Agricultura POR: Marino Guerra

Lavoura de amendoim com a linha-mãe de cana formando o sistema de Meiosi, hoje um dos maiores responsáveis pelo aumento da prática de rotação de cultura

Pressão de pragas e crise podem mudar o cenário de algumas regiões canavieiras

Sistemas integrados de produção agropecuária já fazem parte do dia-a-dia de muitos produtores brasileiros, o ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) implementado pela Embrapa surgiu como uma solução para muitas áreas onde a pastagem era tão ineficiente que não atingia a produtividade de meia cabeça por hectare.

Mais tarde percebeu-se que a adoção da integração trazia muitas vantagens em áreas da fazenda com problemas de produtividade, isso porque como a troca de cultura é rotineira, o solo se torna menos estressado, trabalhando a favor do produtor.

O crescente aumento de pragas de solo, principalmente do Sphenophorus, e um cenário de extrema dificuldade para as agroindústrias canavieiras que enfrentam problemas de caixa, deve formar um ambiente decisivo para que o conceito de se plantar cana em cima de cana caia em total desuso em diversas regiões.

Essa visão foi construída depois da conversa com um líder cooperativista e produtor rural, que enxerga o surgimento de um movimento de integração entre cana e grãos indo um pouco mais além da tradicional rotação de cultura.

Ele acredita que esse evento já acontece principalmente nas regiões central e oeste do estado de São Paulo, onde a densidade de usinas sólidas é menor, a qualidade do solo é mais baixa e consequentemente mais suscetível a infestação de pragas, e os preços inferiores aos observados aos grãos, que vivem uma fase momento espetacular (inclusive com boas chances de se manter positivo pelo menos a médio prazo), formam a estante de motivos que levam os agricultores a reverem seus conceitos.

Essa prática não possui um processo desenhado, a grosso modo ela consiste no plantio de uma primeira safra de soja logo após a eliminação da soqueira, posteriormente um cultivo de inverno de milho ou outra cultura interessante na região que está a fazenda (em regiões altas o trigo pode ser uma possibilidade) e depois da colheita uma segunda safra do grão, para depois, se o mercado for favorável voltar com a cana.

Caso as coisas não melhorem, nada impede o produtor repetir a dose por mais um ou dois anos, até o mundo canavieiro voltar a prosperar.

O amendoim, principalmente já se aproximando da região entre Marília e Tupã, também poderá aumentar sua área de cultivo, contudo como ele pede por produtores mais especializados, ele surgirá num modelo de negócio voltado para o arrendamento no verão.

Nas regiões de maior concorrência por cana, essa realidade dificilmente acontecerá, até pela inviabilidade de qualquer mudança formada pela lei da oferta e demanda.

Contudo, há locais que poderão aparecer mais um elemento nesse processo, a pecuária semi-intensiva, isso pensando em propriedades maiores, onde é possível separar pelo menos 12 talhões de tamanho expressivo.

Nessa divisão entraria para reforma um talhão por ano, nesse teria um plantio de verão (soja ou amendoim por exemplo), a entrada da pastagem (tomando as precauções para não ser um mato difícil de tirar), mais uma cultura de verão, seguida por uma de inverno ou safrinha (milho), a terceira de verão e finalmente o plantio da cana, quase dois anos depois do arranquio da soqueira.

Assim o produtor trabalharia com quatro segmentos de mercado do agronegócio diferente, se expondo menos a volatilidades específicas de mercado e deixando sua terra em ponto de bala para enfrentar uma década de cana.