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O assunto do dia 20 de maio de 2020: Leilões de usinas à vista

20/05/2020 Agronegócio POR: Marino Guerra

Mistura de Recuperação Judicial com a “coronacrise” pode decidir o futuro de diversas unidades industriais

Desde meados de 2018 o termo “Recuperação Judicial” passou a fazer parte da rotina do setor sucroenergético. Há doze anos que não demora muito e surge a notícia de que alguém acionou o artifício jurídico para evitar a falência.

Só em 2019, foram 26 unidades que ganharam o status, estando no time desde grandes grupos, como a Atvos (9 unidades) e Santa Terezinha (10 unidades); passando por empresas tradicionais, como a Moreno (3 unidades) e agroindústrias de apenas uma unidade (Usina Itajobi, localizada em Marapoama-SP; Destilaria Londra, localizada em Itaí-SP; Bioenergia do Brasil, localizada em Lucélia-SP e Usina Santa Rita, localizada em Boituva-SP).

Observando com mais detalhes a lista acima, se conclui que apenas uma unidade do Grupo Moreno, a de Luiz Antonio-SP, está localizada numa região com alta concorrência por cana, o que significa matéria-prima e consequentemente custo de produção alto.

As outras ficam em áreas cuja pressão pela terra é menor, fator que pode torná-las interessantes, caso seu parque industrial esteja minimamente viável, aos grupos que estão estabilizados financeiramente o suficiente para poder arrematar num possível leilão.

Assim, a gestão das outras dezenas de usinas que também estão em processo de RJ, bem como de empresas muito próximas de mergulhar no mesmo fosso, podem mudar de mãos, tendo inclusive o surgimento de novos atores, como o caso do fundo norte-americano Lone Star, que recentemente fez uma manobra para assumir o controle da Atvos.

Essa já era uma tendência identificada muito antes do primeiro caso do Novo Coronavírus surgir na China, porém a vinda da pandemia deteriorou muito mais a situação de quem já estava mal das pernas, enquanto que outras podem sair até mais fortalecidas, fazendo com que oportunidades de compra a preços interessantes, como é o caso de leilões, acabem se tornando realidade.

E prova disso foi a declaração do atual presidente da Raízen, Ricardo Mussa, em live promovida pelo jornal “Valor”, a qual ele afirmou que o grupo não está focado na aquisição de novas plantas, mas se aparecer oportunidades, eles como uma empresa capitalizada, têm a obrigação de pelo menos apreciar a ocasião.

A mudança de ares pode significar um novo alento, principalmente de muitas cidades, que na sua grande maioria são pequenas e tem nas unidades industriais uma das principais fontes de renda e desenvolvimento, mas também para fornecedores de cana, pois o recomeço pode significar modelos agrícolas mais modernos, parecidos com o que aconteceu no Triângulo Mineiro, e já acontece inclusive na Atvos, que são baseados no repasse de áreas cultivadas pela usina aos fornecedores, gerando maior qualidade e redução de custos.

Lembrem-se sempre, são nas crises que surgem as melhores oportunidades.