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O consumo de etanol é a preocupação

15/06/2020 Marcos Fava Neves POR: Edição 167 Maio 2020

Reflexões dos fatos e números do agro

Começando o resumo de abril pela arena internacional, são crescentes as preocupações, ainda no centro do problema da pandemia do coronavírus. Espalham-se notícias de retração econômica e os impactos ainda não são conhecidos pelos agentes econômicos. Tudo dependerá do tempo das políticas de isolamento em cada país que, por sua vez, dependem dos indicadores de contaminações e adoecimentos. Não bastasse isto, aumentaram recentemente as tensões entre EUA e China.

São crescentes os relatos também de interrupção de produção em muitas indústrias de alimentos e as preocupações com a escassez de alimentos que estas podem trazer. Nos EUA está piorando a situação nas carnes, por exemplo, e na Europa com a colheita de frutas e outros produtos. Nos EUA houve casos reportados pela Reuters de empresas que cobraram de seus funcionários para fornecer as máscaras de proteção. Outra indústria no Colorado dispensou 30% dos funcionários depois de uma fatalidade com o vírus. Uma empresa no Quebec/Canadá e outras 10 nos EUA também tinham fechado durante algumas semanas de abril. A unidade de uma grande empresa de suínos fechada é responsável por quase 5% do que é produzido nos EUA. Além disso, as novas medidas de proteção necessárias reduzem a produtividade e aumentam os custos de produção, com empresas correndo atrás dos equipamentos de proteção, que estão em falta.

O problema segue a montante na cadeia produtiva, pois como indústrias não conseguem abater na performance necessária, empurram o problema para trás. Isto já derrubou o preço dos suínos em 35% e de bovinos em 15% (Reuters) e levou ao abate e enterramento de animais que não foram processados.

Os migrantes que normalmente fazem a colheita na Europa Ocidental não estão chegando, colocando em risco muitas cadeias produtivas como morango, aspargos, entre outras. São contingentes de 100 a 200 mil pessoas por países europeus que não estão entrando, comprometendo as cadeias integradas.

Os problemas não são apenas nos frigoríficos, mas também em atacados e lojas, com aumento do absenteísmo. Por outro lado, os americanos fizeram grandes estoques em casa, o que alivia um pouco a situação do momento. O problema de desabastecimento vem ocorrendo nas variedades de produtos, pois alguns itens vão faltar e terão que ser substituídos. O problema nos EUA só não é mais grave porque a demanda de carnes caiu perto de 30% com a queda do setor de restaurantes, que usam muita carne, sendo que o setor do varejo não compensou estas vendas (Rabobank). Outra alternativa nas carnes será a mudança do mix, vendendo peças inteiras e não mais cortadas.

Este problema de interrupção das cadeias de suprimento tem levado a um movimento interessante de protecionismo de um lado, com países proibindo suas importações e, de outro lado, países importadores acelerando acordos para buscar alimentos em outras fontes. Segundo a OMC, em apenas um mês, 166 novas medidas comerciais foram tomadas pelos países membros. Destas, 94 foram para facilitar o comércio.

Já na Europa, o pedido dos produtores é para restringir as importações devido à queda na demanda advinda principalmente do fechamento do foodservice (restaurantes). Estão com receio de excesso de ofertas de carnes, principalmente. A sugestão seria suspender alguns tipos de importações com tarifas melhores e com isto um aumento de tarifas médias. Pedem também restrições ao etanol brasileiro e americano devido à queda de consumo e excedentes de produção.

A China segue importando com toda a força. Na soja, de acordo com dados da Aduana, foram 17,8 milhões de toneladas no trimestre, 6,24% a mais na comparação com o ano anterior. As importações de suínos em março foram de 391.000 toneladas, quatro vezes mais que o mesmo mês do ano anterior, e no primeiro trimestre as importações praticamente dobraram. Já de carne bovina foram de 531 mil toneladas importadas, um crescimento de 65% na comparação entre os trimestres de 2020 e 2019. No entanto, alguns analistas acreditam que deva cair devido à queda no consumo de carnes em restaurantes.

Segundo o Ministério da Agricultura Chinês, as importações de soja devem crescer neste ano para 92,5 milhões de toneladas, indo para 97 milhões em 2025 e 100 milhões em 2029. Em suínos preveem importar neste ano 33% a mais que ano passado, chegando a 2,8 milhões de toneladas, principalmente graças ao problema da peste suína africana. Os preços mais elevados devem derrubar o consumo de suínos em 5,6%, ficando em 42 milhões de toneladas. A produção deve cair neste ano para 39,3 milhões de toneladas.

Para os produtores nos EUA são tempos sombrios. Com a demanda de etanol de milho caindo muito devido ao isolamento (é misturado em 10% na gasolina, que teve enorme queda) as empresas de processamento fecharam e parte deste milho vem sendo vendida como grãos, inundando o mercado. USDA estima que 10 milhões de toneladas já tomaram este destino. O milho em US$ 3,32/bushel nos EUA é realmente um desastre. A soja está a US$ 8,5 o bushel, também caindo, pois com o milho nesta situação, produtores podem tomar a decisão de plantar mais soja agora na época do plantio.

No Brasil do lado da economia estamos sendo impactados muito negativamente, tal como o resto do mundo. Segundo o Bradesco, o PIB neste ano deve encolher 4% e crescer 3,5% em 2021. Estima-se um IPCA de 2,2% em 2020 e de 3,0% em 2021, e com isto a taxa Selic deve cair até 2,25% e permanecer até o final de 2021. Para o câmbio, estimam R$/US$ 4,90 e R$/US$ 4,50, respectivamente, para o final deste ano e do próximo.

No último relatório Focus do Banco Central, o IPCA de 2020 caiu de 2,2% para 1,97% e para 2021 ficou em 3,3%. A taxa Selic fica em 2,75% no final deste ano e em 3,75% no final do ano que vem (ante 4,25% na última leitura). Para o PIB, a estimativa é de queda de 3,76% e aumentando 3,2% no ano que vem. As projeções do câmbio pularam de R$/US$ 4,80 para R$/US$ 5,00 neste final de ano e no final do ano que vem de R$/US$ 4,55 para R$/US$ 4,75.

No setor industrial brasileiro temos uma coleção de más notícias como por exemplo, as vendas de carros, que em março caíram 22% em relação a março de 2019 e 37% em relação a fevereiro. Abril quando divulgado deve ser um desastre ainda maior.

Já no agro, as notícias são melhores. No boletim de abril da Conab, a expectativa é de uma produção 251,8 milhões de toneladas de grãos, um crescimento de 4% em relação à safra passada, equivalente a 9,7 milhões de toneladas adicionais. Para a área cultivada, espera-se um crescimento de 2,9%, atingindo 65,1 milhões de hectares. Na soja devemos produzir uma safra recorde de 122,1 milhões de toneladas, apesar da seca enfrentada pelo RS, com incremento de 2,7% na área total. O algodão deve atingir produção de 2,88 milhões de toneladas de pluma, com área 3,6% superior. O fim da colheita da safra de milho deve confirmar produção de 25,3 milhões de toneladas, 1,5% menor que a passada; no entanto, a área plantada da segunda safra cresceu 4,5% chegando a 13,5 milhões de hectares que deverão colher 75,4 milhões de toneladas. Aqui está um grande risco a ser monitorado, as chuvas sobre a segunda safra.

Nova estimativa do Valor Bruto da Produção (MAPA) é de R$ 690 bilhões, 7,6% acima de 2019. Isso significa R$ 6,8 bilhões a mais que o estimado em março. Para as 21 principais lavouras agrícolas cresce 8,3% e atinge R$ 453,5 bilhões, e nas cinco atividades da pecuária cresce 6,2%, chegando a R$ 236,8 bilhões. O Valor Bruto da Produção de soja será de R$ 159,2 bilhões, praticamente 13% maior. Bovinos também crescem 13%, atingindo R$ 102,3 bilhões. Já o milho deve crescer 17%, com um total de R$ 76,2 bilhões. Penso que estes números tendem a crescer ainda mais nos próximos meses devido à desvalorização do real. O IPEA estima o PIB da agricultura crescendo 2,4% neste ano.

As exportações do agro brasileiro em março não foram afetadas pela pandemia e totalizaram US$ 9,29 bilhões, aumento de 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 8,20 bilhões), de acordo com o MAPA. O grande destaque fica com a soja em grão com US$ 3,98 bilhões, a maior cifra histórica para o mês, e 31,7% superior ao dado de 2019. As vendas de carnes atingiram US$ 1,38 bilhão, crescendo 12,7%; as vendas de carne bovina foram de US$ 637,81 milhões (+20,5%); carne de frango, US$ 546,06 milhões (-1,6%), e carne suína, US$ 165,03 milhões (+56,6%) - recordes do mês também para carne bovina e de porco. Produtos florestais venderam US$ 1,03 bilhão (-6,1%) e o café exportou US$458,69 milhões (-1,7%). As importações do agro aumentaram, totalizando US$ 1,28 bilhão, o que equivale a um incremento de 12,3%, deixando o Brasil com saldo positivo de US$ 8,01 bilhões na balança comercial.

Vale uma nota especial na coluna deste mês ao suco de laranja. Dados A.C. Nielsen nos supermercados dos EUA (período 12 de março a 11 de abril de 2020) mostraram que o consumo geral de suco cresce de 30 milhões para 44 milhões de galões quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O suco não concentrado (NFC) as vendas foram de 26 milhões de galões (50% a mais) com aumento de preços de 3,3% (US$ 8,7/galão), fazendo o faturamento crescer de US$ 146,6 para US$ 226,4 milhões. O reconstituído (FCOJ) cresceu de 10,7 para 14,5 milhões de galões (35%), a um preço médio de US$ 4,9/galão, levando o faturamento de US$ 51,7 para US$ 71,23 milhões. Demais produtos também cresceram. Os motivos foram: estoques em casa, redirecionamento de vendas em restaurantes, mas principalmente, busca por imunidade. Foi uma grata surpresa, e a esperança é que o conceito de nutrição, alimento líquido e imunidade se fortaleça para segurar parte deste crescimento ao final da pandemia, a se observar. Agora dia 11 de maio será feito a divulgação da estimativa de safra em projeto nosso com o Fundecitrus, muita curiosidade para saber como será esta próxima safra 2020/21.

No momento do fechamento desta análise mensal observamos bons preços em reais para as principais commodities, principalmente pelo efeito cambial, pois em relação aos preços médios mensais das principais commodities em dólar, levantados pelo Valor Data, em abril estes estiveram 5,5% maiores para o suco de laranja, tivemos perdas de 6,8% para o algodão em pluma, 9,5% para o milho e 2,7% para a soja.

Os cinco fatos do agro para acompanhar agora diariamente (talvez não diariamente, mas a cada hora) em maio são:

Os impactos do coronavírus na economia mundial, nas exportações do agronegócio e nos preços das commodities;

Os graves impactos do coronavírus na economia brasileira e o andamento dos problemas, das operações logísticas, a governança política e a gestão da crise política instalada e seus efeitos no câmbio. Fechamos esta coluna com elevada incerteza no cenário externo e interno e com o dólar valendo mais de R$ 5,50.

O comportamento do clima na segunda safra de milho, não podemos ter problema climático afetando as esperadas 75 milhões de toneladas;

China e Ásia: seguir as notícias dos impactos da peste suína africana na produção da Ásia nos preços e quantidades de carnes importadas do Brasil, e mudanças dos hábitos de consumo. Este assunto ficou meio esquecido com a crise do coronavírus, mas segue presente;

Expectativas da safra a ser plantada nos EUA (alocação de áreas para soja, milho e algodão principalmente) e os destinos do milho que não será usado para etanol, além das contaminações e paralisação de atividades fabris que ameaçam o abastecimento.

Reflexões dos fatos e números da cana

Na cana...

A Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) fechou o balanço da safra 2019/20 do Centro-Sul. Em termos de cana processada, foram 589,9 milhões de toneladas, praticamente 3% a mais. O ATR ficou 0,5% acima, chegando a 138,57 quilos por tonelada. A produção de etanol foi a maior da história: 33,24 bilhões de litros, 7,39% a mais, incluindo 1,62 bilhão de litros de etanol de milho. O mix para açúcar foi o menor em 22 anos, ficando em 34,32%. Com isto, o Centro-Sul produziu 26,729 milhões de toneladas de açúcar (0,83% a mais).

Quando se colocam os dados do Brasil como um todo, incluindo o Nordeste, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) o fechamento da safra 2019/20 entregou 35,6 bilhões de litros de etanol, aumento de 7,5%. No açúcar foram 29,8 milhões de toneladas, 2,6% a mais. Total de 643 milhões de toneladas de cana, 3,6% a mais em uma área de 8,4 milhões de hectares, 1,7% menor. Dos 35,6 bilhões de litros, 34 bilhões foram de cana (5,1% a mais) e 1,6 bilhão de litros de milho.

Sobre esta safra que está em andamento, a Archer estima para o Centro-Sul uma produção de 596 milhões de toneladas, 2,25% acima da safra anterior (582,9 milhões de toneladas de cana). Deverão ser produzidos 35,8 milhões de toneladas de açúcar e 26,2 bilhões de litros de etanol. Com isso, teremos 7,3 milhões de toneladas de açúcar adicionais.

Para o Centro-Sul, a Job estima 37,5 milhões de toneladas de açúcar versus 26,73 milhões na temporada anterior, e no etanol caindo de 31,6 bilhões de litros para 25 bilhões de litros. O total do Brasil cairia de 34 bilhões para 26,8 bilhões de litros. Acredita-se que a demanda neste ano cairá 16%, ficando em 28 bilhões de litros. A exportação será de 1,5 a 2 bilhões de litros com uma safra ao redor de 594 milhões de toneladas.

O complexo sucroalcooleiro cresceu suas vendas externas no mês de março em 33,5%, alcançando US$ 490,24 milhões.

A Copersucar já teria 21 usinas certificadas para gerar os Créditos de Descarbonização (CBios).

A depender do que acontecer com os preços da cana neste ano, podemos ter mais áreas migrando para soja e milho.

Em relação às medidas de apoio ao setor, deve ser aprovado um aumento da CIDE de 10 para 30 centavos por litro, aumento de impostos sobre a gasolina importada e uma linha para financiamento da necessária estocagem. As usinas que mais precisam são as que mais terão dificuldades para conseguir, pesando muito o elevado endividamento do setor. Ou seja, esta situação de crise deve aumentar ainda mais o hiato existente no setor. Grupos capitalizados devem sair agora comprando etanol, armazenando em seus tanques e ganhando com esta operação.

A demanda vai voltar, mas a produção sofrerá com a falta de investimentos, tanto nos canaviais quanto na indústria, o que acende um alerta para a safra 2012/22. Quem tiver condições de investir no canavial neste momento, considero uma boa aplicação.

Nos primeiros 15 dias da safra a moagem cresceu fortemente e também o mix para açúcar pulou de 23,5% na safra anterior para quase 40% nesta.

No açúcar...

S&P Global Platts estimou que o déficit de açúcar na safra 2019/20 será de 5,45 milhões de toneladas devido à crise que deve afetar o consumo. Esta queda de consumo poderia superar 5 milhões de toneladas.

A Índia e a Tailândia sofreram quebras na safra 2019/20 de cana, reduzindo sua produção em mais de 20%, o que é uma boa notícia num momento onde o Brasil precisará expandir os volumes de exportações. Em março, estas exportações cresceram 48,6%, atingindo US$ 441,08 milhões.

Em relação aos preços, o açúcar chegou a cair abaixo de 10 cents/libra peso, graças ao espinhoso quadro mundial e também à desvalorização do real.

A JOB estima que produziremos 41 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, contra quase os 30 milhões da safra anterior. Prevê que exportaremos 29,80 milhões de toneladas contra 19,44 milhões da safra 2019/20. O mix será de 48,4%, contra os 35% da safra anterior. Com isso na safra 2020/21, o mercado mundial deve voltar a apresentar superávit. A Archer estima a produção de açúcar em 35,8 milhões de toneladas no Centro-Sul. Da safra 2020/21, cerca de 17 milhões de toneladas de açúcar já foram fixadas, contra 11 milhões da safra anterior, sendo o maior percentual de fixação já levantado pela empresa (87,5%). O valor médio foi de R$ 1.300 a tonelada (com prêmio de polarização e entregue em Santos-SP). Em 2019/20, o preço médio foi de R$ 1.163 a tonelada. Cosan já fixou 80% do açúcar desta safra. Para nossos produtores, a Archer Consulting lembra que o câmbio é algo que tem ajudado bastante na comparação com os concorrentes. Em 12 meses, o Real perdeu 26%, enquanto que na Índia a desvalorização foi de 8,4% e na Tailândia de 3,7%. No fechamento da coluna estava a 10,40 cents/libra peso, isto daria um preço de quase R$ 1.400/toneladas colocadas em Santos, interessante para já fixar parte do açúcar de 2021/22. Este baixo preço do açúcar deve fazer estragos nos concorrentes do Brasil, abrindo mais chances para recuperação mais adiante por reduções de oferta, a se observar.

Tereos no Brasil deve alocar 68% da cana para açúcar, contra 60% da safra passada, creem que a média do setor deve ser de 45%, contra 34% do ano passado. As exportações devem saltar de 50 para 60% do que é produzido pela empresa. Já a Raizen deve usar 55% das 63 milhões de toneladas de cana que espera processar para açúcar, elevando em 6% na comparação com a safra 2019/20 e já fixou aproximadamente 85% da sua produção, bem como 50% do etanol a ser produzido.

O preço do açúcar deve recuar um pouco no mercado interno também devido a redução no consumo de alguns produtos que usam açúcar. Algumas indústrias como refrigerantes, por exemplo, mostram grande retração na demanda e isto derruba também o consumo do açúcar.

No etanol...

Abril entra para a história por ter sido o primeiro momento onde vimos preços do barril do petróleo abaixo de zero. Surreal. O consumo caiu muito devido às políticas de isolamento no mundo todo, e os problemas com estoques de petróleo começaram a se agravar.

A queda brutal do consumo no Brasil com o isolamento também derreteu os preços do etanol, que caíram mais de 30%. De R$ 2,05/l para R$ 1,45/l, sem os impostos.

Este é o principal problema do setor hoje. Temos cerca de 350 unidades industriais operando no Brasil, cerca de 270 no Centro-Sul, sendo ao redor de 80 destilarias apenas de etanol. 2020 será novo desafio ao setor que já tem, segundo a Unica, 104 unidades em recuperação judicial (81 no Centro-Sul). Uma parte das destilarias e usinas tem baixa capacidade de estocagem e observaremos compras de etanol feitas por grupos capitalizados e estocagem deste, agravando os hiatos existentes no setor.

Lembremos que o isolamento começou para valer na metade de março, e os dados da primeira quinzena foram bons, portanto, segundo a Unica, a queda de vendas foi de 17,5%, ficando em 1,4 bilhão de litros. Já o anidro caiu 4,8% no mês, ficando em 774,85 milhões de litros. Março não se transformou em grave problema, pois a primeira quinzena compensou a segunda. Já os dados de abril devem ser desastrosos, entre 40 a 50% do normal, ou talvez até menores. Tivemos quedas maiores no consumo dos grandes centros urbanos vis a vis as cidades menores e nestes centros, nos bairros de renda mais elevada, observam-se ainda as maiores quedas.

As exportações de etanol também caíram 30,6% em março, trazendo US$ 47,90 milhões.

A Archer estima que a produção de anidro neste ano cai 9%, ficando em 9 bilhões de litros, a de hidratado fica em 17,172 bilhões de litros, 25% menor.

Os investimentos no etanol de milho também devem sofrer atraso, e a estimativa do que seria produzido neste ano deve cair uns 500 milhões de litros. Nos EUA a crise é grande também. ADM suspendeu a produção de etanol de milho por 4 meses em duas de suas unidades no país.

Após a pandemia, deve crescer o uso de etanol para fins de higiene, com o álcool gel e outros formatos. Usinas devem estar atentas para este mercado, tanto para fins industriais como residenciais.

O valor do ATR em abril fechou pouco acima de R$ 0,70/kg, um bom número para começar a safra. Se o consumo do hidratado se recuperar mais rapidamente que o esperado, ainda temos condições de recuperar parte do que foi perdido neste início com o andamento da safra.

Para concluir, os cinco principais fatos para acompanhar agora em maio na cana:

Acompanhar a política de isolamento e impactos no consumo de combustíveis no Brasil. Principalmente a velocidade de recuperação do consumo em maio.

Acompanhar os impactos do coronavírus no crescimento econômico mundial e brasileiro e nos preços do açúcar e do petróleo, principalmente. Ao fechar a coluna o barril do petróleo tipo Brent estava em US$ 20 e o açúcar a cerca de 10,40 cents/libra peso.

O clima e o andamento da safra no Brasil, e se teremos impactos com as restrições operacionais colocados pela crise do coronavírus. Por enquanto a safra vem vindo muito bem.

Quais as políticas que serão oferecidas pelo governo ao setor de etanol.

O  andamento da safra de açúcar no hemisfério norte e o déficit na produção advindo das quebras. Até agora as notícias são de aumento das quebras, o que seria bom para os preços.