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O futuro econômico e as oportunidades para o agronegócio

Agronegócio POR: Fernanda Clariano

Um ano desafiador para o mundo

Luís Artur Nogueira - jornalista e economista

Os principais indicadores de confiança no desempenho da economia, calculados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), atingiram os menores pontos da série histórica em maio deste ano, o que reflete a preocupação de empresários, produtores rurais, profissionais liberais e da população de maneira geral em relação ao futuro do país.

Para refletir sobre o futuro econômico e as oportunidades para o agronegócio, no dia 25 de julho, a convite da Sicoob Cocred e da Corteva, o jornalista e economista Luís Artur Nogueira participou do encontro on-line realizado durante a 16ª edição Agronegócios Copercana, com o intuito de nortear os empreendedores a tomarem decisões assertivas e seguras neste momento de crise.

Embora de forma virtual, a palestra foi interativa e dinâmica e contou com a participação do público por meio de perguntas que foram respondidas ao longo da apresentação. Nogueira abordou em três momentos o cenário econômico mundial, de que forma a pandemia afetou o mundo; os impactos do coronavírus no Brasil e as oportunidades para o agronegócio.

Cenário econômico mundial

De acordo com Nogueira, independentemente de existir coronavírus, 2020 já seria um ano desafiador para o mundo inteiro por dois motivos: a eleição americana que vai ocorrer em novembro - a grande dúvida se Donald Trump será ou não reeleito, e o grande risco - a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China. Para o economista, esses dois fatores por si já levariam o mundo a ter um crescimento modesto este ano de 2 a 3%, que já seria o menor crescimento mundial na média dos últimos 10 anos.

“A pandemia jogou o mundo para um processo recessivo. Eu prevejo para este ano que o mundo em média encolha de 3 a 4% e, convenhamos, é uma enorme recessão mundial. Agora, a boa notícia é que no ano que vem o mundo pode recuperar essa queda. Prevejo um crescimento de 4 a 5% em média”, afirmou Nogueira.

Nos EUA, o presidente Donald Trump está disposto a dar o sangue para ganhar a reeleição, mas no momento em que surge uma recessão econômica que, segundo as previsões de Nogueira, farão com que a economia americana encolha 6% este ano, isso colocaria em risco a reeleição. “Até o final do ano passado, Trump era o favorito para ser reeleito porque a economia estava bombando. Os Estados Unidos tinham no fim de 2019 o menor desemprego em 50 anos, veio o coronavírus e jogou a economia do mundo inteiro na lama, inclusive colocando a reeleição de Trump em risco. Como não sabemos qual será o resultado e há uma série de dúvidas, a eleição americana acaba gerando incerteza no cenário internacional”, disse o economista.

A China, que foi o epicentro do coronavírus, já dá sinais claros de recuperação da sua economia, o que faz Nogueira prever que neste ano o país não terá recessão. “A China terá no ano inteiro um leve crescimento de 1 a 2%, o que é pouco para um país que está acostumado a crescer nos últimos anos 6,7,10,15% ao ano. A boa notícia é que para o ano que vem prevejo um aumento de 6 a 8%. Ou seja, em 2021 a China volta a ser a locomotiva do desenvolvimento mundial”.

Impactos do coronavírus no Brasil e as perspectivas

Para Nogueira, não há dúvidas de que o Brasil está numa recessão e que, mesmo se começarmos a recuperar no segundo semestre, 2020 é um ano recessivo. “Eu prevejo que a economia brasileira encolha este ano de 6 a 7%, é um enorme tombo. Qual é o meu temor? Se a recessão é um dado da realidade, há um risco de que tenhamos mais do que isso, que tenhamos uma depressão econômica”, disse o economista.

Conforme Nogueira, em termos práticos, o coronavírus gerou impactos na economia. O dólar subiu, bateu quase em R$ 6, as bolsas despencaram e agora começam a ter alguma recuperação. Lojas e fábricas pararam, a ideia era de que fossem fechadas temporariamente, mas infelizmente algumas quebraram. Boa parte da população trabalhadora foi para casa exercer suas funções em home office, e a jornada de trabalho e salário foram  reduzidos,  ocorreu também uma queda abrupta na arrecadação. Além disso, a pandemia gerou um engavetamento da agenda de reformas no primeiro semestre.

Economia brasileira

O trabalho que o cooperativismo financeiro vem fazendo no Brasil inteiro para garantir que o dinheiro chegue à ponta para quem mais precisa, no caso das empresas, os micros e pequenos empresários, foi destacado pelo economista que também lamentou sobre os grandes bancos que não estão concedendo crédito para o pequeno e apenas para as grandes empresas. “Surge aí uma oportunidade, se o grande banco não quer emprestar, o cooperativismo financeiro tem a oportunidade de ocupar esse espaço e ganhar essa fatia de mercado em meio à atual crise”. Ainda segundo Nogueira, é muito importante um amplo projeto de transferência de renda para as pessoas mais carentes. “É fundamental garantir que as pessoas que estão sem empregos ou que estão em quarentena em casa tenham alguma renda para que não morram de fome e possam consumir”.

Vale destacar que o Banco Central tem reduzido juros, o país tem a menor taxa básica de juros da história; o BNDES está tentando estimular empréstimos dando carência, taxas de juros mais baixas; no emprego uma importante medida provisória autorizou a redução de jornada e de salário como forma de preservar o emprego; o governo ampliou o Bolsa Família para mais de 1,2 mil pessoas; o INSS fez um papel importante antecipando as duas parcelas do 13º salário para os aposentados, além disso, os Estados e municípios chegaram num acordo de socorro com a União, e o importante programa de transferência de renda - o maior da história, onde mais de 60 milhões de brasileiros na informalidade estão recebendo três parcelas de R$ 600 e o governo sinaliza uma ampliação de mais duas parcelas de R$ 300.

“Acho que a equipe econômica precisa melhorar a forma como o dinheiro chega à ponta, está demorando para chegar para quem mais precisa. Está demorando para chegar para o pequeno empresário e ainda há milhões de brasileiros que não receberam sequer  a primeira parcela do Auxílio Emergencial de R$ 600”, comentou Nogueira.

Brasil - Projeções econômicas para 2020

Conforme projeções do economista, o Brasil encolherá de 6 a 7% este ano. O único setor que crescerá em 2020 é o agronegócio. Outros fatores são a inflação baixíssima de 1,5% que não causa preocupação; os juros básicos reduzidos que estão em 2,25% ao ano, e o Banco Central pode cortar 0,25 para encerrar em 2%; o dólar entre R$ 4,80 a R$ 5,80, oscilando conforme a eleição americana e as crises políticas e institucionais no Brasil.  Nogueira pontuou que se o mundo tiver uma segunda onda de coronavírus e um fechamento da economia, o dólar irá disparar por motivos óbvios.

O crédito deve crescer este ano de forma modesta, cerca de 5% graças ao cooperativismo financeiro. Ainda tem o investimento estrangeiro direto de US$ 60 bilhões, pois os chineses estão comprando muito ativo no Brasil, que ficou barato por conta da crise e da alta do dólar, e uma balança comercial com superávit de US$ 50 bilhões.

“Apesar da queda de 6 a 7% neste ano, vejo o Brasil crescendo entre 3 a 4% em 2021, que será um bom ano para o país, um ano de retomada do crescimento econômico. Mas, atenção,  o crescimento do ano que vem não recuperará o tombo de 7%, no entanto é um bom início, e estou confiante”, afirmou Nogueira.

Oportunidades para o agronegócio

De acordo com o ponto de vista do economista, a queda no preço do barril de petróleo, que por conta da crise e recessão global assusta e afeta o setor de etanol é algo que preocupa, pois quanto mais o petróleo cai, mais a gasolina cai, achata o preço do etanol e isso é um problema para as usinas.

Recentemente o BNDES lançou o PASS – um programa de crédito de R$ 3 bilhões  para que as usinas possam estocar etanol, esperar por um preço melhor e então vender o produto também por um valor melhor.

“É fundamental que não falte crédito para o agronegócio, este setor não pode ficar de fora da lista de prioridades do governo. É dever do governo federal socorrer companhias aéreas, o setor de energia e o sucroalcooleiro, que não podem quebrar com essa crise”, enfatizou. Nogueira reforçou ainda que as cooperativas de crédito são protagonistas no momento da crise e podem ganhar mercado enquanto os bancos estão retraindo e negando crédito para quem mais precisa.

Ao ser questionado sobre quão veloz será a recuperação econômica, se será em U ou em V, Nogueira disse que “a velocidade da recuperação econômica dependerá da capacidade de salvar empresas e renda, pois elas não podem quebrar e os trabalhadores não podem ficar sem renda”. 

O economista finalizou sua apresentação destacando que o agronegócio continua sendo o setor que dá mais orgulho ao país. “O ponto forte da economia sem dúvida é o agronegócio, e vai um apelo para que o governo cuide com carinho dos setores de energia, companhias aéreas e, em particular, é claro, pelo sucroalcooleiro, pois é necessário salvar o nosso etanol, precisamos dele e de sua energia produzida para o processo de recuperação econômica”.

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