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O RenovaBio para os fornecedores de cana

Por: Marino Guerra

Produtores de Monte Azul Paulista já manejam o canavial pensando no programa

Ainda está totalmente obscuro o desenho de uma solução que defina como o fornecedor de cana-de-açúcar participará do RenovaBio. Contudo, alguns produtores, dentre eles os irmãos Renato e Ricardo Ducati Delarco, se anteciparam a qualquer decisão que venha dos órgãos representativos que trabalham no caso e entenderam em quais pontos poderão gerar valor às unidades industriais que recebem a sua produção. Para isso, adequaram alguns manejos e já conseguindo ganhos monetários.

A receita deles está baseada em dois pilares: produzir mais com menos, principalmente reduzindo o uso de óleo diesel e nitrogênio sintético, e ter informações de qualidade para passar para a usina. “O fornecedor precisa perceber que com o RenovaBio ele venderá informação para a usina, pois se ela preencher as informações referentes à participação dele no modo padrão, não haverá motivo para ele ganhar nada”, explica Ricardo.

Diante dessa conjuntura, os agricultores, que tocam cerca de 2,3 mil hectares de cana na região de Monte Azul Paulista e possuem uma produtividade média acima dos três dígitos, selecionaram cinco manejos que geraram informações de economia, suficientes para já conseguirem, antes mesmo do programa estar rodando, uma melhor negociação.

A primeira questão que eles abordam está no plantio, o qual é feito a partir da meiosi de uma rua, realizada através do plantio de cantosi formada com MPB. Assim, eles conseguem fazer  uma desdobra de 1:10, o que gera economia entre 20% a 25% do plantio convencional, tendo como um dos principais itens a redução de custo do óleo diesel.

Um detalhe é que como as mudas são pré-brotadas, sua qualidade permite colocar na cova o sistema de uma cana só, conhecido como “pé – ponta”, gerando uma economia ainda maior de mudas.

O segundo manejo é a aplicação de corretivos somente em cima da linha da cana, ou seja, os produtores desenvolveram um implemento que distribui o calcário e o enxofre pastilhado  somente nos 75 centímetros da cultura. Como o entrelinhamento deles é de um metro e meio, a outra metade é destinada para o tráfego de máquinas e implementos, não tendo motivos para se corrigir aquele espaço.

Além de reduzir pela metade a quantidade de insumos gastos, há a questão do uso do enxofre pastilhado, cuja concentração é cerca de 80% acima do gesso convencional, resultando em economia de volume e, consequentemente, em menos combustível na calculadora do RenovaBio.

A rotação de cultura também é contemplada na estratégia. A escolha pela crotalária é justificada, pois embora não tenha a remuneração comparada à soja ou amendoim, ela fixa uma quantidade de nitrogênio superior ao solo e reduz o uso de diesel devido a não necessidade de tratos culturais.

Até a eficiência no plantio foi pensada. Os produtores adaptaram um implemento que faz a lanço localizado utilizando apenas 20 quilos de sementes por hectare.

Dentre os tratos, a principal mudança dos irmãos está relacionada à aplicação do nitrogênio. No manejo, são aplicados 70% do nutriente (sintético) via solo durante os meses de novembro, dezembro e janeiro (período vegetativo da cana) e os outros 30% na folha, o que reduz em 3,5 vezes a quantidade utilizada.

A estratégia de uso de herbicida também gerou valor na negociação com as usinas. Isso porque os produtores fazem a defesa contra as invasoras de folha estreita em área total, mas, através do uso de georreferenciamento, combatem as plantas daninhas de folha larga somente onde elas estão e numa passada só, por meio de uma adaptação no autopropelido que elimina o consumo de produtos e o custo de combustível de uma segunda aplicação.

Além desses manejos, ao conhecer como Ricardo e Renato trabalham, é possível encontrar outras atitudes que podem entrar não somente na conta do RenovaBio, mas também no ganho de margem como, por exemplo, a sistematização da área e a consideração da colheitabilidade no planejamento varietal, reduzindo significativamente o consumo das colhedoras.

Tendo em vista esse alto grau de profissionalização, uma resolução do Consecana-SP sobre como o produtor será remunerado se tornará um mero indicativo, pois, nesse caso, tanto o fornecedor como a usina têm o número da rentabilidade bem claro na cabeça.