Olho vivo

16/11/2021 Noticias POR: MARINO GUERRA


Método de definição de parcelas nas áreas em recomposição é o ideal para determinar os indicadores solicitados pelo PRA

 

Com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento dos projetos, um dos principais assuntos abordados pelo manual do PRA é a orientação de como executar a operação de monitoramento.

Para isso foram definidos três indicadores: cobertura do solo com vegetação nativa (percentual), densidade de indivíduos nativos regenerantes (número por hectare) e número total de espécies nativas regenerantes.

A periodicidade para imputação das informações será a cada dois anos, tempo que durará cada etapa do projeto, e deverá conter os valores que compõem os indicadores e imagens (obrigatórias em cada atualização).

Conforme o resultado obtido, o produtor será informado se sua situação é adequada (atingida a expectativa esperado para o período), mínima (valores próximos da margem de tolerância) e crítica (será exigida a readequação do projeto por meio de ações corretivas mais significativas).

Um exemplo é se numa área de Cerradão, ao fim dos dois primeiros anos de aprovação do Prada, o percentual de cobertura do solo com vegetação nativa estiver abaixo dos 10% ele é qualificado como crítico, exigindo ações; se a densidade de indivíduos estiver entre 200 a 500 por hectare ao final do sexto ano, a nota será “regular mínimo”; e se no final de uma década forem encontradas mais de 15 espécies, o terreno é considerado adequado.

Caso a implantação da área seja prejudicada pela ocorrência de fatores de perturbação, o produtor terá que relatar e se possível ter imagens, pois se o resultado não for o mínimo, o relato será fundamental no processo de entendimento que impediram o sucesso da empreitada.

Protocolos de monitoramento

O manual define três tipos de protocolos a serem adotados conforme a ligação entre o tamanho da área (separada a partir de quatro módulos fiscais, o que é considerado a fronteira das pequenas propriedades) e o passivo ambiental  (em hectares).

Dessa forma, o primeiro processo, denominado “Objetivo por Parcelas”, enquadra os imóveis com área superior aos quatro módulos fiscais e com o passivo ambiental maior ou igual a dez hectares.

Consistindo na definição de parcelas amostrais, medindo 25 metros de comprimento por quatro metros de largura, a regra é de que se a área do projeto for menor  que um hectare, são necessárias à formação de cinco retângulos amostrais, enquanto que em terrenos superiores, a quantidade é definida perante o tamanho acrescido de mais quatro áreas.

A conta do percentual de cobertura muda conforme o tipo de vegetação, no caso de uma “Floresta Estacional Semidecidual” (Mata Atlântica) é preciso considerar a partir da linha de comprimento (25 metros) quanto há cobertura tendo como referência a copa das árvores. Com essa informação, basta aplicar uma fórmula e encontrar o percentual.

Para o cerrado pode considerar qualquer unidade pertencente a vegetação nativa, excluindo as exóticas (as gramíneas são as mais comuns) e solo exposto. Para encontrar a densidade é preciso contar, na mesma parcela feita para a cobertura, a quantidade de indivíduos lenhosos com altura superior a 50 centímetros e circunferência à altura do peito do caule menor que 15 centímetros
ou inexistente. Com o número, aplica-se a fórmula para encontrar a densidade.

O terceiro indicador, número de espécies nativas regenerantes, tem o mesmo princípio da identificação dos indivíduos  contabilizados na densidade, levando em consideração que cada uma deverá entrar apenas uma vez na lista dentre todos encontrados no terreno como um todo.

Como segundo protocolo, identificado como “Simplificado por Parcelas”, voltado para os imóveis com área superiora quatro módulos fiscais, mas passivo inferior a dez hectares, a diferença é a redução na quantidade de parcelas, sendo cinco para áreas de projeto menores que dois hectares, e o teto de dez parcelas, a partir de oito hectares.

A terceira via é o “Protocolo Simplificado de Avaliação por Caminhamento”, voltado para as pequenas propriedades (até quatro módulos fiscais), ele orienta o produtor a responder uma checklist por meio de caminhadas pela área em recomposição.

Com o objetivo de demandar menos esforços e ao mesmo tempo alcançar a necessidade de monitoramento através do estímulo, a interpretação dos avanços ou dificuldades do processo de regeneração, o manual pede um estudo prévio das perguntas e em seguida orienta sobre os pontos de atenção  ao longo da caminhada.