Os pioneiros de Pontal

10/11/2020 Cana-de-Açúcar POR: Marino Guerra

Experiência gera implantação da meiosi em toda a área de plantio

Mesmo com seca severa, o tempo fez com que a fazenda adaptasse o manejo à sua realidade

Ser uma das primeiras a adotarem novos manejos sempre esteve na rotina da Fazenda Paineiras, propriedade da MRD Agropecuária, que em sua história recente tem como principais marcos o início da colheita mecanizada e a implementação da meiosi.

Tendo como proprietários Armando Donati, Ronaldo Armando Donati e Marlene Rapanello Donati; como sócio e agrônomo, Gabriel Paraguai Donati; e gerente, Agenor Souza Reis (mais conhecido como Fikim), a decisão pela formação das primeiras linhas-mãe surgiu em 2013 com o objetivo de reduzir custos de plantio e, ao mesmo tempo, aumentar a sanidade do canavial.

A temporada inaugural pode ser definida como de grande aprendizado, isso porque a técnica foi utilizada para a reforma de uma área de 48 hectares, com a intenção de desdobra de um para sete, formando a linha-mãe em duas ruas plantadas com MPB (Mudas Pré-brotadas).

Fikim conta que o principal problema foi a definição de uma área muito extensa para a estrutura de irrigação, o que resultou na perda de 40% das mudas pela falta de água gerada pela quebra do único caminhão tanque disponível para a irrigação, justamente num período de estiagem ocorrido logo no período de “pegação” das mudas, entre o final de agosto e início de setembro.

Agenor Souza Reis (Fikim) é gerente da propriedade desde a formação da primeira linha-mãe

Assustados com o tombo, duas mudanças drásticas aconteceram na temporada seguinte. A primeira foi quanto à área total, reduzida exatamente pela metade (24 hectares), enquanto que a segunda foi o plantio através de toletes, inclusive retornando ao padrão antigo da fazenda, que consistia na aquisição das mudas com poucos critérios de sanidade.

Mantendo o objetivo de desdobra de 1:7 com a linha-mãe formada em duas ruas, principalmente focado em não deixar faltar água, o sucesso do trabalho foi até exagerado, sobrando metade da cana que foi aproveitada para corrigir a falha em 250 hectares.

Para ajustar o manejo nos trabalhos iniciais da terceira meiosi, os proprietários decidiram aumentar o espaço nas entrelinhas e partiram para 1:10, praticamente em área igual ao período anterior. Ao manter o sistema de formação em linha dupla e novamente com irrigação farta, o resultado foi conforme o esperado, de forma que só não sobrou cana por optarem em colocar mais mudas no sulco.

Com maior segurança no manejo, era hora de perseguir o segundo objetivo: a sanidade. Vacinados sobre os cuidados de irrigação necessários ao utilizar MPB na linha-mãe, a alternativa encontrada foi a formação de uma cantosi com elas, plantadas em menos de meio hectare (bico de talhão da área que já entraria em reforma) no mês de novembro do ano anterior à formação da linha.

Área destinada à cantosi no plantio de 2020 em que foram utilizadas quatro mil MPBs (esquerda), o que foi mais que suficiente (reparem na sobra de três linhas) para a formação das linhas de um canavial de 24 hectares. A direita, área em que será realizado o plantio da cantosi (com MPB e para formar as linhas-mãe de 2021). Novamente ocupando apenas um pequeno espaço do talhão

Animados com o desempenho da cantosi, os produtores decidiram ampliar o espaço das entrelinhas para 1:36, sendo as mães formadas de modo intercalar com uma e duas linhas, o que acabou gerando mais um aprendizado em decorrência de problemas na hora da desdobra pela longa distância no transporte das mudas até as linhas.

“Para quem tem uma estrutura parecida com a nossa, não recomendo arriscar em fazer a desdobra acima de 1:30, pois em decorrência da distância entre as linhas é preciso o investimento em máquinas para o transporte”, disse Fikim.

Após quatro anos de erros e acertos, pode-se afirmar que a quinta formação de linhas-mãe foi a mais encaixada à realidade da fazenda. Isso em decorrência do ganho de habilidade em perceber que a cana planta do talhão formado em março, uma IACSP95-5094, estava vindo tão forte que foi utilizada como muda. Além disso, tiveram a segurança na formação de uma rua mãe (pensando em não haver mais sobras) e a desdobra de 1:22.

Para a formação de 2020, manteve-se a utilização de uma linha (o que já se tornou padrão da fazenda), além da implantação da cantosi (com quatro mil mudas) em dezembro de 2019, colhida em agosto para a meiosi que alimentará a formação de um canavial de 24 hectares, através de uma desdobra de 1:20.

Espaçamento de 1:22 realizado na desdobra de 2020 (formação da linha-mãe em 2019)

Formação das linhas-mães de 2020 num espaçamento de 1:20 e plantio de tolete realizado em agosto

Perante a experiência acumulada, todo o plantio é a base da meiosi. Contudo, além dos trabalhos relatados anteriormente, o produtor que adotar a técnica precisa estar atento à forma que utilizará os insumos.

Em Pontal, para a formação da linha-mãe é realizado o cultivo PPI (Pré-Plantio Incorporado), em que, no corrente ano, foram misturados os herbicidas Clomazone (Gamit) e Sulfentrazone (Boral), pensando no combate principalmente à grama seda.

Como ferramentas de nutrição são utilizados 330 kg/ha de MAP (fosfato monoamônico), além de um complexo de micronutrientes, aminoácidos e 500 ml/ha de um fisioativador (Biozyme). Para finalizar, 90 dias após o plantio, na cobertura, são aplicados 300 kg/ha de nitrato de amônio.

Nesse quesito, ainda é preciso ressaltar que a fazenda faz uso da torta de filtro e irriga com vinhaça diluída na composição de 10% do total de uma lâmina.

Para a defesa contra o ataque de insetos é feita uma análise da infestação e, perante o resultado, usa-se Fipronil (Regent) em caso de cupim ou Clorantraniliprole (Altacor) se for detectada muita broca.

Pela alta irrigação, os produtores também procuram se prevenir da podridão abacaxi através do uso de Piraclostrobina (Colmet) e utilizam Carbossulfano (Marshal) com foco nos nematoides.

Preparo, nutrição e defesa também são fundamentais para o sucesso do manejo. Para isso, a fazenda conta com o fornecimento de tecnologia da Copercana e a assistência técnica da Canaoeste, através da engenheira-agrônoma Daniela Aragão Bacil