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Preparando futuras lideranças

10/02/2020 Noticias do Sistema POR: Fernanda Clariano
Preparando futuras lideranças

A Canaoeste mobiliza aos associados formas legais de dar continuidade ao negócio familiar

É bem verdade que algumas pessoas parecem ter nascido com o dom de liderar e inspirar, mas para a maioria esse processo não é tão natural. Com o objetivo de desenvolver a cultura associativa nas novas gerações e trabalhar mensalmente com os jovens num processo de formação (multidisciplinar entre as áreas de atividade da associação bem como noções de liderança), a Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) iniciou em fevereiro de 2019, um projeto de desenvolvimento de liderança chamado “Nova Geração”.

Foram promovidos encontros mensais com um grupo de filhos e netos de produtores, que se reuniram para receber aprendizado teórico e prático, absorvendo informações sobre a associação e desenvolvendo senso crítico e aprimoramento técnico. 

“A cada encontro um assunto importante e de interesse foi explanado e uma coach nos apoiou no envolvimento para gerar ainda mais interesse nas novas lideranças. A questão da sucessão familiar foi um tema muito discutido nos encontros, tendo em vista que nos processos de sucessão muitos dos negócios, após o processo sucessório, começaram a ter problemas de gestão e/ou resultado”, disse o gestor corporativo da Canaoeste, Almir Torcato.

De acordo com o presidente da Canaoeste, Fernando dos Reis Filho, o projeto serve para preparar os jovens para serem possíveis sucessores e fazer com que eles possam sentir o seu valor tanto no âmbito familiar como dentro da sociedade onde estão inseridos. “Além de entenderem o andamento e o trabalho da associação, os integrantes do grupo têm a oportunidade de se preparar para assumir suas posições e serem futuros líderes dos negócios familiares e a associação precisa da participação ativa desses jovens. Estamos formando 18 novos líderes neste primeiro momento e o intuito é continuar, abrir novos cursos no ano que vem e dobrar este número”.

Para encerrar as atividades de 2019, uma palestra sobre “Sucessão Assertiva - Novas Lideranças para um Novo Agro” foi explanada por Sarita Rodas - CEO do Grupo Junqueira Rodas e especialista em sucessão e governança familiar para processos sucessórios.

Sarita contou um pouco da sua experiência baseada em conhecimentos técnicos no treinamento de empresas familiares somada a prática dos negócios. Segundo ela, o primeiro passo é se identificar dentro da empresa e ter clareza do seu legado. “A principal tarefa de uma família empresária é manter objetivos comuns em torno do patrimônio”. A empresária ainda compartilhou os seus desafios e elencou como principal deles o fato de aprender em pouco tempo sobre as necessidades que o negócio tinha, por não ser sua área de atuação. “Eu sabia pouco sobre agronegócio, precisava assumir os negócios da família e tinha pouco tempo para me especializar. Acredito que esses foram os principais desafios, a falta de conhecimento e a dificuldade por ser mulher à frente do negócio. Isso há onze anos era bem diferente da atual realidade”, comentou. Ela também destacou que, para quem pretende ser um sucessor, a resiliência e dedicação são a base. “Em todas as atividades, sejam elas em empresas familiares ou não, têm seus desafios, suas dificuldades, mas com muita dedicação e resiliência é possível superar e vencer”.   

Quem também se expressou sobre a importância da sucessão familiar foi o presidente do Conselho de Administração da Copercana, Antonio Eduardo Tonielo. “É muito importante preparar os filhos e netos para futuras mudanças de gestão e essa iniciativa da Canaoeste é muito importante. Gostaria de parabenizar a todos pela conclusão desse primeiro ciclo”.

Ainda durante a programação foram entregues os certificados do primeiro ciclo de formação aos 18 novos líderes participantes do projeto. Helena Zero Kamada, uma das alunas, falou da experiência de poder participar. “Ao longo de nove meses, durante os nossos encontros foram abordados temas interessantes e significantes para mim, já que não tinha formação em nada relacionado ao agronegócio e nem prática. Foi legal poder conhecer um pouco da parte técnica e de muita coisa que eu tinha dúvida como, por exemplo, de que forma funcionava o Consecana (preço e todas as variáveis que envolvem no aumento ou queda de preço de cana) e esse projeto me deu certa bagagem. Tem também a questão da sucessão familiar que em todos os aspectos é muito importante até mesmo para evitar brigas patrimoniais entre irmãos que também podem levar todo o negócio à falência”.

Quem também se posicionou sobre a experiência adquirida durante o primeiro ciclo do projeto foi Rafael Garnica, que destacou como enriquecedor o aprendizado adquirido. “Além de proporcionar informações que nos darão uma bagagem futura, o projeto permitiu também um maior network em contato com outros fornecedores e amigos, rendeu amizades e boas conversas que vieram contribuir muito e, mais para frente, proporcionar novos talentos também para a Canaoeste, afinal de contas essa nova geração é o futuro, e eu acho que essa é a maior contribuição”.

Guiada pela busca de conhecimento

Aos 25 anos de idade, Sarita começou a se preparar para assumir o comando da empresa após a morte do pai, Fábio Rodas, em 2008. Realizou cursos dentro e fora do país para  especializar-se na área e conhecer os negócios. Foi a primeira mulher a compor o Conselho do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura Paulista) e o Conselho de Administração da Montecitrus Trading de Suco de Laranja. Também foi vice-presidente da ABCT (Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã) e é diretora da Prossiga, empresa que ministra palestras e cursos sobre sucessão familiar.

Em um rápido bate-papo, Sarita comentou sobre superação e alguns aspectos de seu trabalho:

O que avalia que precisa ser estimulado para que os jovens se sintam mais encorajados a empreender?

Sarita Rodas: Empreender tem a ver com coragem, resiliência e criatividade. Essas habilidades devem ser estimuladas pela família e nas escolas.

Para reduzir os índices de “mortalidade” das empresas, quais incentivos considera necessários?

Sarita: No caso das empresas familiares é preciso praticar a estabilidade emocional da família e a profissionalização e capacitação dos futuros sócios.

Conte sobre um momento difícil que enfrentou na sua vida, por favor. Como o superou?

Sarita: A vida é cheia de situações difíceis, porém perder o pai e ter que se preparar rapidamente para conduzir os negócios da família, foi um grande desafio. Precisei de muito apoio familiar, dedicação na busca de conhecimento e muita persistência para superar as adversidades do dia a dia.

Como percebe que o seu trabalho contribui para a vida das pessoas?

Sarita: Não sei se a palavra seja perceber, porém compartilho tudo que aprendi, o que faço e dá certo, e principalmente o que dá errado para ajudar as pessoas a conseguirem vencer seus desafios individuais. Precisamos nos espelhar em quem faz e não em quem apenas fala.

Compartilhe uma dica que inspira a sua vida e inspire outras pessoas, por favor.

Sarita: Eu sempre fui guiada pela busca do conhecimento. Não há nada nessa vida que eu não possa aprender, basta querer. O conhecimento muda as pessoas e nós mudaremos o mundo, nem que seja apenas o nosso mundo.